Bactéria come electricidade e transforma-a em biofuel

d.r. Derek Lovley / USC

Fotografia de uma geobactéria metallireducens bacterium, uma bactéria que se alimenta de electrões puros, descoberta em 2014 por cientistas da Universidade da Carolina do Sul

Fotografia de uma geobactéria metallireducens bacterium, bactéria que se alimenta de electrões puros, descoberta em 2014 por cientistas da Universidade da Carolina do Sul

Um grupo de investigadores da Syddansk Universitet, na Dinamarca, está a desenvolver uma bactéria capaz de comer excedentes de electricidade proveniente de fontes renováveis como a energia eólica ou solar, e usá-la para converter CO2 em biofuel.

O conceito parece saído de uma história de ficção científica, mas na realidade existe já uma bactéria com tal apetite – embora apenas seja capaz de transformar a electricidade e CO2 em metano e acetileno.

A equipa de cientistas dinamarqueses quer agora aplicar pequenas manipulações genéticas para converter bactérias em fábricas em miniatura, capazes de produzir qualquer tipo imaginável de produto orgânico.

“Neste momento, as reservas de combustíveis fósseis do planeta estão a esgotar-se. Entretanto, temos grandes quantidade de electricidade que sobra de fontes de energia renovável – e CO2 em quantidades mais do que suficientes”, diz Amelia-Elena Rotaru, investigadora do Centro Nórdico de Evolução da Terra da Syddansk Universitet.

“Então, a nossa ideia é usar esta bactéria única para converter CO2 e excedentes de electricidade em diversos produtos orgânicos”, diz Rotaru, citada pelo Science Nordic.

“É uma questão de converter desperdício em produtos úteis, para poupar os recursos da Terra”, acrescenta.

Como uma bacteria come electricidade

Diversos organismos são capazes de processar electricidade no seu metabolismo.

Estes organismos são normalmente bactérias que usam hidrogénio como fonte de energia, da mesma forma que os mamíferos usam comida como “combustível”.

Há um ano, cientistas da Universidade da Carolina do Sul descobriram mesmo uma “bactéria que se alimenta de electrões puros em vez de açúcar”.

Quando o hidrogénio é decomposto pelo metabolismo destes organismos, resultam protões e electrões – algo que não é muito diferente de um líquido com um eléctrodo que transporta uma corrente eléctrica.

Um tal organismo é portanto capaz de usar directamente energia eléctrica para viver, em vez de a obter da decomposição do hidrogénio.

@electricmicrobe / Twitter

Amelia-Elena Rotaru, investigadora em Microbiologia Ambiental e "caçadora de bactérias" da Syddansk Universitet

Amelia-Elena Rotaru, investigadora em Microbiologia Ambiental e “caçadora de bactérias” da Syddansk Universitet

As bactérias produzem substâncias úteis

É precisamente este mecanismo que faz torna a bactéria interessante do ponto de vista financeiro e ambiental.

Segundo a cientista, o potencial da “bactéria-electrívora” é infinito.

“Não é necessário mexer muito no DNA desta bactéria para que ela produza butanol, que é um biofuel melhor que o etanol”, explica Rotaru.

“É um processo bastante trivial, e com esta bactéria o potencial é tremendo.  A nossa imaginação é o limite“, acrescenta.

“É tudo uma questão de transformar excedentes de electricidade em qualquer coisa útil”, diz a especialista em Microbiologia Ambiental e “caçadora de bactérias”.

A exploração do potencial da bactéria passaria pela instalação de tanques junto a centrais de recolha de energia eólica ou solar.

Os excedentes de energia, que de outra forma seriam desaproveitados, passariam a alimentar directamente os tanques de bactérias.

Se algo é orgânico, provavelmente pode ser produzido por esta bactéria“, assegura Amelia-Elena Rotaru.

No futuro, será possível usar estas bactérias para produzir substâncias tão diversas como bio-plásticos, ou amino-ácidos.

“A lisina, por exemplo, é um aminoácido usado em ração para porcos”, diz a cientista.

Talvez vejamos brevemente electricidade transformada em comida. Mas a ciência já foi capaz de nos trazer coisas mais estranhas.

AJB, ZAP

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