Alimentos essenciais podem escassear com a greve dos motoristas

Carlos Barroso / Lusa

A greve dos motoristas pode levar a que alimentos essenciais comecem a escassear ao fim de três dias. O diretor-geral da Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares alerta para um possível racionamento da comida.

Marcada para dia 12 de agosto, a greve dos motoristas pode começar a manifestar as suas consequências logo ao terceiro dia. Em declarações ao Jornal Económico, o diretor-geral da Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares (FIPA), Pedro Queiroz, admitiu haver a necessidade de racionar alimentos ao fim de três dias de greve.

“O risco de racionamento prende-se com os produtos que as pessoas procuram com mais intensidade e poderá esgotar mais rapidamente”, disse o dirigente, dando como exemplos o “pão, lácteos, alimentação para bebés, massas, arroz e conservas“.

Assim sendo, Pedro Queiroz aconselhou as pessoas a armazenar alguns destes produtos não perecíveis para o caso de começarem a escassear nos supermercados. Também os supermercados devem estar preparados para um aumento da procura destes alimentos, recorda o diretor-geral da FIPA.

Apesar disso, o principal problema será com alimentos como laticínios, frutas e legumes, que têm prazos de validade curtos e que não poderão ser reabastecidos com facilidade durante a paralisação.

A greve dos motoristas vai afetar a capacidade de abastecimento dos supermercados logo desde o primeiro dia, mas os efeitos começam a sentir-se mais a partir do terceiro. “Não passa pela cabeça de ninguém que a greve demore muito tempo, o que traria ao país uma situação caótica“, reparou Pedro Queiroz.

“Consequências irreparáveis”

O secretário-geral da UGT considera que a greve dos motoristas resultará em “consequências irreparáveis” para o país e apelou ao Governo para intervir com vista a um acordo entre sindicatos e patrões.

“Há uma coisa de que eu tenho a certeza e o país também tem a certeza: desta guerra haverá consequências irreparáveis para a economia portuguesa, mas sobretudo para os portugueses”, disse Carlos Silva aos jornalistas no final de uma audiência na Presidência da República, em Belém, Lisboa.

A greve dos motoristas de matérias perigosas e de mercadorias foi um dos temas abordados no encontro realizado em Belém a pedido da central sindical, com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse Carlos Silva.

Segundo o líder sindical, o Governo deverá intervir no conflito entre os sindicatos dos motoristas e a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), tal como já o fez anteriormente, para que as duas partes voltem às negociações e cheguem a um entendimento.

“Apelamos à ANTRAM, aos sindicatos e ao Governo para que tentem uma última via” para um acordo, sublinhou Carlos Silva.”Se é verdade que o senhor ministro [Pedro Nuno Santos] recomendou que os portugueses atestem o depósito antes do dia 12, eu acho que valeria mais a pena investir 48 horas seguidas eventualmente num processo negocial”, reforçou o líder da UGT.

“O prejuízo [da greve] é incalculável para milhões de portugueses que estão no nosso país, sobretudo para a classe emigrante que nos visita na altura do Verão”, defendeu Carlos Silva.

Porém, o secretário-geral da UGT disse estar solidário “com a luta dos trabalhadores”, defendendo que também cabe à ANTRAM e não apenas aos sindicatos travar a greve. “Para dançar o tango são precisos dois“, disse Carlos Silva.

O líder da central sindical considerou ainda “um pouco abusivo o facto de falar-se da lei da greve como uma ameaça aos sindicatos” sempre que há “litigâncias e conflitos” entre estruturas sindicais e patrões. “A lei da greve está consagrada na Constituição e devidamente regulamentada”, defendeu.

Indústria com grandes prejuízos

O presidente da Associação dos Industriais de Tomate garantiu nesta sexta-feira à Lusa que a greve dos motoristas pode provocar ao setor prejuízos diários de quatro milhões de euros e pôr em causa quatro mil postos de trabalho.

“Esta greve vai cair no pico da apanha do tomate. O tomate, em Portugal, é plantado entre abril e maio […] e apanhamos cerca de 25 milhões de quilos por dia que depois são transformados, poucas horas após a apanha. O valor dessa atividade é de cerca de quatro milhões de euros por dia”, estimou, em declarações à Lusa, Martin Stilwell.

Tendo em conta que a apanha do tomate decorre entre agosto e setembro e que este é um fruto de curta duração, os produtores estão “muito alarmados com a situação”, acrescentou o responsável.

Desta forma, apelam a que este setor seja integrado nos serviços mínimos para que seja disponibilizado “gasóleo aos agricultores e aos homens que transportam o tomate”, bem como para que “seja permitido abastecimento de combustível e gás às fábricas” que transformam este fruto.

A Associação dos Industriais de Tomate exprimiu, por escrito, estas preocupações ao executivo, estando já agendada, para a próxima semana, uma reunião com o ministro da Agricultura, Capoulas Santos.

Paralelamente, os produtores estão a tentar precaver-se, abastecendo, antecipadamente, os seus veículos, porém, alertam que, sem energia, as fábricas de transformação não vão conseguir funcionar.

Com esta greve, ficam assim em causa, “quatro mil postos de trabalho de cerca de oito fábricas, essencialmente, na região do Ribatejo”, apontou.

A paralisação dos motoristas “põe em risco o futuro da atividade em Portugal. Estamos em contacto muito próximo com os nossos agricultores que estão, igualmente, alarmados com a situação. Pode, com alguma facilidade, pôr em causa a subsistência desta atividade no país”, defendeu Martin Stilwell.

  ZAP // Lusa

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11 COMENTÁRIOS

  1. que beleza de governo! aconselham o povo a precaver-se mas não solucionam a situação!
    é de senso comum que na constituição diz que o estado tem de garantir e defender o povo mas aqui nada é feito!
    deixam que façam o pais refém! mas quando acontece com os médicos, enfermeiros etc o principio é o mesmo. deixar andar e nada fazer para resolver. a diferença é que os motoristas param o pais. quando são as outras classes só chateia quem deles precisa.
    continuem a votar nestes políticos.

  2. Onde andam os mensageiros da desgraça, e os defensores desta causa???
    Comigo iam todos para o olho da rua, traidor, não é o que foi trabalhar, mas sim o que querem ser mais papistas do que o Papa, começando pelo escritório (é que estas coisas dão-lhes muito dinheiro) de advogados…

    Haja paciência, quando foi para defender uma greve , estes ficaram em casa, mas agora querem implicar o país inteiro…

    PS: ESTA GREVE TEM A VER COM ACORDOS QUE QUEREM PARA OS ANOS DE 2020 E 2021……MAS ANTES FAZEM GREVE EM 2019!!!!!!!

  3. Ao ler o cartaz que insurge contra alguém a quem chamam de “cobarde”, seria covarde? E vendido, seria bandido? Entristece-me que a língua de Camões seja tratada, repassada, usada, utilizada.., deste modo. Se alguém entender que não deve fazer greve, e só essa pessoa sabe os motivos, será apelidado pelos que se dizem camaradas, de “cobarde e vendido. Que se entendam mas que respeitem a liberdade e o direito de dizer sim ou não.
    Tenho dito

  4. Esta greve é obviamente oportunista, absurda, e um abuso dum poder que nenhuma classe deveria ter! E é por causa de greves como esta que se impõe uma revisão urgente à lei de greve, para que greves como esta não sejam permitidas!
    Não sou contra as greves, muito antes pelo contrário! Mas sim contra as greves em que são prejudicadas milhões de pessoas, para que umas poucas centenas ou milhares possam obter uns escassos benefícios, talvez importantes para eles, mas completamente desproporcionais aos prejuízos e incómodos que provocam! E tirar partido disso é absolutamente inaceitável e imoral.
    Fazer hoje uma greve para benefícios para 2020 e 2021??? E no próximo ano, fazem uma greve para os benefícios até 2025????
    Toda a gente se esquece que o sucesso da greve semede por aquilo que se obtém, normalmente muito pouco!! E não pelos prejuízos que provocam, que são sempre demasiado elevados!!

  5. Como é possível estarmos à mercê destas pessoas? – um país para por causa destes individuos?

    Sim, o direito à greve está consagrado; não obstante, isto parece ‘chantagem’ – “ou fazem o que nós queremos ou paramos o país!.”

    O que têm os cidadãos que ver com as reinvidiações destes individuos?

    Porque tem o Estado que fazer de ‘buffer’ desta situação? Porque têm os empregadores que se submeter a isto?

    Estamos num mercado livre e concorrêncial; creio que é tempo de quem não está satisfeito procurar outro trabalho, na sequência, os empregadores encontrarem quem queira efetuar o serviço – simples regra da procuraoferta.

    Imaginando que obtêm o que querem agora, quem diz que daqui a uns meses não voltar a fazer o mesmo?

    Nenhum cidadão merece ou deveria sofrer qualque consequência de algo que é completamente alheio.

  6. Senhores motoristas e Sindicato
    Veja se pensam no que fazem!
    Caso contrário proponho que se ponha ordem neste bando de —
    Nem trabalham nem deixam os outros trabalhar. Ficam satisfeitos com a desgraça!!!
    Não se esqueçam que o país não aguenta tudo!

  7. uma classe profissional que que se deixa manobrar por um oportunista cobarde que está a contas com a justiça, um reles bandido, não merece o que reclama pelas mostras que dá de falta de inteligência e muita baixeza de carácter.

  8. Que sorte!…
    Ninguém vê o lado positivo – fala-se tanto em obesidade e, esta greve até pode contribuir para ajudar a diminuir esse problema!…
    Uma dietasinha só faz bem…
    De qualquer modo, estou 100% de acordo com a greve; ainda devia ser por mais tempo!…

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