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Após terramotos e deslizamentos, a “cidade moribunda” de Itália ainda resiste no topo de uma montanha

Chamar-se a si mesmo de “Cidade Moribunda” pode não parecer a melhor forma de atrair turistas, mas Civita, em Itália, aprendeu a viver com o facto de estar a morrer.

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Há vários séculos, a cidade italiana de Civita era muito maior e ligada por estradas a outros assentamentos. Porém, de acordo com a agência Reuters, deslizamentos de terra, terramotos, fendas e erosão reduziram o seu tamanho e deixaram-na isolada no topo de um contraforte.

“Durante três milénios, a erosão regressiva praticamente reduziu Civita a um núcleo, deixando a praça e algumas ruas ao redor”, disse Luca Costantini, geólogo de 49 anos, que faz parte do projeto para monitorizar e desacelerar a erosão.

Em cavernas subterrâneas escavadas em rocha vulcânica mole conhecida como tufo, barras de aço mantêm as paredes unidas. “O nosso lema é resiliência porque Civita foi fundada pelos etruscos, passou pela era romana e por todo o período medieval até aos dias atuais”, disse Luca Profili, presidente da câmara de Bagnoregio, da qual Civita faz parte. “Este lugar é tão frágil”.

Esta fragilidade é medida em parte por um “extensómetro”, uma haste telescópica externa que deteta movimento.

Civita que resta até hoje é principalmente do período medieval e mede cerca de 152 por 91 metros – menos de dois campos de futebol. A sua praça principal tem o tamanho de um campo de basquetebol.

Antigamente, espalhava-se numa colina e tinha cerca de três vezes o tamanho atual. Ao longo dos séculos, bairros inteiros desabaram em deslizamentos de terra. Hoje é apenas acessível através de uma rampa longa e íngreme para pedestres ou carrinhos de golfe.

O número de residentes permanentes oscila entre 10 a 14, dependendo da temporada.

Antes da pandemia, Civita atraía turistas que viajavam entre Roma e Florença.

Stefano Lucarini, de 29 anos, comprou um restaurante em Civita em março de 2020, poucos dias antes do primeiro confinamento. “O timing não foi bom”, brincou, acrescentando estar otimista de que, após a pandemia, a cidade possa recuperar. “O risco ambiental é preocupante, [mas) esperamos que todos possam desfrutar da cidade durante muitos anos”.

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Depois de resistir à morte durante tanto tempo, Itália decidiu propor, em janeiro, a cidade e a área circundante de penhascos e vales escarpados, conhecidos como “terras ermas”, como Património Mundial da UNESCO. Segundo o porta-voz do presidente da câmara, Roberto Pomi, o país espera que a organização tome uma decisão em junho de 2022.

  Maria Campos, ZAP //

 

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