A guerra na Ucrânia já motivou alterações na lista dos passaportes mais poderosos do mundo

Cidadãos ucranianos passaram a poder entrar num maior número de países dado o seu estatuto de refugiados de guerra. 

O encerramento do espaço aéreo devido à agressão militar russa e a abertura das fronteiras aos refugiados ucranianos já tem influência viagens globais, de acordo com os dados mais recentes observados sobre os passaportes mais valiosos do mundo, ou seja, os que permitem aos detentores viajar sem a exigência da apresentação de visto.

Apesar de ter havido poucas alterações no topo da lista, o recente conflito está a começar a abalar o índice compilado anualmente pela consultora global Henley & Partners, sediada em Londres.

Desde o início da guerra no final de fevereiro, muitos países ou alteraram as suas políticas de entrada ou abandonaram completamente os requisitos de vistos para os titulares de passaportes ucranianos, o que significa que a Ucrânia atingiu um recorde no relatório.

Entretanto, a União Europeia, os Estados Unidos e o Canadá baniram todos os operadores russos do seu espaço aéreo, enquanto alguns destinos já não emitem vistos a cidadãos russos, “condenando efetivamente o passaporte russo ao estatuto de lixo em grande parte do mundo desenvolvido”, aponta um relatório da Henley & Partners.

Embora tal decisão ainda não tenha tido um impacto dramático na posição da Rússia na lista, o relatório sugere que é provável que tal venha a mudar nos próximos meses.

A lista Henley Passport, baseada em dados exclusivos fornecidos pela Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA), tem vindo a monitorizar regularmente os passaportes que permitem viajar pelo mundo com mais facilidade desde 2006.

Na lista para o segundo trimestre de 2022, a Ucrânia subiu um lugar e encontra-se agora em 34º lugar no índice, com os seus cidadãos nacionais a poderem agora viajar para 143 destinos sem visto (ou visto de chegada). A Rússia caiu quatro posições para 49º lugar, com viagens abertas a 117 países – uma posição que deverá piorar à medida que as suspensões e sanções de vistos forem sendo formalizados.

Esta alteração reflete “o impacto profundo e talvez irreversível da guerra na liberdade de circulação”, de acordo com o relatório.

No topo do índice, tudo permanece como antes, ou seja com o Japão e Singapura a partilharem a posição número um. Os titulares destes passaportes podem viajar para 192 destinos sem visto, em teoria, apesar de o índice não ter em condição as restrições temporárias. Os cidadãos afegãos situam-se novamente no fundo do índice, podendo aceder apenas a 26 países sem necessidade de visto prévio.

No grupo dos dez primeiros, a Coreia do Sul continua empatada ao lado da Alemanha no segundo lugar, com uma pontuação de 190. Finlândia, Itália, Luxemburgo e Espanha estão todos juntos no terceiro lugar, com uma pontuação de 189.

A Áustria, Dinamarca, Holanda e Suécia partilham o quarto lugar, com uma pontuação de 188, ao passo que a França caiu para o quinto lugar. O Reino Unido, que no mês passado deixou cair todas as restantes restrições relacionadas com a Covid-19, subiu um lugar para o número cinco, ao lado da França, bem como da Irlanda e de Portugal, com uma pontuação de 117.

Os Estados Unidos mantêm-se no número seis, com uma pontuação de 186, partilhando a posição com a Bélgica, Nova Zelândia, Noruega e Suíça. Não há alterações no número sete, com a Austrália, Canadá, República Checa, Grécia e Malta a ficarem novamente juntos, com uma pontuação de 185.

Em oito lugar, a Hungria fica sozinha, com uma pontuação de 183, enquanto a Polónia deslizou de oito para o nono lugar da lista, partilhando o lugar com a Lituânia e Eslováquia, com uma pontuação de 182. A Estónia, a Letónia e a Eslovénia completam os dez primeiros, com uma pontuação de 181.

A Alemanha tem, assim, o passaporte europeu com a pontuação mais alta.

O relatório que acompanha a divulgação do índice nota que a situação Rússia-Ucrânia provou ser um lembrete severo da volatilidade do mundo, da forma como a violência e o conflito podem levar a deslocações em massa.

“À medida que o valor do passaporte russo diminui rapidamente e que o mundo abre as suas portas aos ucranianos, é perfeitamente claro que o passaporte que possui determina o seu destino e tem um impacto dramático nas oportunidades que tem”, descreveu Christian H. Kaelin, presidente da Henley & Partners e criador do conceito do índice de passaporte à CNN.

“Embora seja impossível prever como será o mundo na sombra de uma nova Guerra Fria, o último índice sugere que a divisão entre a Rússia e grande parte do mundo ocidental apenas irá aumentar”. Contudo, os resultados também sugerem que os efeitos das alterações climáticas vão provar ser a força motriz da deslocação nos próximos 25 anos, particularmente nos países economicamente menos desenvolvidos.

  ZAP //

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