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20 em 26: a seleção portuguesa nunca foi tão “estrangeira”

A comitiva lusa que vai participar no Europeu 2020 conta com somente seis futebolistas que representam um clube português. Equipas estrangeiras batem recorde na seleção portuguesa.

Fernando Santos anunciou nesta quinta-feira quem vai poder jogar por Portugal no próximo Europeu de futebol. A lista inclui, pela primeira vez em grandes competições, 26 nomes – exceção criada pela UEFA por causa da pandemia. A lista é alargada mas, mesmo assim, nunca o campeonato português teve uma influência tão baixa nos convocados.

Entre os 26 futebolistas, apenas seis jogaram em Portugal nesta temporada. Três deles foram campeões nacionais pelo Sporting: Nuno Mendes, Palhinha e Pedro Gonçalves. Sérgio Oliveira e Pepe são os jogadores do FC Porto na lista e Rafa é o único representante do Benfica.

Entre os seis nomes, Pepe e Nuno Mendes eram praticamente duas certezas na lista do selecionador nacional. Depois, ficam dúvidas: quem ficaria fora se a lista tivesse 23 jogadores? Palhinha ou William Carvalho? Talvez o jogador do Betis. Sérgio Oliveira seria convocado? Pedro Gonçalves, provavelmente, não. Rafa ou Gonçalo Guedes?

Se seis futebolistas jogam em Portugal, quer dizer que 20 representam clubes estrangeiros. Nunca a seleção portuguesa teve tantos jogadores de clubes estrangeiros, numa grande competição de futebol. Nem neste número absoluto, nem na percentagem (praticamente 77 por cento do total de convocados).

Currículo da seleção

Até ao Mundial 1986, esta contabilidade é simples: todos os jogadores estavam no campeonato português. O Europeu 1996 teve as primeiras exceções. E ficam aqui os nomes desses estreantes, quase todos da “geração de ouro” dos juniores: Fernando Couto (Parma), Rui Costa (Fiorentina), Paulo Sousa (Juventus), Luís Figo (Barcelona) e Jorge Cadete (Celtic).

Uma das melhores seleções portuguesas de sempre – para muitos especialistas, a seleção que jogava melhor futebol – foi a do Europeu 2000. Aí, o cenário mudou: entre os 22 eleitos, metade dos escolhidos já jogava no estrangeiro. A Lazio era o único clube que tinha dois jogadores representados: Fernando Couto e Sérgio Conceição.

Os dois grandes torneios seguintes foram o Mundial 2002 e o “nosso” Europeu 2004. Ao contrário do que se podia prever, o número de jogadores portugueses provenientes de outros campeonatos foi descendo nessa altura: nove no Mundial, apenas sete no Europeu.

A viragem deu-se no Mundial 2006, onde estiveram 15 jogadores de clubes estrangeiros. O Chelsea tinha três representantes: Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho e Maniche. Foi a primeira vez que o campeonato português esteve em minoria – e, a partir daí, foi sempre assim.

No Europeu 2008 voltou o equilíbrio, com 12 futebolistas que não jogavam em Portugal. Esse número subiu ligeiramente para 14 no Mundial 2010 e para 13 no Europeu 2012. Já o Mundial 2014 repetiu o registo do Mundial 2006, com 15 jogadores do estrangeiro.

O Europeu 2016, conquistado por Portugal, também contou com 15 futebolistas de clubes de outros países.

Já a última grande competição, o Mundial 2018, bateu todos estes recordes: 17 futebolistas de clubes estrangeiros, com uma percentagem de praticamente 74 por cento. Tal como agora, apenas seis jogavam em Portugal mas a percentagem e o número absoluto de representantes de emblemas estrangeiros era menor em 2018 porque a lista incluía 23 jogadores, não 26.

Números superados agora pelo Europeu 2020 (que será em 2021), caso não haja alterações imprevistas durante as próximas semanas.

  Nuno Teixeira, ZAP //

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