Abrandar medidas prematuramente pode gerar segunda vaga da pandemia

Enric Fontcuberta / EPA

Um estudo científico chinês hoje divulgado alerta que o levantamento prematuro das medidas de restrição implementadas pelos governos de todo o mundo no combate à covid-19 pode gerar uma segunda vaga da pandemia.

O trabalho, conduzido por investigadores da Universidade de Hong Kong, na China, e publicado na revista Lancet, revela que um levantamento prematuro das medidas restritivas impostas pela China no combate à disseminação da covid-19 provavelmente levará a uma transmissibilidade superior e terá como resultado uma segunda onda de infeção.

Depois de revelar que a mortalidade na província de Hubei foi substancialmente mais alta do que no resto da China durante a primeira onda da epidemia de covid-19, os investigadores avisam que, dado o risco substancial de o vírus ser reintroduzido no exterior com o aumento da atividade económica, é necessária a monitorização em tempo real da transmissibilidade e severidade da pandemia para impedir uma possível segunda onda de infeção.

Os especialistas chineses consideram que esta descoberta pode ser crucial para países de todo o mundo que estão ainda numa fase inicial de restrição das medidas de circulação, pois reforçam a necessidade de não haver um “relaxamento” na sua aplicação.

“Embora as medidas de controlo pareçam reduzir o número de infeções a níveis muito baixos, sem imunidade coletiva contra a covid-19, os casos podem ressurgir facilmente à medida que as empresas e as escolas retomem gradualmente a sua atividade”, diz o professor Joseph Wu, da Universidade de Hong Kong, que coliderou a pesquisa.

Este especialista aconselha por isso que sejam mantidas políticas de controlo que envolvam o distanciamento físico e mudanças de comportamento.

“É necessário encontrar um equilíbrio proativo entre o retomar das atividades económicas e a necessidade de manter o número reprodutivo baixo. Essa é provavelmente a melhor estratégia até que vacinas eficazes se tornem amplamente acessíveis”, explica Joseph Wu.

Este estudo chinês revela ainda que na província de Hubei, onde o surto teve o seu início, a taxa de letalidade foi quase seis vezes maior do que em regiões fora desta província, e que essa variação teve por base o desenvolvimento económico e disponibilidade de recursos das respetivas regiões, nomeadamente o acesso a recursos de assistência médica.

Ainda assim, um dos autores desta investigação sublinha que mesmo as regiões mais ricas têm limites na capacidade de assistência.

“Mesmo nas megacidades mais prósperas e com mais recursos, como Pequim e Xangai, os recursos de saúde são limitados e os serviços sofrerão com um aumento repentino na procura”, diz Gabriel Leung, da Universidade de Hong Kong, que adianta que um novo crescimento dos números de infetados após o alívio de medidas de contenção social poderá obrigar a um esforço redobrado dessas medidas para regressar aos valores originais, com perdas ainda maiores do que as já sentidas para a atividade económica.

Lusa // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. Claro que é um risco, mas não há alternativa!
    Infelizmente é impossível continuar por muito mais tempo com estas medidas.

    O problema é o mesmo desde o inicio quando fechámos tudo, com uma agravante, um maior numero de infectados ou seja, maior risco de contágio.
    Também é verdade que hoje temos um maior conhecimento das medidas que devemos tomar para evitar o contágio.

    Aulas para o 11º e 12º, na minha opinião esta medida está correcta, alunos com uma idade que lhes permite seguir as medidas de segurança, minimizando os riscos de segurança, já com os mais pequenos o risco de contágio é maior.

    Teremos que começar a abrir de alguma forma, ou então esperar até ao aparecimento da vacina, mais 1 Ano no mínimo.

    Mais importante do que vai abrir primeiro, será como vamos abrir, as medidas de segurança que têm que ser tomadas para abrir.

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