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O assassinato de Vincent Chin foi uma batalha legal perdida. Mas incentivou a luta pelos direitos dos ásio-americanos

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Vincent Chin

Vincent Chin faleceu aos 27 anos depois de ter sido espancado por dois homens brancos que o culpavam por terem sido despedidos. Nenhum dos assassinos passou um dia na prisão, mas o incidente estimulou o debate sobre os direitos civis dos ásio-americanos.

Após um dia calmo no restaurante, Vincent Chin decidiu ir para casa mais cedo e organizou uma espécie de despedida de solteiro improvisada. Encontrou-se com os amigos, no fim do jantar, e decidiram ir beber uma garrafa de vodka para o Fancy Pants Lounge de Highland Park, um clube de striptease.

Segundo o All That’s Interesting, Ronald Ebens e o seu enteado, Michael Nitz, observavam com algum ressentimento as mulheres que se aglomeravam em torno de Chin.

Ebens trabalhava na Chrysler e Nitz no setor automóvel, mas foram ambos demitidos. De acordo com o testemunho de uma das dançarinas, enquanto olhava para Chin, Ebens terá comentado: “É por causa dele que estamos sem trabalho.”

Em 1982, Detroit era uma cidade com uma única indústria. Muitos culparam as importações japonesas, em vez de caírem em cima das três grandes (General Motor, Ford e Chrysler) pela devastadora desindustrialização que estava a custar tantos empregos.

Naquela noite, Ebens e Nitz presumiram que Vincent Chin, um chinês-americano, fosse japonês. Depois de vários insultos, envolveram-se num confronto físico que acabou com o grupo de Chin a abandonar o bar. Mas a despedia de solteiro que virou pesadelo não ficou por ali.

A dupla encontrou Chin no estacionamento, perseguiram-no e espancaram-no perto de um McDonald’s com o taco de basebol. Dois polícias, fora de turno, aperceberam-se do que estava a acontecer, aproximaram-se e acabaram com os desacatos.

Antes de perder os sentidos, Chin sussurrou: “Não é justo.”

Ebens e Nitz foram detidos e acusados ​​de assassinato em segundo grau. Chin esteve em coma, mas os médicos acabaram por desligar as máquinas quando a sua atividade cerebral cessou. Aos 27 anos e antes de casar, faleceu.

Depois do julgamento, a indignação passou à ação. O juiz Charles Kaufman considerou Ebens e Nitz culpados de homicídio culposo e multou-os em 3.000 dólares, mais 780 dólares em custas judiciais pelo assassinato de Vincent Chin.

Os ásio-americanos revoltaram-se com as sentenças brandas. Após o assassinato de Chin, a comunidade pan-asiática percebeu que tinha de se unir numa luta comum.

Após o veredito, ásio-americanos de todas as origens protestaram sob o grito de guerra: “Lembrem-se de Vincent Chin”. Num mês, nasceu uma organização de direitos civis pan-asiático-americana, chamada American Citizens for Justice, formada pela jornalista Helen Zia e outros ativistas em Detroit.

Depois de o caso se ter tornado bastante mediático, a organização conseguiu que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos investigasse o assassinato de Chin como uma violação dos direitos civis.

No segundo julgamento, em 1984, o Tribunal Distrital dos Estados Unidos absolveu Nitz, mas Ebens foi considerado culpado de uma acusação de violação dos direitos civis e condenado a 25 anos de prisão. No entanto, depois de recorrer, a condenação foi anulada.

Embora a batalha legal tenha sido perdida, o legado de Vincent Chin continua vivo. O documentário Who Killed Vincent Chin? esteve nomeado nos Óscares de 1989, tendo-se seguido outros filmes, peças, artigos e obras de arte.

Este caso estabeleceu o precedente legal de que os ásio-americanos têm direitos civis e aumentou substancialmente a união da comunidade pan-asiática.

  Liliana Malainho, ZAP //

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