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Afinal, humanos não foram responsáveis pela diversidade de pelo dos cães

Um novo estudo mostra que os principais tipos de pelo que vemos nos cães já existem desde que estes animais foram domesticados pelos humanos.

De acordo com o site Science Alert, até agora, pensava-se que a nossa espécie era a principal responsável pela enorme diversidade de pelo dos cães. Mas um estudo recente sugere que, afinal, podemos ter-nos dado demasiados créditos.

“Parte dessa variação na pelagem destes animais aconteceu muito antes de os ‘cães’ serem cães”, explica, em comunicado, a geneticista Danika Bannasch, da Universidade da Califórnia, em Davis.

Quando a equipa de investigadores analisou o ADN antigo dos primeiros cães da Eurásia, com quase cinco mil anos, encontrou evidências de várias aparências de pelagem, impulsionadas por dois reguladores-chave do gene ASIP (proteína sinalizadora de cutia).

O ASIP é conhecido por determinar a cor do pelo de um cão, controlando a expressão da pigmentação amarela (que pode parecer bronzeada ou branca). Quando combinados de maneiras diferentes, certos moduladores deste gene parecem produzir cinco padrões de cores distintos, como se pode ver na imagem seguinte.

Ao comparar os genomas dos cães modernos com os dos lobos modernos, os cientistas descobriram que os genes dos cães agouti (AG) se expressaram de forma semelhante nos dois grupos, o que indicava um parente em comum com os pigmentos pretos e brancos.

Para descobrir quem era, a equipa andou ainda mais para trás no tempo. Ao comparar os genomas de cães e lobos antigos, datados entre quatro mil e 35 mil anos, mais uma vez encontraram colorações semelhantes.

Na verdade, havia uma espécie em particular, de há quase 10 mil anos – o cão da ilha Zhokhov, na Sibéria – que já exibia o padrão BB, tornando-o bastante distinto do seu ambiente ártico.

Segundo o mesmo site, isto sugere que os moduladores do gene ASIP já estavam a trabalhar nas fases iniciais da domesticação dos cães, que terá ocorrido entre há 14 mil e 30 mil anos.

Hoje em dia, os lobos-do-Ártico, que parecem mais brancos, expressam sobretudo pigmentos amarelos no pelo, enquanto os lobos expressam mais pigmentos pretos. Os cães podem mostrar um pouco de ambos, sugerindo uma troca de informação genética do ancestral comum dos lobos brancos e cinzentos.

De facto, neste estudo, publicado a 12 de agosto na revista Nature Ecology & Evolution, os haplótipos amarelos dominantes dos cães eram quase idênticos aos lobos-do-Ártico, o que sugere que trocaram informações genéticas há muito, muito tempo.

Quando a equipa tentou criar uma árvore evolucionária (ou filogenética) com as suas novas descobertas, descobriu que o último ancestral comum entre os lobos-do-Ártico e os cães provavelmente remonta há pelo menos dois milhões de anos.

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  ZAP //

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