10 anos depois, o encontro histórico da sonda Rosetta com o seu cometa

ESA

Esboço artístico da sonda Philae da nave Rosetta no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko

Esboço artístico da sonda Philae da nave Rosetta no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko

Após uma viagem de 10 anos e mais de 6,4 mil milhões de quilómetros através do espaço profundo, a sonda europeia Rosetta chega finalmente esta semana ao seu destino cometário.

A Rosetta, sonda da Agência Espacial Europeia ESA, tem chegada prevista cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko esta quarta-feira.

Se tudo correr conforme o planeado, a Rosetta torna-se na primeira sonda a orbitar um cometa – e, em Novembro, será a primeira a fazer aterrar um “lander” na superfície deste viajante gelado.

“Pela primeira vez, temos um encontro com um cometa, pela primeira vez vamos acompanhar um cometa à medida que passa pela sua maior aproximação pelo Sol e – a cereja no topo do bolo – pela primeira vez, vamos aterrar à superfície de um cometa,” afirma Matt Taylor, cientista do projecto Rosetta. “O encontro é, portanto, um marco fundamental na missão.”

A missão Rosetta, com um custo de 1,3 mil milhões de Euros, levantou voo em Março de 2004, dando início a uma longa e sinuosa viagem pelo Sistema Solar. A sonda passou cinco vezes pelo Sol e três vezes pela Terra em “flybys” que lhe aumentaram a velocidade.

A Rosetta dormiu durante parte da sua viagem de uma década; os membros da equipa científica acordaram a sonda em Janeiro para se preparar para este encontro, encerrando um recorde de 957 dias de hibernação.

ESA

Matt Taylor, astrónomo britânico do projecto Rosetta

Matt Taylor, astrónomo britânico do projecto Rosetta

A Rosetta está a chegar ao Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, com 4 km de diâmetro, que leva cerca de 6,5 anos a completar uma volta em torno do Sol.

A órbita elíptica do cometa leva-o para além de Júpiter no afélio (ponto mais distante do Sol) e entre Marte e a Terra no periélio (ponto mais próximo do Sol).

A operação de encontro consiste na verdade de 10 manobras diferentes, que começaram no início de Maio e vão terminar com o último disparo de motor na Quarta-feira. Estas manobras vão acabar por diminuir a velocidade relativa da Rosetta (em relação a 67P) desde os 2880 km/h no final da hibernação da sonda até 3 km/h – velocidade de caminhada – no momento da inserção orbital.

“É um desafio; nunca foi tentado antes,” afirma Taylor. “Outras missões cometárias foram apenas passagens rasantes a alta velocidade e a cerca de 100 km ou mais de distancia.”

A Rosetta irá fornecer mais algum drama de espaço profundo em Novembro, quando a nave-mãe libertar um “lander” chamado Philae na superfície de 67P.

O Philae vai perfurar o cometa, recolher amostras e capturar imagens da superfície do corpo, dizem os cientistas da ESA.

A nave-mãe Rosetta e o Philae vão acompanhar 67P à medida que se aproxima e dá a volta ao Sol, observando como o cometa muda durante a viagem. As observações do duo deverão revelar muito sobre a composição do cometa, que por sua vez deverá ajudar os investigadores a melhor compreender a evolução do Sistema Solar (os cometas são blocos de construção primitivos e relativamente intocados, que sobraram da formação do Sistema Solar).

Taylor e os outros membros da equipa da missão estão ansiosos por esta “fase de escolta”, que está programada para durar entre esta Quarta-feira e até ao final da missão nominal em Dezembro de 2015.

ESA

Sonda Philae no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, com a nave Rosetta em órbita (esboço artístico ESA)

“Vamos observar e estudar o cometa, com a sonda e com o ‘lander’ (durante um período de tempo mais curto)”, comenta Taylor. “Este estudo vai fornecer uma visão sem precedentes de um cometa, do seu núcleo e da cabeleira.”

Ainda não chegou e já trabalha

Antes de alcançar o Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, a Rosetta fez as suas primeiras medições de temperatura, descobrindo que é demasiado quente para ser coberto de gelo, o que significa que deve ter uma crosta escura e empoeirada.

As observações foram feitas com o espectrómetro VIRTIS, entre 13 e 21 de Julho, quanto se encontrava a 14.000-5000 km do cometa.

A estas distâncias, o cometa cobria apenas uns poucos pixéis no campo de visão e não foi por isso possível determinar as temperaturas de características individuais. Mas, utilizando o sensor para recolher luz infravermelha emitida por todo o cometa, os cientistas determinaram que a sua temperatura média ronda os -70º C.

O cometa estava a aproximadamente 555 milhões de quilómetros do Sol nessa altura – mais de 3 vezes mais longe que a Terra, o que significa que a luz solar tem apenas 1/10 do brilho (em comparação com o brilho à distância da Terra).

Apesar de -70º C parecer frio, é cerca de 20-30º C mais quente do que o previsto para um cometa a esta distância e coberto exclusivamente por gelo.

“Este resultado é muito interessante, pois dá-nos as primeiras pistas sobre a composição e propriedades físicas da superfície do cometa,” afirma Fabrizio Capaccioni, do INAF-IAPS, Roma, Itália, investigador principal do VIRTIS.

De facto, outros cometas como o 1P/Halley são conhecidos por terem superfícies muito escuras devido a uma cobertura de poeira, e o cometa da Rosetta já era conhecido por ter um albedo baixo a partir de observações terrestres, excluindo uma superfície gelada totalmente “limpa”.

As medições de temperatura fornecem confirmações directas de que grande parte da sua superfície deve estar coberta por poeira, porque o material mais escuro aquece e emite calor mais rapidamente do que gelo quando exposto à luz solar.

“No entanto, isto não exclui a presença de manchas de gelo relativamente limpo, e muito em breve o VIRTIS será capaz de gerar mapas que mostram a temperatura de características individuais,” afirma o Dr. Capaccioni.

Para além das medições globais, o sensor vai também estudar a variação da temperatura diária da superfície em áreas específicas do cometa, a fim de compreender quão rapidamente esta reage à iluminação solar.

Por sua vez, isto irá fornecer informações sobre a condutividade térmica, densidade e porosidade das primeiras dezenas de centímetros da superfície. Esta informação será importante na escolha de um alvo de aterragem para o ‘lander’, Philae.

Irá também medir as mudanças de temperatura à medida que o cometa se aproxima do Sol, o que proporciona substancialmente mais aquecimento da superfície.

“Combinado com observações dos outros 10 instrumentos científicos da Rosetta e do Philae, o VIRTIS irá fornecer uma descrição detalhada das propriedades físicas da superfície e dos gases na cabeleira do cometa, observando como as condições mudam diariamente e à medida que viaja em torno do Sol durante o ano que vem,” comenta Taylor.

“A apenas alguns dias dos 100 km de distância do cometa, estamos animados por começar a analisar este mundo pequeno e fascinante em muito mais detalhe.”

ESA

A sonda Rosetta a caminho do seu encontro com o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko

A nave Rosetta com a sonda Philae, a caminho do seu encontro com o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko

CCVAlg

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