Astrónomos detetaram atividade nunca antes vista num magnetar

(dr) Carl Knox / OzGrav

Impressão artística do magnetar Swift J1818.0–1607

Novas observações de uma estrela incomum, localizada a aproximadamente 15 mil anos-luz da Terra, revelaram um padrão bizarro de atividade estelar que os astrónomos dizem nunca ter visto antes.

De acordo com o site Science Alert, a estrela em questão chama-se Swift J1818.0–1607, foi descoberta no ano passado e é aquilo a que os astrónomos chamam de magnetar, ou seja, um tipo especial de estrela de neutrões, com um campo magnético muito poderoso, que se forma quando estrelas supergigantes não conseguem transformar-se em supernovas, colapsando em núcleos incrivelmente densos.

Apesar de ainda só terem sido detetados 30 objetos deste género na Via Láctea, este consegue destacar-se. Isto porque, entre estes magnetares que emitem ondas de rádio de uma forma semelhante aos pulsares (outro tipo de estrela de neutrões), nenhum foi visto a fazê-lo como o Swift J1818.0-1607. O que leva alguns especialistas a sugerir que pode representar algum tipo de “elo perdido” entre magnetares e pulsares.

Agora, graças às oito observações realizadas em 2020, astrónomos notaram que os seus pulsos de rádio mudam distintamente de caráter: em maio pareciam os de um pulsar, em junho mudaram para uma forma diferente de tremulação clara/fraca e em julho adotaram uma mistura entre os dos pulsares e os dos magnetares.

“Este comportamento bizarro nunca foi visto em qualquer outro magnetar”, explicou Marcus Lower, investigador da Universidade de Swinburne e da Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO), cujo estudo foi publicado, em dezembro, na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Embora estas flutuações ainda não possam ser explicadas de forma clara, os investigadores sugerem que podem representar uma forma de evolução estelar que ainda não entendem totalmente.

“Talvez este magnetar tenha evoluído de um pulsar mais regular ao longo do tempo… ou talvez nós estejamos a perder outros magnetares na Via Láctea porque estão tão distantes de nós que as ondas de rádio de baixa frequência que vemos estão demasiado espalhadas para que os possamos detetar”, acrescentou.

Além disso, as novas observações do Swift J1818.0–1607 sugerem que o seu eixo magnético não está alinhado com o eixo de rotação e, em vez disso, mergulha no seu hemisfério sul. Se assim for, trata-se de mais uma estreia para um magnetar e poderia explicar algumas das mudanças observadas no perfil de emissão de rádio.

ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. O momento angular destas estrelas muito densas, pode variar consideravelmente ao longo do tempo devido a eventos dinâmicos no interior da própria estrela. O campo magnético destas estrelas é fortíssimo quando elas giram muito rápido. Estes corpos muito particulares, podem sofrer acelerações e desacelerações muito pronunciadas no seu movimento de rotação e daí a hipotética explicação.

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