Antiga Mina do Pejão ainda não parou de arder desde os incêndios de Outubro

Miguel A. Lopes / Lusa

Os fogos de Outubro de 2017, que consumiram cerca de 60% da área de Castelo de Paiva, no distrito de Aveiro, provocaram a combustão dos resíduos de carvão da antiga Mina do Pejão. E desde então, ainda não deixaram de arder.

A Câmara de Castelo de Paiva informou a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) sobre a combustão, desde há vários meses, de resíduos de carvão da antiga Mina do Pejão que estão a lançar gases para a atmosfera.

A situação foi provocada pelo incêndio de 15 de Outubro, que destruiu mais de 60% da área do concelho, conforme nota o presidente da Câmara de Castelo de Paiva, Gonçalo Rocha, apelando a que o problema tenha uma solução rápida.

Um antigo funcionário das minas sublinha à Lusa que a combustão provoca gases tóxicos. António Pinto, que mora na localidade de Pedorido, onde laboravam as minas que foram desactivadas em 1994, diz que a situação é “muito preocupante”, porque a combustão dos resíduos provoca gases, visíveis a olho nu, com substâncias que “podem ser nocivas para a saúde pública”, ao nível das doenças respiratórias.

O ex-trabalhador da exploração mineira reforça a preocupação com a proximidade de um lar de idosos, onde já se sentem os cheiros resultantes da combustão, defendendo, por isso, a título de prevenção, a evacuação do equipamento.

Em 1994, quando foi encerrada a mina, as entulheiras foram cobertas com aterro, por imposição da União Europeia, conta este funcionário. A combustão ocorre a nível subterrâneo, nas entulheiras, onde estão depositadas muitas toneladas de resíduos, tendo sido activada pelo incêndio de 15 de Outubro, através das raízes das árvores que foram consumidas pelas chamas.

Quanto mais tempo se demorar a extinguir a combustão, mais ela evoluirá para camadas profundas, tornando mais difícil eliminá-la, alerta este antigo funcionário das minas.

Bombeiros não conseguem extinguir combustão

O presidente da Câmara disse que a autarquia está a acompanhar a situação e que os bombeiros do concelho foram recentemente mobilizados para tentar eliminar os focos de combustão, pelos meios tradicionais, o que não conseguiram.

Técnicos da Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM), que monitoriza as áreas mineiras degradadas, deslocam-se ainda nesta sexta-feira ao local para avaliar situação.

Segundo um esclarecimento enviado à Lusa pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), a deslocação ocorre para “dissipar a hipótese da existência de impactos numa escala de âmbito local, envolvente das minas do Pejão”.

A CCDRN indica ainda que, segundo os dados sobre poluentes atmosféricos da estação de medição mais próxima das antigas minas do Pejão, situada em Paços de Ferreira, “não se verificaram em 2017 excedências aos valores limites dos poluentes nela monitorizados: partículas (PM10), dióxido de azoto (NO2) e ozono (O3)”.

O responsável da Protecção Civil distrital também já foi informado da situação e esteve no local. Questionado sobre os riscos para a saúde pública, o autarca de Castelo de Paiva nota ter indicação de que não haverá razões para preocupação, frisando que as zonas de combustão estão afastadas da população.

Mas o presidente da Junta de Pedorido, Joaquim Martins, admite alguma preocupação, apelando à Protecção Civil e ao Ministério do Ambiente para tomarem medidas.

“As pessoas andam preocupadas também por causa do cheiro intenso a enxofre que se sente”, anota.

Joaquim Martins destaca que as casas mais próximas do depósito de resíduos que suscita maior preocupação, num antigo campo de futebol da freguesia, se situam a cerca de 300 metros.

ZAP // Lusa

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4 COMENTÁRIOS

  1. Se não conseguem resolver o problema, peçam ajuda a outro país que tenha mais conhecimento sobre o assunto, para isso serve a União Europeia!

  2. Uma boa oportunidade para montarem lá uma central eléctrica a carvão, já têm a matéria em acção basta apenas a estrutura geradora.

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