O asteróide Bennu gira cada vez mais depressa (e ninguém sabe ao certo porquê)

NASA/Goddard/University of Arizona)

O asteróide Bennu, alvo da missão OSIRIS-Rex da agência espacial norte-americana, está a girar cada vez mais depressa com o passar do tempo, revelou esta semana uma nova publicação.

Tal como nota o portal Live Science, ninguém sabe ao certo por que motivo a movimentação do asteróide está a acelerar, mas os cientistas atribuem o fenómeno a um estranho efeito da luz solar na sua superfície.

Bennu fica a 110 milhões da Terra, sendo um dos asteróides mais próximos do nosso planeta. À medida que se move através do Espaço a cerca de 101.000 quilómetros por hora, o asteróide também gira, finalizando uma rotação completa a cada 4,3 horas.

A nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista especializada Geophysical Research Letters, concluiu que a rotação do asteróide está a acelerar de 1 segundo por séculos. Simplificando: o período de rotação do Bennu está a ser reduzido 1 segundo a cada 100 anos, aproximadamente.

Apesar de o aumento na rotação no objeto celeste possa parecer pequeno, a longo prazo pode traduzir-se em mudanças drásticas na rocha espacial. Segundo escreveram os autores, se o asteróide continuar a girar cada vez mais depressa durante milhões de anos, pode perder fragmentos do seu corpo ou até mesmo desfazer-se em pedaços.

“À medida que acelera, as coisas devem mudar, por isso vamos procurar estas coisas e detetar estas velocidade para ver se nos dá algumas pistas sobre o tipo de coisas que deveríamos estar à procura”, disse Mike Nolan, cientista e chefe de equipa da missão OSIRIS-Rex da NASA, citado em comunicado.

“Devemos procurar evidências de que algo estava diferente no passado recente e de que as coisas podem mudar à medida que avançamos“, acrescentou Nolan.

Importância do Bennu e da missão OSIRIS-Rex

A missão OSIRIS-REx está programada para trazer uma amostra do Bennu à Terra em 2023. Compreender a mudança na rotação deste asteróide poderia ajudar os cientistas a  melhor compreender a origem do sistema solar, o quão provável e perigosa é a ameaça destes corpos para a Terra e se podem ser extraídos recursos minerais destas rochas.

Para compreender a rotação de Bennu, os cientistas estudaram dados do asteróides desde 1999 (ano em que foi descoberto) até 2005, analisando também dados obtidos pelo Telescópio Espacial Hubble em 2012. E foi ao observar a informação do Hubble que os cientistas notaram que a a velocidade de rotação do asteróide registada em 2012 não coincidia com as previsões baseadas em dados anteriores.

“Não era possível fazer com que [os asteróides] encaixassem bem”, disse Nolan, acrescentando que foi nesse momento “que surgiu a ideia de que [o Bennu] deveria estar a acelerar”, explicou na mesma nota.

A ideia de que a rotação dos asteróides pode acelerar ao longo do tempo foi prevista pela primeira vez em meados de 2000, sendo detetada pela primeira vez em 2007, segundo o especialista. Até o momento, esta aceleração só foi detetada em meia dúzia destes corpos rochosos, notou ainda Nolan.

As alterações na rotação do Bennu pode dever-se a uma mudança na sua forma, pode ler-se no comunicado. Tal como os patinadores de gelo, que aceleram ao puxar [junto do corpo] os seus braços, um asteróide pode acelerar à medida que vai perdendo material.

Efeito YORP

A equipa sugere que o motivo mais provável para o aumento da rotação do asteróide é um fenómeno conhecido como efeito YORP. A luz solar que atinge o asteróide é refletida de volta para o Espaço. A mudança na direção da luz de entrada e saída empurra o asteróide e pode fazê-lo girar mais depressa ou mais devagar, dependendo da sua forma e rotação.

Esta é a “aposta” dos cientistas, mas a missão OSIRIS-REx determinará de forma independente a taxa de rotatividade do Bennu ainda este ano, o que ajudará os especialistas a refinar o que leva o Bennu a girar tão rápido.

Tendo em conta que grande parte das naves espaciais nunca visitaram a grande maioria dos asteróides, as medições ajudarão ainda os cientistas a descobrir como é que as medições em terra pode compreender estes objetos distantes.

ZAP ZAP //

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14 COMENTÁRIOS

  1. O que acontece se um asteróide cair na Terra, eu presunto que vai cair um como aquele que caiu na Rússia bem maior.

  2. O efeito YORP, associado à luz do Sol deveria alterar a velocidade de rotação de todos os asteróides com dimensões semelhantes e menores que o Benno. A energia necessária para isso não aparece do nada e o efeito luminoso poderia ser uma explicação. Mas para isso é necessário comprovar que a luz afecta todos os outros asteróides. Senão é meramente uma hipótese. E depois o erro de 1 segundo num ano é da ordem de 3,2 levantado a -8 (parece-me um valor excessivamente pequeno para ser detectado nesta escala de valores….pode simplesmente ser o resultado de leituras erradas ou insuficientes. Os interferómetros têm grande precisão, mas não me consta que vão até 0.00000001 de grau de certeza nas medições.

  3. Nao entendi como a entrada e a saida da luz o fazem acelerar. A luz nao é algo material, pra “empurrar”.
    Algum entendido poderia me responder?

  4. Einsten comprovou que a luz transporta os fotos, partículas materiais infinitamente pequenas. Entendeu agora?

  5. …as partículas de luz são fotões, fotos é mais no facecoiso.
    Caro Phillipe a propulsão por reflexão da luz solar é algo bastante estudado e discutido mas infelizmente muito pouco ensaiado na prática (excepto na ficção cientifica), existe uma missão japonesa de vela solar a caminho de Vénus mas que penso ainda não permitiu obter dados conclusivos. Na escola numa das minhas aulas de física pude ver em funcionamento um “Radiometro de Crookes” que na altura me foi apresentado como motor de fotões, hoje sei que erradamente (é na verdade fundamentalmente um motor de calor IV, em vácuo absoluto não funciona) continuo no entanto a pensar que será um dos métodos mais interessantes de propulsão espacial dentro do sistema solar e espero que surjam em breve mais resultados.

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