Mais acidentes, afogamentos e suicídios num mundo mais quente

As temperaturas mais elevadas vão provocar mais acidentes rodoviários, afogamentos, agressões e suicídios, revelou uma nova investigação.

Até ao momento, a grande parte das pesquisas em torno das alterações climáticas centrou-se nas mortes por doenças transmitidas por insetos, doenças cardíacas e respiratórias e ainda por efeitos diretos do calor no corpo humano.

Desta vez, a equipa analisou 38 anos de dados do Governo norte-americano sobre condições climáticas e mortes por ferimentos nos Estados Unidos – excluindo o Alasca e o Havai. Os investigadores calcularam a temperatura média em cada mês do ano e para cada estado, de 1980 a 2017, e identificaram os meses em que a temperatura era mais elevada do que a média num determinado estado. Depois, compararam a taxa de mortalidade por lesões durante esses meses com a taxa básica de morte por lesões.

Segundo a Anthropocene Magazine, esta análise permitiu aos investigadores calcular se a taxa mortalidade por lesões alterava se as temperaturas médias, em todos os estados norte-americanos, aumentassem em torno de 1,5ºC e 2ºC – os parâmetros estabelecidos pelo Acordo de Paris.

De acordo com as conclusões, o aumento de 1,5ºC na temperatura pode resultar em 1.603 mortes adicionais a cada ano, nos Estados Unidos. Se a temperatura aumentasse 2ºC, o número de mortes em excesso seria de 2.135 – um número que representa 1% de todas as mortes por lesões em 2017.

A equipa analisou dados sobre ferimentos causados ​​por acidentes rodoviários, quedas, afogamentos, agressões e suicídios – que juntos representam cerca de três quartos das mortes por ferimentos nos Estados Unidos -, e descobriram que o maior número de mortes em excesso é causado por acidentes rodoviários, seguidos por suicídio.

“Do excesso de mortes, 84% ocorreriam em homens e 16% em mulheres”, escreveram os autores do estudo, publicado recentemente na Nature Medicine. “De todas as mortes por excesso de homens, 92% ocorreriam entre os 15 e os 64 anos, com taxas mais altas de mortes por transporte e suicídio.”

Estes aumentos seriam compensados com um declínio nas mortes por quedas em pessoas idosas durante os meses de inverno.

No fundo, os afogamentos aumentam nestes meses mais quentes porque as pessoas vão nadar; as mortes por acidentes rodoviários acontecem porque as temperaturas altas tendem a gerar um maior tráfego rodoviário e um aumento no consumo de álcool; e o aumento do suicídio é explicado pelo aumento do sofrimento emocional entre os jovens, associado a altas temperaturas.

Ainda assim, serão necessárias mais pesquisas para confirmar estas relações. Os autores defendem que pesquisas futuras deverão analisar de que forma as infraestruturas e as disparidades socioeconómicos e raciais afetam o risco de mortes por lesões num clima excecionalmente quente.

“Estes novos resultados mostram o quanto as mudanças climáticas podem afetar os jovens”, disse o líder da investigação, Majid Ezzati, do Imperial College London, em comunicado. “Precisamos de responder a esta ameaça com melhor preparação em termos de serviços de emergência, suporte social e avisos de saúde.”.

ZAP //

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