As bactérias contradizem Darwin: a mais apta não sobrevive

(cc) NIAID

Bactérias E.coli vistas ao microscópio eletrónico

Uma recente investigação levada a cabo pela Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, revela que, no que diz respeito às bactérias, a “sobrevivência das mais cooperativas” excede a “sobrevivência das mais fortes”.

As bactérias são capazes de sacrificar algumas das suas propriedades se isso beneficiar a comunidade bacteriana. Esta é a descoberta de uma recente investigação levada a cabo por cientistas da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, e um importante passo para a compreensão das interações completas das bactérias.

Além disso, os cientistas destacam a importância deste estudo no desenvolvimento de novos modelos de tratamento para uma ampla gama de doenças humanas e novas tecnologias ecológicas.

No fundo, segundo este estudo cujo artigo científico foi publicado no ISME Journal, as bactérias preferem unir-se contra as ameaças externas, como antibióticos, em vez de lutar entre si. Depois de milhares de combinações, ficou claro que as bactérias cooperam umas com as outras para sobreviver, um resultado que contradiz o que Darwin defendia nas suas teorias da evolução.

“Na mentalidade darwiniana clássica, a competição é o nome do jogo. Os mais adequados sobrevivem e superam os menos adequados. No entanto, quando se trata de microrganismos como bactérias, as nossas descobertas revelam que os mais cooperativos sobrevivem”, explica o microbiologista Soren Johannes Sorensen em comunicado.

Os cientistas isolaram bactérias de uma casca de milho e, de acordo com o Europa Press, conseguiram observar até que ponto as bactérias competem ou cooperam para sobreviver.

A equipa da Universidade de Copenhaga mediu o biofilme bacteriano, uma camada protetora que protege as bactérias contra ameaças externas, como antibióticos ou predadores. Quando as bactérias são saudáveis, produzem mais biofilme e tornam-se mais fortes e resistentes.

Os cientistas observaram o mesmo resultado repetidas vezes: uma determinada bactéria, em vez de competir para ser mais forte do que as outras na produção de biofilme, concedia mais espaço às bactérias mais fracas, o que lhes permitia crescer. Ao mesmo tempo, os investigadores conseguiram ver que as bactérias dividem tarefas trabalhosas.

“Henry Ford pode ter achado que havia encontrado algo brilhante quando introduziu a linha de montagem e a especialização dos trabalhadores, mas as bactérias estão a aproveitar essa estratégia há um milhares de milhões de anos”, resumiu Soren Johannes Sorensen.

“O nosso estudo demonstra que as bactérias se organizam de maneira estruturada, distribuem tarefas entre si e ajudam-se umas às outras. Isto significa que, num estudo futuro, podemos descobrir quais as bactérias que cooperam e quais aquelas que dependem umas das outras”, concluiu o especialista.

ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Também estamos na fase da descoberta das “bactérias amigas”… e, no nosso corpo, há mais bactérias do que células humanas….
    assinado: Maria da Maia

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