Adicionar algas à alimentação do gado reduz até 70% a emissão de metano

Dirk Ingo Franke / Wikimedia

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Um estudo realizado por cientistas australianos revela que a adição de algas secas a 2% da alimentação de ovinos e bovinos, pode provocar uma redução das emissões de metano desses animais em mais de 70%.

O gado é responsável por 44% de todo o metano causado pelo homem, um gás que tem 36 vezes mais potencial de aquecimento global do que o CO2.

As vacas, ovelhas, e outros animais ruminantes têm no estômago uma bactéria que faz com que arrotem metano, e alguns estudos indicam que cada animal expele uma média de 500 litros deste gás para a atmosfera por ano.

Para combater este problema, os cientistas têm tentado descobrir como “suavizar” a digestão destes animais.

No final de 2015, uma equipa de investigadores australianos descobriu, em laboratório, que um tipo particular de alga, chamada Asparagopsis taxiformis, reduz a produção de metano em 99%.

A experiência ainda não tinha sido realizada em animais, e os cientistas da Universidade James Cook em Queensland, Austrália, decidiram testar exatamente isso.

De acordo com o novo estudo, a adição de 2% de algas na dieta das ovelhas levou a uma redução de 50 a 70% da emissão de metano durante 72 dias.

“Tivemos um pressentimento de que teríamos algum sucesso, mas a escala de redução de metano que vimos foi surpreendente”, afirmou o investigador Rocky De Nys, citado pela ABC.

Segundo os especialistas, este tipo de alga marinha é tão eficaz porque produz um composto chamado bromofórmio (CHBr3), que bloqueia a produção de metano ao reagir com a vitamina B12.

Rob Kinley

Asparagopsis taxiformis

Asparagopsis taxiformis

No entanto, apesar de cada animal não precisar de grandes quantidades de algas na alimentação, os investigadores alertam para a elevada quantidade de gado nos países – algo que dificulta a resolução do problema.

Entre os países com mais gado bovino está o Brasil (189 milhões), a Índia (187 milhões) e a China (110 milhões) – em Portugal existe um milhão e meio de cabeças de gado.

Os cientistas australianos afirmam que a colheita de algas marinhas não é suficiente porque os custos são demasiado elevados, e pretendem obter um parceiro que consiga produzir as algas necessárias.

“Esta é a barreira número um, ter algas suficientes para alimentar milhões de vacas”, destacou o cientista Rob Kinley.

Os animais ruminantes são mais prejudiciais para o planeta do que aparentam, e tendo em conta o nível elevado de gases na atmosfera, esta pode ser a nossa salvação.

BZR, ZAP

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3 COMENTÁRIOS

  1. Poderá ser a nossa salvaçao??? Por amor de deus, tenham juízo. Já não temos salvação e se a tivéssemos passaria por toda a humanidade deixar de comer produtos animais no espaço de um ano, caso contrário vamos continuar a esgotar os solos, a água e a energia necessária para manter o nível de produção ridículo e desumano de animais que temos hoje em dia. Até parece que o único problema ambiental causado pela produção animal são os arrotos das vacas. Tenham juízo. Não temos salvação e a prova disso mesmo são comentários infelizes como esse. Informem-se e evitem desinformar os restantes.

    • Exma. Sra.
      Joana Azevedo
      Se já não temos salvação não sei o que a preocupa!…
      Gostaria contudo, já que acusa os outros de desinformação, que me esclarecesse como concluiu que se toda a humanidade deixasse de comer produtos animais durante um ano estaríamos salvos…. Desejo que tenha sempre a “barriga cheia” para poder ter toda a liberdade e leviandade que exibe no seu comentário. Os melhores cumps.

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