Só 1% dos professores portugueses tem menos de 30 anos

SESI SP / Flickr

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) apresenta, esta terça-feira, o relatório anual Education at a Glance, que mostra que Portugal tem uma classe docente cada vez mais envelhecida.

Mais uma vez, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) volta a frisar o envelhecimento da classe docente em Portugal, sublinhando que é uma das mais velhas da comunidade, com apenas 1% abaixo dos 30 anos.

De acordo com o relatório anual Education at a Glance, apresentado esta terça-feira e produzido com base em dados dos últimos anos, Portugal tem a mais baixa percentagem de docentes com menos de 30 anos, a par da Itália.

“A força de trabalho docente de Portugal tem envelhecido na última década e está entre os mais velhos de todos os países da OCDE”, sublinha a organização, citada pelo jornal Público.

Em sentido oposto, nos últimos dez anos, a proporção de professores com 50 anos ou mais aumentou 13 pontos percentuais (cerca de 41%), ficando Portugal apenas atrás de sete países como a Áustria, a Alemanha, a Grécia e os países do Báltico.

“Portugal tem uma das classes docentes mais envelhecidas da OCDE. Cerca de 40% dos professores do Ensino Básico e Secundário têm 50 ou mais anos (a média da OCDE é de 36%)”, lê-se no relatório, também citado pelo Expresso.

“O envelhecimento desta classe acelerou na última década. Em 2005, cerca de 16% dos professores tinham menos de 30 anos e apenas 22% tinham mais de 50. Este envelhecimento acentuado pode ser em parte explicado pela redução da população em idade escolar em algumas zonas do país e o consequente processo de integração de escolas, que também limitou o recrutamento de novos professores”, escreve a OCDE.

Crianças portuguesas têm mais 1200 horas de aulas

Além da classe docente, o relatório anual avaliou o tempo que as crianças passam na escola e concluiu que, ao todo, as crianças portuguesas passam 5460 horas em aulas durante o primeiro ciclo do Ensino Básico, bem mais do que as 4258 horas da média da União Europeia, escreve a TSF.

Se juntarmos o segundo ciclo do Ensino Básico (5.º e 6.º ano) a diferença continua a ser grande, com os alunos nacionais a estarem 8.214 horas nas salas de aula, quando comparado com a média de toda a UE (7.260 horas).

O Education at a Glance refere que este tempo que os alunos passam na escola “pode não estar a ser usado de forma tão eficiente como noutros países”.

Segundo o mesmo relatório, a frequência de berçários e creches até aos três anos está a subir, mas Portugal ainda fica abaixo da média da OCDE nas crianças de dois anos, assim como no valor do financiamento por criança.

Portugal só faz melhor do que a média da OCDE no que diz respeito às crianças com menos de um ano: a taxa de frequência é de 20%, mais do dobro da média de 9% nos países da OCDE e a quarta mais alta nesta comunidade.

Na faixa etária seguinte, a das crianças com um ano, Portugal fica em linha com a média, com um registo de 40% de frequência, mas a convergência com a OCDE perde-se na faixa etária seguinte, com apenas 52% das crianças de dois anos a frequentar uma creche, contra os 62% de média do conjunto dos países da OCDE.

O relatório refere que, à semelhança de outros países da UE, a frequência de educação pré-escolar tem vindo a crescer em Portugal, com 37% das crianças com menos de três anos matriculada numa creche ou berçário em 2017 (acima dos 27% de 2010).

No que diz respeito a crianças entre os três e os cinco anos, a taxa de frequência de 92% em 2017 está acima da média da OCDE (87%) e da União Europeia (90%).

O recurso a instituições privadas continua elevado em Portugal, representando 47% das matrículas, contra 34% da média da OCDE e 27% da média da União Europeia.

Só 30% dos estudantes concluem licenciatura em 3 anos

Relativamente ao Ensino Superior, a OCDE aponta que, ainda que a média de matrículas no escalão etário associado ao ano inicial dos cursos superiores seja de 41% (acima da média da OCDE de 37%), apenas 30% dos alunos que se matriculam concluem as formações dentro dos três anos de duração das licenciaturas, contra uma média de 39% da OCDE.

A taxa de conclusão sobe para 65%, abaixo dos 67% da OCDE, se o período considerado for de seis anos para terminar uma licenciatura de três anos.

“Em Portugal, cerca de 12% dos estudantes que entram numa licenciatura abandonam o curso antes do início do segundo ano do curso, em linha com a média. Num período de seis anos, a percentagem de estudantes que abandonam o Ensino Superior sem se diplomarem subiu para os 26%, que compara com uma média de 24%”, lê-se no relatório.

A OCDE aponta ainda as taxas elevadas de frequência de mestrados e doutoramentos em Portugal, acima da média da OCDE, com os dados referentes a 2017 a indicarem que um terço dos alunos (33%) estavam matriculados em mestrado, contra 16% da média da OCDE, e 6% frequentavam doutoramentos, contra uma média de 2% da OCDE. Ainda nesse ano, 55% dos 2100 doutorados eram mulheres (47% na OCDE) e 23% eram estudantes internacionais (25% na OCDE).

“No total, 0,8% dos adultos em Portugal tem um doutoramento (a média da OCDE é de 1,1%)”, refere ainda o relatório.

O documento indica ainda que muitos países têm tentado levar os adultos para o Ensino Superior, seja em chamados programas de segunda oportunidade, ofertas em part-time ou ofertas de ensino informais. No caso português, apenas 4% dos adultos (25-64 anos) estão matriculados numa oferta formal de Ensino Superior, contra uma média de 7%.

Engenharia, Construção, Gestão e Direito continuam a ser as áreas de formação que mais alunos atraem, muito por conta dos elevados salários associados a estes cursos. A taxa de emprego nestas áreas, assim como a dos cursos de saúde, ronda ou supera os 90%, acima das médias da OCDE e da União Europeia.

O financiamento por aluno no Ensino Superior no país também fica abaixo da média da OCDE: os cerca de 10 mil euros por aluno em Portugal comparam com mais de 14 mil euros em média no conjunto dos países da OCDE.

 

ZAP // Lusa

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