Arménia e Azerbaijão anunciam “trégua humanitária”

Aziz Karimov / EPA

Antes do anúncio da trégua, na madrugada deste sábado, pelo menos 12 pessoas morreram e mais de 40 ficaram feridas após um ataque com mísseis a uma zona residencial em Ganja.

Arménia e Azerbaijão anunciaram, Este sábado, uma “trégua humanitária”, a partir das 00:00 horas deste domingo, no conflito sobre Nagorno-Karabakh, de acordo com informação avançada pelos Ministérios das Negócios Estrangeiros dos dois países.

“A República da Arménia e a República do Azerbaijão concordaram com uma trégua humanitária a partir de 18 de outubro à 00:00, horário local”, disse o Ministério das Negócios Estrangeiros da Arménia, informação que foi confirmada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do Azerbaijão num comunicado idêntico.

Nagorno-Karabakh pertence ao Azerbaijão, mas está sob o controlo de forças étnicas apoiadas pela Arménia, alimentando um conflito que dura há várias décadas e que entrou em escalada no passado dia 27 de setembro.

Nas últimas semanas o conflito já causou a morte a mais de 700 pessoas, segundo relatos, e a Turquia, principal aliado de Baku, é acusada de interferir naquele conflito.

Na madrugada deste sábado, pelo menos 12 pessoas morreram e mais de 40 ficaram feridas após um ataque com mísseis a uma zona residencial em Ganja, a segunda maior cidade do Azerbaijão, informaram as autoridades.

“O lançamento destes mísseis contra localidades densamente povoadas mostra a mentalidade imoral e esquizofrénica da liderança político-militar da Arménia”, escreveu Hikmat Hajiyev, conselheiro do Presidente do Azerbaijão, na rede social Twitter, precisando que os mísseis eram do tipo Scud.

Hajiyev frisou que a cidade de Ganja está longe da zona de conflito, pelo que o ataque, que qualificou como “crime de guerra”, não respondeu a qualquer necessidade militar. Ganja já tinha sido atingida no passado domingo por um míssil, que matou 10 pessoas e fez mais de 30 feridos.

A cidade tem mais de 300 mil habitantes e situa-se a cerca de 300 quilómetros a oeste de Baku, a capital do Azerbaijão.

O novo surto de violência mina os esforços internacionais para acalmar as hostilidades entre os arménios cristãos e os azeris muçulmanos, envolvendo potências regionais como a Rússia e a Turquia.

Azerbaijão acusa Arménia de quebrar cessar-fogo

Este domingo, o Azerbaijão acusou o exército arménio de ter violado o novo acordo de cessar-fogo em Nagorny Karabakh, horas depois da sua entrada em vigor.

“Apesar da trégua anunciada, as forças armadas arménias violaram abertamente o novo acordo”, afirmou o Ministério da Defesa do Azerbaijão, em comunicado citado pela agência de notícias France-Presse, denunciando o fogo de artilharia inimiga e ataques ao longo da linha da frente.

Algumas horas antes, a Arménia também tinha acusado o Azerbaijão de bombardear a região, violando a “trégua humanitária” que tinha acabado de entrar em vigor em Nagorno-Karabakh.

“O inimigo disparou artilharia na direção Norte entre as 00:04 e as 02:45 [21:04 e 23:45 de sábado em Lisboa] e lançou foguetes em direção ao Sul entre as 02:20 e as 02:45 [23:20 e 23:45 de sábado em Lisboa]”, escreveu na rede social Twitter a porta-voz do Ministério da Defesa arménio, Shushan Stepanyan.

  // Lusa

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