Arrendar casa em Lisboa é duas vezes mais caro do que no resto do país

Simon Collison / Flickr

O valor médio de arrendamento em 2017 ficou nos 4,39 euros por metro quadrado. Na capital, o metro quadrado já custa 9,62 euros. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, verificaram-se valores de arrendamento por metro quadrado superiores ao valor nacional em 37 municípios.

Viver em Lisboa é mais caro do que viver no resto do país. No entanto, no ano passado, o valor dos novos arrendamentos na capital ficou duas vezes acima da média nacional. Segundo o Dinheiro Vivo, o metro quadrado em Lisboa já custa 9,62 euros.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE) e com os dados de novos contratos de arrendamento celebrados em 2017, as Estatísticas de Rendas da Habitação ao nível local indicam que há 37 municípios com rendas de habitação acima do valor nacional.

O valor mais elevado do país foi registado em Lisboa, mas destacam-se ainda, com valores iguais ou superiores a seis euros por metro quadrado, os municípios de Cascais (8,06 euros), Oeiras (7,84 euros), Porto (6,77 euros), Amadora, Odivelas e Almada.

“Em 2017, o valor mediano das rendas de alojamentos familiares com novos contratos de arrendamento no país fixou-se em 4,39 euros por metro quadrado e os municípios que superaram aquele valor localizam-se maioritariamente na Área Metropolitana de Lisboa e no Algarve”, indicam os dados estatísticos.

Os dados referem-se aos 84 383 novos contratos de arrendamento de alojamentos familiares registados no último ano. Além da Área Metropolitana de Lisboa e do Algarve, a Região Autónoma da Madeira e a Área Metropolitana do Porto registaram em 2017 valores medianos das rendas por metro quadrado superiores ao valor nacional.

Ainda assim, foi também nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto que se registaram a maior parte dos novos contratos: 51%.

“As áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto representavam, em conjunto, cerca de 51% do número total de novos contratos de arrendamento do país”, de acordo as Estatísticas de Rendas da Habitação ao nível local em 2017, revelando que, por outro lado, o menor número de novos contratos de arrendamento foi no Baixo Alentejo (474).

Neste âmbito, a Área Metropolitana de Lisboa registou um diferencial do valor de rendas entre municípios superior a cinco euros por metro quadrado, apurou o INE, avançando que durante 2017 o município de Lisboa foi o que registou o maior número de contratos de arrendamento do país (6.980 contratos celebrados).

“Assinala-se ainda, com número de novos contratos superior a 2.500, os municípios de Sintra (3.516), Porto (3.177) e Vila Nova de Gaia (2.687)”, adiantou o INE.

Na capital, é no Parque das Nações que as rendas são mais elevadas: 11,70 euros por metro quadrado. Segue-se a freguesia da Misericórdia, que inclui o Bairro Alto e o Cais do Sodré, que custa 11,64 euros por metro quadrado. Já a freguesia de Santa Clara é a mais acessível, com um custo de 6,82 euros.

Já no Porto, a União das Freguesias Lordelo do Ouro e Massarelos e a União das freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde foram as que apresentaram os valores mais elevados de novos contratos de arrendamento, respetivamente 7,26 e 7,23 euros por metro quadrado. A freguesia de Campanhã é a mais barata (5,78 euros).

No que diz respeito à importância dos alojamentos arrendados no total do parque habitacional em Portugal, o INE recorda que em 2011 a sua representatividade era de 11,3% entre os alojamentos familiares clássicos. Se se considerar apenas os novos contratos de arrendamento, “os alojamentos arrendados em 2017 representavam apenas cerca de 1,4% do parque habitacional“, lê-se no relatório.

De acordo com o INE, as novas Estatísticas de Rendas da Habitação ao nível local procuram corresponder a “necessidades de informação identificadas pela Secretaria de Estado da Habitação”.

“Assim, serão disponibilizados dois indicadores com uma periodicidade pelo menos anual, para o país, até ao nível do município, e para as áreas metropolitanas, até ao nível da freguesia, desde que o número de observações o permita (30 ou mais observações)”, esclarece o INE.

Os indicadores são o valor mediano das rendas por metro quadrado de novos contratos de arrendamento de alojamentos familiares (em euros) e os novos contratos de arrendamento de alojamentos familiares (em número).

Margem Sul é 50% mais barata do que Lisboa

Em entrevista ao Diário de Notícias, Jorge Nunes contou que há pouco mais de um mês trocou o Largo da Graça por Cacilhas. A renda que paga por um T4 em Almada não chegava para metade de um apartamento semelhante no centro de Lisboa.

Arrendar em Lisboa é duas vezes mais caro do que na Margem Sul, por isso, são cada vez mais aqueles que escolhem a margem sul do Tejo para fugir à especulação imobiliária que está a esmagar a capital.

Segundo as médias do INE, o metro quadrado na capital custa 9,62 euros, já nos seis municípios que compõem a Margem Sul, o valor ronda os 4,77 euros. Ou seja, arrendar uma casa de cem metros quadrados na Moita ou no Montijo não chega a custar 500 euros, em Lisboa, chega quase aos mil, escreve o jornal.

Romão Lavadinho, presidente da Associação dos Inquilinos Lisbonenses, garante ao DN que a maioria dos apartamentos em Lisboa estão a ser arrendados por valores muito superiores aos dos dados do INE.

“Um T1 ou um T2 com 60 ou 70 metros quadrados está a ser arrendado por 1200 ou 1300 euros. Grande parte da população, principalmente a classe média e os jovens, está a ter de ir para a periferia”, denuncia o presidente da associação.

O presidente da Associação dos profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária (APEMIP), Luís Lima, concorda e sublinha que os valores das rendas estimados pelo INE até seriam bons se fossem reais, “Quem me dera que houvesse esses preços em Lisboa. Hoje encontrar um T1 de 50 metros quadrados até 600 euros é impossível, não existe”, diz.

A solução passa, segundo Luís Lima, por construção nova. “Há zonas limítrofes, tanto em Lisboa como no Porto, que é possível desenvolver. Temos um problema gravíssimo para os jovens e para a classe média e precisamos da intervenção ou do Estado ou das autarquias. É preciso ter casas que os portugueses possam pagar“, refere ao jornal.

ZAP // Lusa

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