“Apartheid de viagens”. Nigéria critica decisão britânica de adicionar o país à lista vermelha devido à Ómicron

O Alto Comissário nigeriano no Reino Unido ecoou as críticas de António Guterres e disse esperar uma abordagem global de resposta à nova variante Ómicron.

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O Reino Unido decidiu incluir a Nigéria na sua “lista vermelha” de países em relação às viagens. Desde esta segunda-feira que quem chegar a solo britânico oriundo do país africano tem de fazer uma quarentena de 10 dias num hotel com um custo de 2285 libras (2680 euros) e apresentar dois testes PCR negativos-

Esta decisão surgiu depois do Departamento de Saúde britânico ter reportado que 21 casos da Ómicron detectados estavam ligados a pessoas vindas da Nigéria. De momento, há 134 casos da nova variante no Reino Unido.

O Alto Comissário da Nigéria em Londres, Sarafa Tunji Isola, criticou a escolha do e concordou com o secretário-geral da ONU, António Guterres, descrevendo as medidas impostas contra os países da África austral como “apartheid de viagens“.

“A proibição de viagens é apartheid no sentido em que não estamos a lidar com uma endemia, mas sim uma pandemia. Quando temos um desafio, tem de haver colaboração. O que esperamos é uma abordagem global, não seletiva“, afirmou em entrevista à BBC.

Isola reforçou as críticas dizendo que a variante Ómicron ainda não causou hospitalizações ou mortes, sendo diferente da Delta: “A posição tem de ser baseada em provas científicas e empíricas. Não pode ser uma situação de pânico“.

Já o Ministro da Polícia britânico, Kit Malthouse, considerou os comentários do representante nigeriano como “linguagem muito infeliz”. “Percebemos as dificuldades criadas pelas restrições nas viagens, mas temos de tentar comprar algum tempo para que os nossos cientistas em Porton Down possam estudar o vírus e entender as dificuldades que vão trazer ao nosso país”, revelou ao Today.

Há agora 11 países na lista vermelha do Reino Unido, sendo todos localizados em África. As únicas pessoas autorizadas a entrar no país vindas das nações na lista são os cidadãos britânicos ou irlandeses ou residentes no Reino Unido.

Recorde-se que António Guterres já tinha comentado as proibições de viagens a países específicos para combater a Ómicron, dizendo que são “profundamente injustas” e “ineficazes“. “Temos os instrumentos para termos viagens seguras. Vamos usá-los para evitar este tipo inaceitável de apartheid de viagens”, apelou.

O diretor da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, tinha feito afirmações semelhantes, dizendo ser “profundamente preocupante” ver os países africanos a serem penalizados por fazerem a coisa certa ao alertarem sobre a nova variante e a pedir aos países para adotarem medidas proporcionais.

A OMS também já tinha avisado que as proibições nas viagens dificultavam o envio dos investigadores da África do Sul no envio de amostras do vírus para serem estudadas noutros países.

Vários líderes políticos de países africanos também criticaram as medidas. O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, disse no domingo que as proibições eram “profundamente desapontantes” e que não eram baseadas na ciência. “A única coisa que a proibição vai fazer é prejudicar as economias dos países afectados ainda mais e reduzir a sua capacidade de responder e recuperar da pandemia”, afirmou.

Já o Presidente do Malawi escreveu no Facebook que as medidas têm de ser baseadas na ciência e não da “Afrofobia“.

  Adriana Peixoto, ZAP //

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