Afinal, não há provas fortes de que o fio dentário seja essencial

Ao fim de quase 40 anos, o governo norte-americano acaba de retirar das suas recomendações sobre dieta e hábitos saudáveis a regra de passar fio dentário diariamente, afirmando que as provas científicas que serviam de base para a recomendação não foram consideradas satisfatórias.

O governo federal dos EUA atualiza a cada cinco anos uma série de recomendações sobre dieta e hábitos saudáveis que baseadas em evidências científicas. Usar fio dental diariamente fazia parte dessa lista desde 1979, para prevenir doenças da gengiva e cáries.

No entanto, na atualização das recomendações de 2016, a Associated Press notou o discreto desaparecimento da indicação de passar fio dental.

Contactado pela AP, a equipa dos Departments of Agriculture and Health and Human Services respondeu que os estudos apresentados como base para a recomendação não foram considerados satisfatórios, com métodos desatualizados ou testados em poucos indivíduos.

Alguns deles, por exemplo, duraram apenas duas semanas, tempo insuficiente para observar consequências pela falta do uso do fio dental.

Ainda não é possível afirmar que usar fio dental é inútil, já que se trata de um problema dos estudos em causa, e não no hábito de usar fio em si.

Contudo, a veradade é que os próprios fabricantes de fio dental – que patrocinam várias dessas pesquisas – não conseguem apresentar resultados satisfatórios sobre este assunto.

Nada que prove o contrário

Por outro lado, facto é que também não existem estudos que mostrem que o hábito seja prejudicial à saúde, desde que realizado corretamente.

Segundo Wayne Aldredge, presidente da Academia Americana de Periodontologia, a maneira correta de passar o fio dental é com suavidade, com movimentos para cima e para baixo rente ao dente, e não o movimento de “serra”, para frente e para trás.

É provável que pesquisas com melhores métodos sejam realizadas nos próximos anos para tapar este buraco, e podem mesmo estar concluídas a tempo de que a recomendação regresse para a próxima lista do governo dos Estados Unidos, daqui a cinco anos.

Aldredge admite esta falha na evidência científica e na curta duração de vários estudos.

Mesmo assim, pede aos seus pacientes que usem fio dental para ajudar a evitar doenças da gengiva. “É como construir uma casa e não pintar dois lados dela. Esses dois lados vão acabar por apodrecer mais rápido”, afirma.

Um dos dentistas dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA admitiu que retirar a recomendação pode ter sido apropriado, até que pesquisas mais rigorosas sejam feitas. Até lá, recomenda que as pessoas continuem a usar o fio dental.

“É pouco risco por pouco custo. Sabemos que há possibilidades de que funcione, por isso aconselhamos com confiança às pessoas que continuem a fazê-lo”, refere.

HypeScience

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