“Querem que pique a bolha?” Conselheiros do Banco de Portugal compararam Montepio ao caso BES

Rodrigo Antunes / Lusa

Numa “discussão acesa” no Banco de Portugal, conselheiros da entidade de supervisão compararam a situação do Banco Montepio ao caso BES, com referências a um “esquema de Ponzi”, em pirâmide, e a ideia de que “a bolha” podia rebentar, deixando um buraco de 2 mil milhões de euros.

Este cenário é relatado pelo Público que se refere a uma reunião do Conselho Consultivo do Banco de Portugal (BdP) que foi realizada há cerca de um ano e meio. Numa “discussão acesa”, houve comparações entre a situação do Banco Montepio e o caso BES, segundo o jornal.

Na reunião que terá ocorrido em finais Março de 2018, os conselheiros João Talone, ex-administrador do BCP e, actualmente, líder do fundo de private equity Magnum Capital, e João Costa Pinto, ex-presidente do BNU e do Caixa Agrícola, manifestaram a sua preocupação com a influência que a Associação Mutualista Montepio Geral tinha no Banco Montepio.

A reunião coincidiu com a altura em que a Mutualista tinha aprovado as contas anuais de 2017 que revelavam uma situação financeira complicada.

Os conselheiros estavam especialmente preocupados com o facto de as sucursais do Montepio venderem produtos de aforro da Mutualista. João Talone chegou a afirmar, segundo o Público, que as novas subscrições desses produtos tinham como único fim pagar os rendimentos das subscrições anteriores, no que definiu como um “esquema Ponzi”, em pirâmide, considerando que podia rebentar e deixar um buraco de 2 mil milhões de euros.

Perante estas referências, a então vice-governadora do BdP, Elisa Ferreira, terá afirmado que a entidade tinha “consciência do problema” e que estava a “recolher muita informação sobre a matéria”.

João Costa Pinto terá considerado a situação “escandalosa”. E Elisa Ferreira terá garantido que o BdP estava atento ao caso, alegando que, dada a pressão do órgão supervisor, passara a haver uma maior separação entre o Montepio e a Mutualista, nomeadamente com a proibição de venda dos produtos de aforro da Associação aos balcões do Banco. Essa venda continuou, contudo, a ser feita, embora num guichet à parte.

João Talone lembrou, então, a Elisa Ferreira que foi precisamente o que se passou no caso do BES e do Grupo Espírito Santo, com os resultados trágicos já conhecidos.

“O tema do Montepio tem de ser resolvido na origem”, terá afirmado o conselheiro na reunião, como cita o Público, apontando que João Talone pediu o fim absoluto da venda de produtos mutualistas no Banco.

“Vocês pretendem que eu pegue na agulha e pique a bolha?”, terá questionado Elisa Ferreira, alegando que essa possibilidade colocaria em causa o futuro do grupo. João Talone terá ripostado que não era “preciso picar” e que bastaria “encostar a agulha”.

ZAP //

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14 COMENTÁRIOS

  1. Esperamos que o Banco de Portugal, o Governo e quem de direito a intervir nestas situações, o faça, para não termos outro BES e seus lesados.
    Isto é uma vergonha. Há meses que se fala deste home e se desconfia do que diz e faz… o que é preciso para que se mude para uma pessoa honesta, correcta e boa profissional?

    • Ai Elsa… bem se vê que não percebe nada disto.
      “Esperamos que o Banco de Portugal, o Governo e quem de direito a intervir nestas situações, o faça, para não termos outro BES e seus lesados.”
      Imagine uma situação terminal em que um paciente está ligado a uma máquina. É assim que eu vejo esta instituição.
      O mal já está todo feito. Se o homem bebia 10 litros de vinho por dia e fumava 5 maços de tabaco durante décadas, não é por agora deixar de fumar e passar a beber chá que o organismo vai recuperar.
      Resta apenas saber quando é que desligam a máquina.

      • Pois, não percebo, não sou máquina, mas sei que, se se fizer alguma coisa com quem possa fazer, podemos evitar outro BES, ainda. Agora se as máquinas pararem porque já não vale a pena, aí sim, não vale mesmo a pena. E é por essas e outras que as coisas vão acontecendo. Somos um país de máquinas perras que não se arranjam porque já não vale a pena… e entretanto os espertos vão ficando ricos e o povo ficando cada vez mais pobre.
        E sim, percebo disto…pode não lhe parecer a si, que é uma máquina e portanto, não pensa.

        • Como é que evita outro BES?! A haver buraco já lá está! Já está criado. Apenas falta é comunicá-lo ao público.
          Dedique-se a outra causa porque esta dedicidamente não é a sua área.

  2. Os politicos continuam a defender as falcatruas, vigarices, ladroagem dos bancos. No final quem paga é o povo que trabalha e cada vez mais paga mais impostos. Isto não são governos são MAFIAS sanguessugas que nos colocam como ESCRAVOS a trabalhar p/ eles. Daqui a nada nem pão vamos ter para comer. ACORDEM.

  3. Espero que desta vez não injetem dinheiro dos contribuintes, faliu temos pena é o mercado a funcionar. Talvez assim os bancos já trabalhem melhor.

  4. Os conselheiros do BdP? Então está bem. São um grupo de pessoas que têm feito um trabalho notável, tem-se notado! De repente, pelo título, até pensei que o alerta vinha de alguma entidade competente.

  5. Na prática banqueiros e supervisores têm andado todos no caminho do deixa andar e governantes completamente distraídos, parece o país do vale tudo, cada vez se percebe menos para que serve o Banco de Portugal!

  6. Essas pessoas só lá estão para comer da mesma pia que comem todos os outros, estão todos com o rabo preso. Não existem pessoas sérias na política, bancos e etc….

  7. Então ninguém diz nada sobre o vigarista que está na foto (Tomás Correia) que ganhou mais umas eleições duvidosas para continuar a presidir à Mutualista Montepio e do seu amigo, o padre Melícias (que ganha mais de 7000 de reforma) e que ainda há pouco disse isto:
    “Não será um secretariozeco ou um ministro” a afastar Tomás Correia do Montepio, avisa o Padre Vítor Melícias
    eco.sapo.pt/2019/03/12/nao-sera-um-secretariozeco-ou-um-ministro-a-afastar-tomas-correia-do-montepio-avisa-o-padre-vitor-melicias/

  8. e depois admiram-se que hajam cada vez mais pessoas a passar para o lado do extremismo… tal como a outra Sra. disse da outra vez “Nao sei se deveriam haver 6 meses sem direitos humanos e civilidade para lidar com esta cambada”

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