Afinal, a Via Láctea não é um disco plano e estável

Chao Liu/National Astronomical Observatories, Chinese Academy of Sciences

Afinal, o disco estelar da nossa galáxia é tudo menos estável e plano. Pelo contrário: torna-se cada vez mais “deformado” e desviado do coração da Via Láctea. Esta é a conclusão dos astrónomos dos Observatórios Astronómicos Nacionais da Academia Chinesa de Ciências (NAOC).  

A uma grande distância, a galáxia pareceria um disco fino de estrelas que orbitam uma vez a cada poucas centenas de milhões de anos em torno da sua região central, onde centenas de milhares de milhões de estrelas, juntamente com uma grande massa de matéria escura, fornecem a “cola gravitacional” para manter toda a matéria junta – formando o disco.

Contudo, a força da gravidade enfraquece-se nas regiões internas da Via Láctea. No distante disco externo da galáxia, os átomos de hidrogénio que compõem a maior parte do disco de gás da Via Láctea já não estão confinados a um plano fino, dando antes ao disco uma forma em S distorcida.

“É notoriamente difícil determinar as distâncias do Sol a partes do disco de gás externo da Via Láctea sem ter uma ideia clara de como este disco se parece”, explicou o investigador do NAOC, Chen Xiaodian, autor principal do artigo esta semana publicado na revista especializada Nature Astronomy.

Cefeidas, as estrelas variáveis

“No entanto, publicamos recentemente um novo catálogo de estrelas variáveis de comportamento correto conhecido como cefeidas clássicas, para as quais é possível determinar as distâncias precisas de 3 a 5 por cento”, acrescentou. E foi a partir deste banco de dados que a equipa conseguiu desenvolver a primeira imagem tridimensional precisa da Vida Láctea nas suas regiões mais remotas.

As cefeidas clássicas são estrelas jovens quatro a 20 vezes mais massivas do que o Sol e até 100.000 vezes mais brilhantes do que o nosso astro. Estas altas massas estelares indicam que cefeidas clássicas vivem velozes e morrem jovens, queimando o seu combustível nuclear muito rapidamente, às vezes em alguns milhões de anos. Estas estrelas mostram pulsações de um dia para o outro, que são observadas como mudanças no seu brilho. Combinando com o brilho observado de uma Cefeida, o período de pulsação pode ser utilizado para obter uma distância altamente confiável.

“Para nossa surpresa, descobrimos que através do modelo 3D que a nossa coleção de 1.339 estrelas cefeidas e o disco de gás da Via Láctea são observados de perto”, explicou o professor e co-autor do estudo Richard de Grijs, da Macquarie University, na Austrália.

“Talvez mais importante, nas regiões externas da Via Láctea, descobrimos que o disco estelar do tipo S é deformado num padrão espiral progressivamente torcido “.

“Esta nova morfologia fornece um mapa atualizado e crucial para estudos dos movimentos estelares da nossa galáxia e as origens do disco da Via Láctea”, rematou Deng Licai, investigador do NAOC e co-autor do artigo agora publicado.

ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. “centenas de mil milhões de estrelas”

    A expressão correcta seria “centenas de milhares de milhões de estrelas”.

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