Em 10 dias choveram 2 marços. Acabou a seca

honzasoukup / Flickr

Paisagem no Alqueva

A chuva deste mês repôs os níveis das barragens no Alentejo e evitou uma “catástrofe” na agricultura, devido à seca, mas esta água deve ser “usada eficientemente”, alertou um responsável da Agência Portuguesa do Ambiente.

Depois de um mês de janeiro seco, quente e com precipitação abaixo do normal, em fevereiro mais de metade do território nacional encontrava-se em situação de seca severa. O fenómeno agravou-se em fevereiro, 11º mês consecutivo com valores inferiores ao normal de precipitação mensal.

Mas o cenário inverteu-se radicalmente em março. Os elevados níveis de precipitação que se mantiveram durante todo o mês permitiram repor níveis das barragens e evitaram uma “catástrofe” no Alentejo.

“Foi uma bênção que caiu do céu” e, “neste momento, as disponibilidades hídricas são maiores para a agricultura, mas não são ilimitadas”, disse à agência Lusa André Matoso, director da Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Alentejo, da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

Com a seca, continuou, o abastecimento humano, considerado prioritário, não estava em risco, mas, se a região tivesse “continuado naquele cenário” que estava a ter “até final de Fevereiro, certamente haveria zonas em que não se poderia regar“.

As “grandes povoações”, afirmou, “não iriam ficar sem água para abastecimento”, mas a agricultura e o abeberamento de gado iriam sofrer “uma repercussão muito grande”.

“Essa catástrofe para a qual estávamos a caminhar, felizmente, está completamente ultrapassada. Esta água está reservada, está armazenada e, agora, é saber geri-la e usá-la com parcimónia”, continuando “a regar como se houvesse pouca para que ela dure mais tempo”, frisou.

Chuva evitou catástrofe no Alentejo

André Matoso explicou à Lusa que a queda de precipitação verificada desde o dia 28 de Fevereiro e ao longo deste mês não foi “normal” no Alentejo e teve um efeito “particularmente importante” para a região, que está “em seca desde 2015”.

“Em 10 dias deste mês, choveram dois meses de Março seguidos na região”, ou seja, “choveu o dobro do que chove num mês de Março normal”, indicou, acrescentando, também como exemplo, que na zona de Portalegre, no dia 28 de Fevereiro, quando começou a mudança climática, “choveu mais do que em todo o mês de Janeiro”.

Este Março “húmido” e com “precipitação muito abundante”, destacou, foi “muito importante para tudo“, não só “para o abastecimento humano, regadio, abeberamento do gado e fauna cinegética”, mas também “do ponto de vista ecológico, das linhas de água, da vegetação e dos ecossistemas ribeirinhos”.

As albufeiras alentejanas tiveram, obviamente, uma evolução “muito favorável”, assinalou o responsável regional da APA, aludindo à Barragem do Monte Novo (Évora), cujo nível “nem chegava aos 30% no fim de Fevereiro e que atingiu o máximo da sua capacidade, a 10 de Março”, encontrando-se, desde essa data, “a descarregar”.

A albufeira do Monte da Rocha, em Ourique (Beja), que “era a situação mais gravosa”, com 8% de água em Fevereiro, está, esta semana, “com 26,4%”, um nível também superior ao do ano passado, na mesma altura, quando atingia os 20%, disse.

Outra das barragens da região mais afectadas pela seca, a da Vigia, em Redondo (Évora), acrescentou, estava a 15% da sua capacidade, em Fevereiro, e tem hoje “quase 43% de armazenamento”, o que é igualmente superior ao mês homólogo de 2017 (35,7%).

O Alqueva também ganhou muita água“, atingindo quase os 80%, e “o mesmo aconteceu com as albufeiras de Pego do Altar e Vale do Gaio”, no concelho de Alcácer do Sal (Setúbal), que “já estão com mais de 50% das suas reservas hídricas”, indicou André Matoso.

Ainda assim, o director da ARH insistiu nos alertas. “Pelo facto de as albufeiras e os aquíferos estarem a evoluir favoravelmente, não podemos esquecer o passado recente. Agora que a água cá está, temos de a preservar“.

ZAP // Lusa

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6 COMENTÁRIOS

  1. Felizmente para todos nós que assim aconteceu mas por outro lado vamos ter uma vez mais a desvantagem de que a classe política vai esquecer por completo a gravidade da situação a qual só será recordada numa próxima seca que certamente estará para breve e assim sendo as soluções de fundo tais como desassorear rios, construção de novas barragens e canais de rios que actualmente estão a debitar milhões de litros de água para o oceano que deveriam ser encaminhados sobretudo para barragens a sul.

  2. Toda a gente sabe o que é a mer** da classe política em Portugal. Aliás, Portugal ainda não era Portugal e já era mal governado, com gamanço a torto e a direito, bastando ler “Saraivadas da História de Portugal”, do falecido padre José Hermano Saraiva, de boa memória (que Deus o haja). Andaram a ganir até meados do mês de Março contra a seca e aumentaram a água mais de mil por cento a favor de empresas privadas e, quando começou a chover, em vez de apararem e guardarem a água deixaram-na ir para o mar. Os grandes cabr** que por aqui têm governado e que já privatizaram tudo quanto de importante e útil existe em Pretugal nem olhando para o que faz o grandioso e não menos sagaz reino de Espanha aprendem. Estes, começando na barragem de Cedillo, na fronteira portuguesa, têm ao longo do rio Tejo (Tajo para eles) um enorme conjunto de barragens e açudes que retêm permanentemente a água para utilizar quando é preciso, enquanto o governo português tem no que outrora foi o fiel, aurífero e lindo troço do tejo em portugal as celulósicas privadas que enchem de mer** e matam tudo o que tenta viver no último terço da extensão do rio. Razões suficientes são estas para apelar daqui ao povo que pegue em sacholas, foices, gadanhas, picaretas, marretas, martelos, máquinas de sulfatar e tudo o mais que considere oportuno para fazer no cume da serra mais alta de Portugal uma enorme barragem, que armazene a água de cem mil “tejos” e daí distribuí-la a custo zero por todo o país a custo zero. Afugentam o turismo? – Deixem lá pois o turismo é a pior praga dos eco-sistemas. Que o digam os pastores do Gerês, dos Hermínios, de Montezinho, da Malcata, de S. Mamede, etc.

  3. Acabou a seca? As barragens têm agua mas os lençois freáticos estão quase sem água. Muitos furos estão secos. Não são 10 dias acima da média que acabam com 5 anos abaixo da média…

  4. compartilho a ideia de Vasco e Portugal….
    so neste pais entao nao sabiam ja que a seca ia acontecer ? Em vez de segurar a agua quando ela cai deixam na ir para o mar…. Os cientistas e a evoluçao das alteraçoes climaticas nao deram os sinais necessarios para os responsaveis deste pais porem as barbas de molho…sem aguia nao há economia meus amigos, querem crescer economicamente como sem água….? e quando vier a epoca dos incendios e os meios de combate aos fogos as despejarem…..simporque no verao a coisa tem de arder senao os avioes e Helicopteros nao trabalham….ou ate da jeito nao haver agua para aumentar o preço, naminha zona a faturaçao das empresas de aguas desceu nos ultimos meses…..chover é mau para vo negocio…….

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