A Austrália está 1,5 metros mais perto do que há 20 anos

A Austrália está (literalmente) em movimento: nos últimos 22 anos, o território australiano moveu-se 1,5 metros em direcção a norte, e o país vai ter que mudar as suas coordenadas.

A Austrália está um metro e meio mais perto de nós do que há 22 anos – ou mais longe, se formos “pelo outro lado”.

A placa tectónica do continente australiano é a mais rápida da Terra, movendo-se em direcção a norte e a leste a uma velocidade de cerca de 7 centímetros por ano.

Segundo a PHYS.org, a longo prazo este movimento da placa australiana pode causar terramotos.

Mas para já, o principal problema é que a pouco e pouco a Austrália se aproxima do equador – e neste momento já não está exactamente onde era suposto encontrá-la.

Este fenómeno curioso causa mais problemas do que poderia parecer à primeira vista – antes de mais, no trânsito automóvel.

Com efeito, os sistemas GPS e de geo-referenciação como o Google Maps funcionam com base em informação recebida de satélites que usam as coordenadas oficiais do país para colocar a Austrália no mapa.

E esses coordenadas estão inalteradas desde 1994.

A enorme rede rodoviária australiana, com as suas largas estradas com centenas de quilómetros de rectas, seria até em teoria perfeita a circulação de automóveis autónomos.

Mas infelizmente este pequeno problema da placa tectónica que não para quieta transforma a Austrália no pior país possível para os Teslas e afins que se conduzem sozinhos nos outros países.

“Temos que ajustar a nossa latitude e longitude oficiais, para que os sistemas como os GPS dos nossos carros e telemóveis interajam correctamente com a restante informação geográfica digital”, explicou à BBC o investigador Dan Jaksa, analista de dados no instituto governamental Geoscience Australia.

“Têm-nos perguntado se isso significa que a piscina do meu vizinho agora está no meu quintal“, conta Jaksa.

“Claro que não”, diz o investigador, “mas significa que a piscina do vizinho, em relação ao resto do mundo, está de facto um metro e meio mais perto”.

Para resolver este problema, as autoridades australianas anunciaram recentemente que a partir do próximo ano as coordenadas do país vão ser actualizadas e passarão a ter o valor projectado para a posição da Austrália em 2020.

Dessa forma, do dia 31 de dezembro deste ano para o dia 1 de janeiro de 2017, de um momento para o outro, a Austrália vai mover-se 1,8 metros para norte – algo que parece saído dos filmes-catástrofe dos canais de ficção científica na TV.

A medida poderá no entanto não resolver totalmente o problema, porque poucos anos mais tarde o país já se encontrará de novo numa posição ligeiramente diferente – razão pela qual o governo australiano está a estudar um novo sistema de coordenadas que se actualizam em tempo real.

Mas pelo menos para já, os dados geográficos da Austrália passarão em 2017 a ser muito mais exactos do que neste momento.

E até lá, resta aos condutores da terra do fim do mundo não prestar demasiada atenção ao que diz a menina do GPS.

AJB, ZAP

PARTILHAR

2 COMENTÁRIOS

RESPONDER

Desmantelada fábrica ilegal de tabaco. Funcionava num bunker

Uma operação levada a cabo pela Guardia Civil esta terça-feira desmantelou uma fábrica ilegal de tabaco, em Espanha, e deteve a organização clandestina que a geria: vinte pessoas foram detidas, de nacionalidades britânica, lituana e …

China diz que surto está "sob controlo" após 14 províncias não reportarem novos casos

O surto do coronavírus Covid-19 está "sob controlo", depois de a atualização diária mostrar que 14 das 34 províncias e regiões autónomas do país não detetaram novos casos, anunciaram esta sexta-feira as autoridades chinesas. O vice-diretor …

Após 2 anos preso, Pedro Dias assume três homicídios e diz-se arrependido

Pedro Dias, conhecido pelos homicídios de Aguiar da Beira, manifesta-se arrependido pelos crimes por que foi condenado a 25 anos de prisão, após cumprir dois anos da pena. Um arrependimento que é também um assumir …

Orçamento da UE. Proposta agrava corte de Portugal na coesão em 2 mil milhões

A proposta do presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, prevê um corte de 2 mil milhões de euros no envelope da coesão para Portugal. Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia iniciaram esta …

Russos atormentam Estados Unidos outra vez. Presidenciais são o alvo

Os serviços secretos norte-americanos estão convencidos de que os russos estão, novamente, a tentar influenciar as presidenciais daquele país. Faltam nove meses para as eleições presidenciais norte-americanas, mas já há suspeitas de que os russos estão …

Processo obscuro e pouco transparente. Expansão do Metro do Porto cria mal-estar

O alargamento do Metro do Porto está a criar mal-estar entre algumas autarquias da área Metropolitana do Porto. Os autarcas falam num processo obscuro e pouco transparente. O protocolo para consolidação da expansão da rede de …

Barcelona contrata jogador com o mercado fechado (mas Leganés não pôde fazer o mesmo)

O Barcelona foi autorizado a contratar um jogador com o mercado fechado, mas o pedido do Leganés foi rejeitado. O clube perdeu Braithwaite para o clube catalão. O FC Barcelona anunciou, esta quinta-feira, a contratação do …

Portugueses gastam 160 euros por ano na "epidemia das raspadinhas". 11 vezes mais do que os espanhóis

De acordo com um estudo recente, há cada vez mais pessoas a chegarem aos consultórios médicos com a doença do jogo patológico desencadeada pela raspadinha. Num artigo científico publicado na The Lancet, Pedro Morgado e Daniela …

Direita chega ao jogo das comissões no MB Way. PSD e Chega juntam-se ao PS

O PSD quer alargar serviços dentro das contas de baixo custo e incluir transferências via a aplicação da SIBS. O Chega quer eliminar custos nessas transações. Depois da esquerda, é a vez da direita marcar terreno …

Fãs de Kobe Bryant em luto estão a deixar flores na sepultura errada

Numa tentativa de prestar homenagem ao ex-basquetebolista, vários fãs de Kobe Bryant em luto estão a deixar flores na sua sepultura. O problema é que o têm na campa de outra pessoa. Quase um mês depois …