Afinal, um terço dos asmáticos pode não sofrer de asma

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Um terço das pessoas diagnosticadas com asma pode, na verdade, não sofrer desta doença. A conclusão é de um estudo científico feito no Canadá que menciona possíveis diagnósticos errados ou o desaparecimento da condição.

A pesquisa feita com mais de 700 adultos, que foram diagnosticados com asma nos últimos cinco anos, concluiu que 33% deles não padecia da doença respiratória e que destes, 9 em 10 podiam ficar completamente sem a medicação.

O estudo publicado no Journal of the American Association constatou que a maioria destes participantes tinha simplesmente, alergias ou azia, enquanto 28% não tinha qualquer problema.

“É impossível dizer quantos destes pacientes foram, originalmente, mal diagnosticados com asma e quantos tiveram asma que já não está activa. O que sabemos é que todos podiam terminar a medicação de que não precisavam – medicação esta que é cara e pode ter efeitos secundários”, salienta o investigador que liderou o estudo, Shawn Aaron, médico do Hospital de Ottawa, no Canadá, e professor na Universidade da mesma cidade, em declarações citadas pelo jornal The Telegraph.

Outro estudo semelhante levado a cabo na Holanda, no ano passado, tinha concluído que mais de metade das crianças são mal diagnosticadas com asma, conforme lembra o jornal britânico.

E no caso das crianças, estes diagnósticos errados podem ter consequências sérias, nomeadamente porque os asmáticos tendem a fugir do exercício físico, o que acarreta problemas vários, inclusive de peso.

Um estudo feito em 2015, concluiu que os remédios para a asma podem prejudicar o crescimento das crianças.

Esta nova pesquisa canadiana evidencia assim, a preocupação com o sobre-diagnóstico de casos, até porque o tratamento para a asma acarreta efeitos secundários como cãibras musculares, infecções na garganta, tremores, vómitos e náuseas.

Um milhão de asmáticos em Portugal

Em Portugal, há cerca de um milhão de asmáticos, segundo o relatório de 2016 do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR) que define a condição como “um relevante problema de saúde“.

Na análise da ONDR, há um eventual “sub-diagnóstico” de casos e “todos os indicadores apontam no sentido do peso [da asma] tender a aumentar“.

O Observatório sublinha também que “Portugal é o país da Europa com mais baixa taxa de internamentos por asma”, o que evidencia a boa resposta do sistema nacional de saúde para estes casos.

  SV, ZAP //

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