Os nossos antepassados que pintavam nas cavernas podem ter-se privado de oxigénio (propositadamente)

Cave painter / Wikimedia

Arte rupestre na caverna Rouffignac, em França

Arqueólogos sugerem que os nossos antepassados escolhiam a parte mais funda das cavernas, propositadamente, para ficarem num estado alucinatório quando estavam a pintar.

Alguma da arte mais antiga da Europa encontra-se escondida em espaços estreitos de cavernas profundas, escuras e sinuosas. Para chegarem a esses locais, e para os poderem pintar, os artistas da Idade da Pedra teriam de ir até lá com tochas. Por isso, conta o site Science Alert, arqueólogos começam a suspeitar que todo aquele fumo tê-los-á induzido a um estado alterado de consciência.

O novo estudo, publicado a 31 de março na revista científica The Journal of Archaeology, Consciousness and Culture, sugere que estes nossos antepassados estavam à procura, de forma consciente, de uma experiência transformadora nestas profundezas da terra, muito antes de começarem a usar outras substâncias psicoativas.

Os investigadores consideram que, quanto mais longe do exterior (e, consequentemente, mais longe do ar puro) ficavam, maior era a “viagem” mental e artística que podiam ter.

Ao modelar o efeito das tochas no fluxo de ar de uma caverna, a equipa descobriu que quanto mais estreita é a entrada de uma caverna, mais rapidamente um humano fica sem oxigénio.

Por exemplo, numa caverna profunda com apenas uma entrada, as simulações mostraram que os níveis de oxigénio podiam cair abaixo de 18% em apenas 15 minutos, possivelmente induzindo um estado de hipóxia (diminuição da concentração de oxigénio no sangue ou nos tecidos) se as concentrações baixassem o suficiente.

Nos humanos, a privação de oxigénio pode libertar dopamina no cérebro, o que pode originais sinais de sonolência, euforia, alucinações ou as chamadas experiências fora-do-corpo. Com o uso do fogo nas tochas, este estado seria ainda mais previsível.

Em várias simulações, quando a ventilação era particularmente restrita, os cientistas descobriram que os níveis de oxigénio podiam cair para até 9%, o que é quase o ponto em que uma pessoa pode perder a consciência.

E embora isto pareça uma grande limitação, a verdade é que centenas de pinturas do Paleolítico Superior estão localizadas em profundidades muito semelhantes. Ou seja, é possível que estas pessoas estivessem a fazê-lo propositadamente.

“As imagens visualizadas em tal estado alucinatório parecem flutuar nas superfícies da caverna (paredes, pisos e tetos) como se constituíssem uma membrana que conectava os mundos superior e inferior”, explicam os autores do estudo.

“O ambiente da caverna foi concebido como um espaço liminar e uma arena ontológica, permitindo aos primeiros humanos manter a sua conexão com o cosmos“, propõem ainda.

ZAP ZAP //

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5 COMENTÁRIOS

  1. Isto é mais uma prova de como a crença no sobre natural apareceu. De ali até inventar deuses (todos eles, incluindo os atuais) foi só o intento de racionalizar o que acontecia nas mentes dos “artistas”. Tudo não passa de privação de oxigénio no nosso cérebro.

  2. Os nossos antepassados eram artistas a todo o gás! As pinturas rupestres do paleolítico, no vale do Coa, provam que não sabem nadar e que eles não precisavam de se privar de oxigénio para serem artistas mas, os aristas só não previram que, um dia, um qualquer vândalo as pudesse danificar como já aconteceu, infelizmente! Isto vem dar razão àqueles que as fizeram bem longe da vista de selvagens!

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