Extrema-direita venceu eleições na Áustria, mas não vai governar

Christian Stocker/Facebook

Christian Stocker, do conservador Partido Popular, deverá ser o próximo líder austríaco.

Três partidos unem-se para formar governo centrista e afastar o anti-imigração e eurocético Partido da Liberdade do poder. Christian Stocker, dos conservadores, deverá tornar-se chanceler.

Três partidos anunciaram esta quinta-feira que chegaram a um acordo para formar um novo Governo centrista na Áustria, cinco meses depois de uma eleição ganha por um partido de extrema-direita, que fracassou nas negociações para formar um Executivo.

Num comunicado conjunto, o conservador Partido Popular Austríaco, os sociais-democratas de centro-esquerda e o partido liberal Neos anunciam que chegaram a acordo para uma coligação para formar governo, após o mais longo hiato pós-eleitoral na Áustria depois da Segunda Guerra Mundial.

Os políticos do país bateram um recorde de 129 dias para formar um novo Governo, que remontava a 1962. O líder do Partido Popular, Christian Stocker, deverá tornar-se chanceler.

Esta foi a segunda tentativa dos três principais partidos para formar um novo governo sem o Partido da Liberdade, de extrema-direita, anti-imigração e eurocético, que nas eleições austríacas de 29 de setembro emergiu pela primeira vez como a força política mais forte, conseguindo 28,8% dos votos.

A primeira tentativa falhou, no início de janeiro, levando à demissão do então chanceler conservador Karl Nehammer, preparando o terreno para o presidente da Áustria pedir ao líder do Partido da Liberdade, Herbert Kickl, para tentar formar governo.

O líder do Partido da Liberdade tem posturas controversas sobre imigração, segurança e políticas de saúde. Defende por exemplo a “remigração de estrangeiros não convidados” ou a suspensão do direito de asilo. E também é anti-vacinas (o que lhe trouxe muitos seguidores).

Perante esta personalidade, Karl Nehammer, líder do segundo partido mais votado, disse mesmo que nunca iria entrar numa coligação com o FPÖ caso Kickl entrasse nas contas para um cargo no Governo.

A própria tentativa de Kickl de reunir uma coligação com o Partido do Povo, que ficou em segundo lugar nas eleições, falhou e, nessa altura, os partidos tradicionais, que enfrentavam o risco de uma nova eleição que provavelmente não os favoreceria, retomaram as negociações.

O governo cessante, uma coligação do Partido Popular e dos Verdes ambientalistas, agora liderado pelo chanceler interino Alexander Schallenberg, manteve-se no poder a título interino desde a eleição.

O Partido Popular e os sociais-democratas já governaram muitas vezes juntos, mas têm a maioria mínima possível no parlamento eleito em setembro, com um total de 92 dos 183 lugares. Esta foi amplamente considerada uma almofada muito pequena e os dois partidos tentaram negociar com o Neos, que tem 18 lugares e nunca se tinha juntado a um Governo nacional.

ZAP // Lusa

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