Altice abre porta de saída a dois mil trabalhadores

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André Kosters / Lusa

Alexandre Fonseca, CEO da Altice Portugal

O CCO da Altice Portugal anunciou o arranque, esta quinta-feira, da segunda fase do programa de rescisões voluntárias Pessoa, podendo abranger até cerca de dois mil funcionários.

Em entrevista ao Diário de Notícias, João Zúquete da Silva adiantou que a empresa vai avançar com um Plano Organizacional Integrado, ao longo de 2021, “composto essencialmente por mecanismos de caráter voluntário, que pretendem tornar a empresa mais ágil, mais eficiente e mais adaptada para fazer face a realidades cada vez mais complexas e difíceis que o contexto de mercado dita”.

“Com o país e o mundo a atravessar um dos piores contextos de que há memória, em resultado de uma pandemia ainda sem fim à vista, e com o setor das telecomunicações a ser pressionado do ponto de vista regulatório, inserido num ambiente conturbado e hostil com consequências imprevisíveis, e porque a gestão exige rigor e responsabilidade, torna-se imperativo atuar na transformação da empresa com vista à sua sustentabilidade”, afirmou o Chief Corporate Officer da Altice Portugal.

“Este plano contempla a segunda fase do Programa Pessoa, que tem os mesmos princípios que presidiram à primeira, e também um generoso programa de rescisão amigável de contrato de trabalho, ambos mecanismos de participação voluntária, que dependem da vontade e da iniciativa do colaborador. Este plano poderá englobar até cerca de dois mil colaboradores, de um total de perto de oito mil diretos e quase 20 mil indiretos”, adiantou.

Ao contrário da primeira fase do programa, que abrangia trabalhadores com idades a partir dos 50 anos, oferecendo ou suspensão de contrato ou pré-reforma, nesta segunda fase será dada a prioridade a colaboradores com idade igual ou superior a 55 anos, sendo, portanto, pré-reformas.

“Os trabalhadores que cumpram os requisitos de idade e antiguidade podem manifestar o seu interesse em aderir ao programa a partir de hoje, dado que, como é nosso apanágio, já comunicámos à organização durante a tarde de ontem”, avançou.

(dr) Altice

João Zúquete da Silva, CCO da Altice Portugal

O CCO da Altice Portugal disse estimar “uma adesão em números elevados das pessoas não só pela generosidade e justeza do programa em questão, como também pelas características intrínsecas do mesmo”.

Zúquete da Silva recordou ainda que a anterior fase teve “uma adesão substancial das pessoas”. Segundo o DN, aderiram 2.050 trabalhadores e 816 (408 homens e 408 mulheres) foram aceites, dos quais 550 para situações de pré-reforma, 232 por suspensão de contrato, 27 por rescisão por mútuo acordo e sete por situação de reforma.

Questionado sobre se é a crise provocada pela pandemia de covid-19 que força a Altice a dispensar mais trabalhadores, por via do Programa Pessoa, Zúquete da Silva diz que a responsabilidade deve ser imputada à Anacom e à Autoridade da Concorrência (AdC).

“Não é por causa da pandemia ou da procura de resultados e lucros que fazemos este movimento. Isso é algo que nós gerimos e de que temos vindo a dar provas. Fazemo-lo porque a Anacom e a AdC têm assumido uma postura de ataque permanente e de grande hostilidade, com impactos gravíssimos no nosso setor. A responsabilidade desta reorganização deve ser, por isso mesmo, imputada a estas autoridades”, disse.

O responsável destacou o “ambiente regulatório adverso, começando pelo regulador setorial – a Anacom -, que tem vindo a destruir valor ao mercado pela sua atuação cega quanto aos verdadeiros interesses do país e que culminou no projeto mais importante a seu cargo, o leilão do 5G”.

  ZAP // Lusa

2 Comments

  1. Por esta e por outras é que temos a treta de serviços atuais. Já repararam na quantidade de postes que encontramos no meio de estradas e passeios à espera que esta empresa os desloquem? Numa rua bem perto da minha porta, começaram as obras de alargamento da via, prepararam o terreno, fizeram os passeios, deitaram a primeira camada de alcatrão, deitaram a camada final, já começaram as marcações da estrada… e os putos dos postes desta entidade continuam no meio da estrada. vergonhoso. No tempo da saudosa PT eram chamados num dia e os problemas resolviam-se quase no dia seguinte.

    • É a qualidade e a eficiência do serviço privado (ainda por cima, de uma multinacional) – no tempo da PT pública isso era impensável!!

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