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Arqueólogos reabriram um caso arquivado e descobriram novos detalhes da Taça de Nestor

Taça de Nestor

O túmulo em que foi encontrada a Taça de Nestor, mencionada na literatura épica grega, não tinha um cadáver de uma criança, mas sim de três adultos.

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A Ilíada é um dos dois principais poemas épicos da Grécia Antiga, de autoria atribuída ao poeta Homero, que narra os acontecimentos decorridos durante a Guerra de Troia. Nos seus mais de 15.693 versos há uma breve descrição de 6 linhas da famosa Taça de Nestor.

Na mitologia grega, a Taça de Nestor é uma lendária taça dourada que pertencia ao herói homónimo. Apesar da sua breve aparição na Ilíada, a taça foi objeto de significativa atenção.

Na obra, é dito que Macaão, filho de Asclépio, é ferido por Paris e levado de volta ao acampamento grego por Nestor. Depois, uma bebida curativa é-lhe preparada na taça.

Os antigos críticos que escreveram sobre a Ilíada estavam particularmente interessados em três aspetos da Taça de Nestor: o seu tamanho, por que apenas Nestor podia levantá-la e as pombas nas suas pegas.

Agora, num novo estudo publicado na revista científica PLOS One, examinou os restos humanos do túmulo em que a Taça de Nestor estava enterrada, na Grécia, e descobriu que o que deveriam ser os restos mortais cremados de uma criança, na realidade, são de três adultos.

“Podemos dizer que reabrimos um caso arquivado”, disse autora principal do estudo, Melania Gigante, em declarações ao Live Science.

No túmulo em que a Taça de Nestor foi encontrada, também lá estavam um broche de prata e outros fragmentos de cerâmica, sugerindo que quem ali foi enterrado era de alto estatuto social, escreve o Ancient-Origins.

Embora a taça do túmulo seja apenas de barro — e não de ouro — as inscrições nela são uma referência clara ao mito e à lenda.“Eu sou a taça de Nestor, bom beber dela. Quem beber esta taça vazia, imediatamente o desejo por Afrodite o agarrará”, lê-se nela.

Uma nova análise revelou fragmentos de ossos humanos e de animais no túmulo. Além disso, mostrou que não se trata dos restos mortais de uma criança pré-adolescente, mas de três adultos enterrados juntos.

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“O nosso estudo reescreve a história e a interpretação arqueológica anterior do túmulo, revelando detalhes sobre as práticas fúnebres, a cultura e a sociedade dos imigrantes gregos no antigo Mediterrâneo Ocidental”, disse ainda a autora do estudo.

  Daniel Costa, ZAP //

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