Afinal, a Peste Justiniana não terá sido tão mortífera como contam os livros de História

quadro de Pieter Brughel des Älteren / Wikimedia

A Praga Justiniana, a primeira pandemia conhecida de peste na Europa, dizimou a civilização mediterrânea, basicamente romana, entre 541 e 750, segundo contam os livros de História.

No entanto, um grupo de investigadores norte-americanos pôs em causa a hipótese de os vários surtos da doença terem sido tão devastadores, uma vez que não conseguiram encontrar evidências de que os seus efeitos tenham sido tão graves.

Para chegar a essa conclusão, os especialistas estudaram as menções da epidemia em crónicas, inscrições e papiros da época, além de moedas que estavam em circulação, registos de valas comuns e até amostras de pólen, de acordo com o estudo publicado em outubro na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

“Se essa praga foi um momento chave na história da Humanidade, que matou entre um terço e metade da população do mundo mediterrâneo em alguns anos, como costuma ser reivindicado, deveríamos ter evidências, mas o nosso estudo dos dados não encontrou nenhum”, disse Lee Mordechai, do Centro Nacional de Síntese Socioambiental da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, em comunicado.

A equipa liderada por Mordechai estudou a extensão da praga e não encontrou “os efeitos concretos que poderiam ser conclusivamente atribuídos a uma pandemia”. Para os investigadores, é um mero exagero que se espalhou pelos séculos sem qualquer fundamento.

Os autores classificam de “maximalistas” as estimativas que colocam as perdas demográficas causadas pela praga entre um terço e 50% da população total do Império Bizantino, reduzindo esse índice para apenas 0,1%.

As dezenas de milhões de mortes geralmente encontradas nos livros de História são estimativas de mortalidade “completamente especulativas”. As contribuições arqueológicas revelam continuidade, e não mudanças bruscas, uma vez que “não há diferença óbvia” na proporção entre valas comuns e enterros individuais antes e depois de cada surto local.

Uma dos co-autoras da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, Merle Eisenberg, acrescenta que o estudo “reescreve a história de uma perspetiva ambiental”, uma vez que os resultados descartam “que a praga tenha sido responsável por mudar o mundo”.

Estudos anteriores concentraram-se “nas histórias escritas mais sugestivas, aplicando-as a outros lugares do mundo mediterrâneo e ignorando centenas de textos contemporâneos que não mencionam a praga”.

Segundo os investigadores, algumas regiões terão tido uma mortalidade mais alta em determinados momentos, como Constantinopla – a capital – durante o primeiro surto, mas, segundo os investigadores, essa tendência não pode ser generalizada.

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