20 anos de ficheiros secretos sobre OVNIs tornados públicos nos EUA

USAF / BlackVault

OVNIs fotografados em 1952 em Salem, Massachusetts (EUA)

O historiador amador John Greenewald passou quase duas décadas a solicitar informações consideradas não confidenciais do governo dos Estados Unidos sobre objetos voadores não identificados (OVNIs).

O resultado foi a publicação na Internet de mais de 100 mil páginas de documentos sobre os inquéritos internos de OVNIs da Força Aérea americana.

As revelações podem ser lidas no site do Projeto Livro Azul.

Projeto ambicioso

As origens deste ambicioso projeto datam de junho de 1947, disse à BBC o investigador sobre OVNIs Alejandro Rojas.

O editor da revista Open Minds conta que um respeitado empresário e piloto, Kenneth Arnold, sobrevoava o Estado de Washington quando testemunhou a presença de vários objetos voadores não identificados.

Arnold descreveu que os objetos “saltavam como pires” – a imprensa adotou o termo, e passou a chamá-los de discos voadores.

Este incidente – e vários outros, incluindo o alegado poiso de um OVNI em Roswell, no Novo México, no mesmo ano – levou a Força Aérea norte-americana a lançar um órgão de investigação específico sobre o tema.

Nomeado Projeto Livro Azul e sediado na Base Aérea de Wright-Patterson, em Ohio, a ideia era que o programa fosse formado por apenas alguns funcionários. No entanto, o grupo investigou 12.618 registos de OVNIs num período de duas décadas.

Resposta à histeria popular

Criado nos anos imediatamente a seguir à 2ª Guerra Mundial, o Projeto Livro Azul tinha a intenção de interromper a disseminação do mal-estar público diante do número crescente de relatos de visualizações de OVNIs, incluindo sobre locais importantes como a Casa Branca e o Capitólio.

“Havia muita histeria do público, o que para os militares e o governo na altura era uma grande ameaça”, descreve Greenewald. “Não importa se os OVNIs eram extraterrestres ou não – eles estavam a lançar o pânico, o Governo tinha que controlar os nervos de todos.”

Embora sejam vistas com algum sarcasmo hoje, as ocorrências de avistamentos de OVNIs teriam sido discutidas por altos integrantes do governo americano nos anos 1940 e 1950.

“A questão foi levada muito a sério naquela época”, disse Rojas. Chefes da CIA, a agência de inteligência americana, afirmavam publicamente, na altura, que se tratava de um fenómeno real.

Em 1966, outra comissão da Força Aérea foi criada para analisar a fundo alguns dos casos do Projeto Livro Azul. Mais tarde, esse grupo divulgou um relatório que afirmou não ter encontrado evidências de OVNIs.

O Projeto Livro Azul foi oficialmente encerrado em 1969.

Casos que não deram em nada…

Apesar de muitas fontes confiáves – de almirantes da Marinha a pilotos militares e civis – terem relatado que viram OVNIs, a maioria dos casos investigados pelo Projeto Livro Azul acabou por envolver balões meteorológicos, gases dos pântanos, eventos meteorológicos e até mesmo inversões de temperatura.

Em Seattle, no Estado de Washington, em abril de 1956, uma testemunha descreveu ter visto um “objeto redondo, branco (…) que dava voltas e voltas”, de acordo com os documentos. Posteriormente, os investigadores concluíram que se tratava de um meteoro e encerraram o caso.

Em janeiro de 1961, em Newark, New Jersey, uma testemunha relatou ter visto um objeto cinzento escuro “do tamanho de um jato sem asas”. O objeto, mais tarde, foi identificado como um avião.

… e outros ainda sem explicações

De acordo com Greenewald e Rojas, mais de 700 casos do Livro Azul não puderam ser explicados pelos investigadores. Muitos desses casos citaram dados ou provas insuficientes.

Mesmo alguns desses casos encerrados levantam mais perguntas do que respostas para os ufólogos. Num deles, em 1964, um polícia em Socorro, no Novo México, interrompeu uma perseguição a um suspeito após avistar uma aeronave estranha.

O agente seguiu o objeto – descrito como tendo uma insígnia vermelha estranha – e o viu aterrar. Dois seres do tamanho de crianças saíram. O objeto, então, descolou, deixando queimaduras e vestígios no terreno.

“O Livro Azul rotulou o caso como inexplicável e, mesmo depois de todas estas décadas, ainda não conseguem explicá-lo”, afirma Greenewald.

Ainda há informações por descobrir sobre OVNIs

Embora Greenewald tenha acumulado um verdadeiro arsenal de documentos do governo, o historiador considera haver muitos outros a que nem ele nem o público tiveram acesso.

Um pedido feito à Agência de Segurança Nacional rendeu-lhe uma centenas de páginas, mas as revelações estavam tão editadas que apenas algumas palavras apareciam em cada página, diz.

Outras entidades do governo norte-americano – incluindo a CIA e a NSA – também realizaram investigações sobre OVNIs que não foram divulgadas, diz Greenewald.

“Eu acho que o Projeto Livro Azul é apenas a ponta do iceberg“, declara, acrescentando que vai continuar a pedir mais informações ao governo dos EUA.

ZAP / BBC

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