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“Via carros a entrar e a sair do quintal.” Namorada revela que ativista bielorrusso já temia pela sua segurança antes de morrer

Sergei Supinsky / AFP

Bazhena Zholudzh, namorada de Vitaly Shishov, não acredita que o parceiro se tenha suicidado. A jovem revelou que o ativista bielorrusso, encontrado enforcado num parque de Kiev, andava preocupado com a sua segurança.

As revelações foram transmitidas numa entrevista à BBC, na qual Bazhena Zholudzh disse não acreditar que o namorado se tenha suicidado. “Tínhamos planeado uma vida juntos. Ele não ia, simplesmente, deixar-me assim.”

A companheira do ativista bielorrusso revelou também que Vitaly Shishov já tinha demonstrado preocupação com a sua segurança, embora não tenha dado grande importância.

“Ele costumava sentar-se perto da janela e dizer que via carros a entrar e a sair do quintal. Não levei muito a sério”, contou. “Eu disse ‘talvez estejas a ser paranoico. Quem teria interesse em nós?’ Mas talvez ele tenha tido algum tipo de premonição”, afirmou.

Vitaly Shishov fugiu da Bielorrússia no ano passado, aquando da vaga de repressão por parte das autoridades do país após as presidenciais, que elegeram Alexander Lukashenko com mais de 80%. O resultado não foi reconhecido pelos Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia (UE), que o consideraram fraudulento.

O ativista encontrou refúgio na Ucrânia e foi a partir desse país que dirigiu a Casa da Bielorrússia na Ucrânia, uma organização não-governamental que ajuda dissidentes bielorrussos a fugirem do regime de Lukashenko.

Esta terça-feira, Shishov foi encontrado enforcado num parque em Kiev. O ativista tinha saído de casa, na segunda-feira de manhã, para a sua habitual corrida matinal e nunca mais voltou.

A polícia ucraniana referiu, em comunicado, que o cenário aponta para morte por asfixia, mas pode também estar em causa um “assassínio camuflado como suicídio“.

“Não tive permissão para ver o corpo, para me despedir dele, porque não sou a sua esposa legal”, acrescentou ainda Bazhena Zholudzh. As autoridades ucranianas estão a investigar o caso.

  ZAP //

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