A Ucrânia mandou matar Tikhon, “o confessor de Putin”?

pravoslavie.ru

Tikhon Shevkunov

Suspeitos detidos em Moscovo: um ucraniano e um russo. Agência de inteligência do Kremlin diz que os dois confessaram ter sido recrutados pelos serviços especiais ucranianos “para eliminar” o líder religioso da Crimeia.

A principal agência de inteligência russa disse esta sexta-feira que frustrou um atentado contra o líder da igreja ortodoxa na Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, e responsabilizou a Ucrânia. O Serviço Federal de Segurança russo (FSB, na sigla em inglês) disse em comunicado que “frustrou um ataque planeado pelos serviços especiais ucranianos contra Tikhon Shevkunov“.

Tikhon, de 66 anos, que foi nomeado líder da igreja ortodoxa em Simferopol e na Crimeia em 2023, tem um doutoramento em história e é também editor-chefe do site de notícias ortodoxo Pravoslavie. O sacerdote é ainda membro do conselho consultivo do Presidente russo para a cultura e as artes e foi condecorado em 2024 por Vladimir Putin pela participação na reconstrução de um complexo museológico na Crimeia. É conhecido pelos media russos há anos como “o confessor de Putin”, e retratado como muito próximo do líder russo.

Engenhos explosivos e passaportes falsos

Um cidadão russo e um cidadão ucraniano foram detidos na capital russa, refere o comunicado. O FSB disse que os dois foram recrutados pelos serviços especiais ucranianos através da plataforma de mensagens Telegram para realizarem o ataque durante uma viagem de Tikhon a Moscovo.

Os suspeitos terão confessado ter recebido um engenho explosivo improvisado, em dezembro, “para eliminar fisicamente” Tikhon e que deveriam depois abandonar Moscovo com passaportes falsos. A agência disse que foi aberta uma investigação sobre os preparativos para um ataque e tráfico de explosivos.

Um dos homens, Nikita Ivankovich, é um clérigo russo de uma igreja de Moscovo. O outro, Denis Popovich, ucraniano nascido na cidade ocidental de Chernivtsi, trabalhava como assistente de Shevkunov.

Popovich disse, de acordo com as autoridades russas, que tinha sido recrutado para monitorizar os movimentos de Shevkunov e que foi ameaçado com o assassinato dos seus familiares se não obedecesse. Disse ainda que o plano era colocar uma bomba num edifício residencial do Mosteiro Sretensky, do século XIV, em Moscovo.

O porta-voz dos serviços secretos militares ucranianos disse à Reuters que as acusações são “absurdas” e “mentira”.

Várias personalidades russas ou pró-Rússia foram alvos de ataques nos últimos três anos, desde o início da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022. A maioria destes ataques foi atribuída a Kiev ou reivindicada pelos serviços secretos ucranianos, sendo o mais recente o assassínio do general Igor Kirillov em dezembro, em Moscovo.

ZAP // Lusa

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.