ADN desmente famosa teoria sobre braço direito de Hitler

OPA / Wikimedia

Os arquitectos da purga nazi: Hitler, Göring, Goebbels, e Hess. Faltam Himmler e Heydrich.

Foram precisos 70 anos para desmentir a teoria da conspiração “doppelganger” que defende que não foi Rudolf Hess, militar do regime nazi e braço-direito de Hitler, quem esteve preso, mas um duplo seu. Uma prova de ADN confirma agora que era mesmo Hess.

Uma equipa de investigadores conseguiu refutar a tese de que foi um duplo de Hess quem esteve detido na prisão de Spandau em Berlim, na Alemanha.

A teoria da conspiração que durou 70 anos foi, finalmente, desfeita, graças a uma amostra de sangue retirada ao famoso preso que ficou conhecido como ‘Spandau #7’. Os cientistas compararam essa amostra com a de um familiar vivo de Hess e concluíram que o preso era mesmo o homem forte do regime Nazi.

Hess foi julgado e condenado a prisão perpétua em 1946, depois de ter sido detido no Reino Unido, para onde tinha viajado numa tentativa para conseguir assinar um acordo de paz.

O militar nazi chegou a Spandau em 1947, onde permaneceu até ao seu suposto suicídio em 1987. Foi, durante mais de 20 anos, o único preso da cadeia.

Logo aquando da detenção em Spandau surgiram rumores de que teria sido substituído por um duplo. Até o então presidente dos EUA, Franklin Roosevelt, acreditava nesta teoria e o Governo britânico ordenou quatro investigações, na tentativa de desfazer as dúvidas.

Os restos mortais de Hess foram incinerados, em 2011, pelo Governo alemão numa decisão motivada pelo facto de a sua campa, na cidade de Wunsiedel, se ter tornado um local de peregrinação para neo-nazis. As cinzas foram espalhadas no mar e a sepultura destruída.

Assim, sem quaisquer vestígios do corpo de Hess, para tirar a prova dos nove valeu a amostra de sangue retirada ao preso ‘Spandau #7’ em 1982, pelo médico do Exército dos EUA Phillip Pittman, durante um exame de rotina, como reporta a New Scientist.

Um patologista analisou a amostra ao microscópio para contagem de células e selou-a “hermeticamente”, o que permitiu conservá-la em bom estado para a extracção de ADN que foi feita 70 anos mais tarde.

O médico militar norte-americano Sherman McCall, entretanto reformado, teve conhecimento da existência da amostra nos anos de 1990 e percebeu que podia ser uma pista importante para descobrir a verdade sobre Hess. Entrou em contacto com o biólogo molecular Jan Cemper-Kiesslich da Universidade de Salzburgo, na Áustria, que conseguiu extrair ADN do sangue seco.

Mais difícil foi chegar a um familiar vivo de Hess para fazer a comparação de ADN. “A família é muito privada” e “o nome é também muito comum na Alemanha”, explica McCall à New Scientist.

Mas, finalmente, conseguiram detectar um familiar de Hess disposto a ceder uma amostra de ADN. A análise forense efectuada concentrou-se no cromossoma Y que é herdado da linhagem masculina, como explicam os autores da investigação no artigo publicado no jornal Forensic Science International Genetics.

As conclusões apontam que há mais de 99,99% de probabilidades de a amostra de sangue de ‘Spandau #7’ pertencer a um familiar próximo do parente vivo de Hess. Este resultado “apoia fortemente a hipótese” de que “o prisioneiro ‘Spandau #7’ era, de facto, Rudolf Hess”, destaca Jan Cemper-Kiesslich.

ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. FDR faleceu em 12 de Abril de 1945.

    Rudolf Hess foi feito prisioneiro em 1941, tendo entrado em Spandau já depois do Julgamento de Nuremberga, portanto, após a morte de FDR.

    No vosso texto dizem que FDR acreditava na substituição desde que Hess entrou em Spandau. Ou queriam dizer desde que capturado na Escócia ou estão a adulterar a História.

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