Um abraço apertado entre pulsares provou (de novo) que Einstein está certo

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Michael Kramer / MPIfR

Impressão artística do sistema duplo, onde dois pulsares ativos se orbitam um ao outro em apenas 147 minutos.

Impressão artística do sistema duplo, onde dois pulsares ativos se orbitam um ao outro em apenas 147 minutos.

Observações de dois pulsares a orbitarem-se um ao outro provou dois princípios da teoria da relatividade geral de Albert Einstein.

A teoria da relatividade geral é a compreensão do físico Albert Einstein de como a gravidade afeta a estrutura do espaço-tempo. Em particular, a “curvatura do espaço-tempo” está diretamente relacionada à energia e ao momento de qualquer matéria e radiação presente.

Depois de 16 anos a observar um par de pulsares — estrelas de neutrões altamente compactas que emitem feixes de ondas de rádio dos seus polos — uma equipa de investigadores observou efeitos relativísticos que antes só eram previstos pela teoria.

Em corpos estelares altamente massivos, como estrelas de neutrões, a teoria da relatividade geral de Einstein prevê que a luz se curvará acentuadamente em torno deles conforme os fotões seguem o caminho deformado do espaço-tempo, descreve a revista New Scientist.

Quando as estrelas de neutrões aceleram, que pode acontecer se duas andarem a girar uma à volta da outra, emitem ondas gravitacionais. Estas ondas vão fazer com que as suas órbitas diminuam à medida que perdem energia.

Uma equipa de investigadores observou agora estas previsões teoréticas num par de pulsares, conhecidos como PSR J0737−3039A/B. Estes pulsares orbitam-se um ao outro em apenas 147 minutos a uma velocidades de até 1 milhão de quilómetros por hora.

Cada vez que cada pulsar gira, os investigadores recebiam uma explosão de ondas de rádio na Terra.

Os cientistas descobriram que os pulsos de rádio chegavam consistentemente mais tarde do que o esperado. Isto acontecia porque estavam a ser desviados num ângulo de 0,04 graus devido à forte curvatura espaço-tempo em torno das duas estrelas.

Esta é a primeira evidência experimental de uma curvatura tão alta, de acordo com a equipe de Robert Ferdman, da Universidade de East Anglia, no Reino Unido.

Além disso, estes pulsares sofreram decadência orbital devido à emissão de ondas gravitacionais.

“Este é o teste mais rigoroso até agora da teoria de Einstein e estabelece o padrão no qual as experiências futuras devem seguir em termos de precisão, a fim de colocar a relatividade geral à prova com qualquer significado”, diz Ferdman à New Scientist.

Os resultados do estudo foram publicados recentemente na revista científica Physical Review X.

  Daniel Costa, ZAP //

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