Há mais notas falsas de cinco e dez euros a circular. Culpa é das vendas online

O número de notas falsas de cinco e de dez euros bateu o recorde em 2021, tendo as de dez superado as de 50 euros pela primeira vez.

De acordo com o Banco de Portugal, o fenómeno está ligado à existência de notas que não têm curso legal e que se destinam à utilização como adereço, vendidas em plataformas, mas que são “aceites pelo público como notas genuínas”.

Pela primeira vez, em 2021, o volume de notas falsas de dez euros subiu o suficiente para superar as de 50 euros em Portugal , segundo o Público.

Os dados do Banco de Portugal mostram que foram detetadas 3.347 notas de 10 euros contrafeitas, um número recorde que equivale a 31% do total, e 1.672 notas de cinquenta euros — equivalente a 15% do total.

As notas de 20 euros têm disputado a liderança com as de 50 euros desde que existe a moeda única – estas últimas são as mais falsificadas ao nível da zona euro.

Também se registou no ano passado um recorde na apreensão de notas de cinco euros, ao chegar às 830. Até aqui, o maior número foi em 2006, com 459 notas.

Fonte oficial do Banco de Portugal, em entrevista ao o Público, explicou que “as notas de cinco e dez euros apreendidas na circulação em Portugal são essencialmente as movie money e prop copy“.

“Estas notas são vendidas na Internet e representam a grande maioria das notas contrafeitas apreendidas”, refere a mesma fonte, acrescentando que “na generalidade não apresentam reprodução de elementos de segurança”.

No relatório de emissão monetária publicado na semana passada, o Banco de Portugal explica que, nos últimos anos, “tem crescido o número de reproduções ilegais de notas”.

“Apesar de incluírem uma referência explícita ao facto de não terem curso legal ou de se destinarem à utilização como adereço, estavam a ser aceites pelo público como notas genuínas”, acrescenta.

O chamado movie money ou prop copy, diz o banco central, “é vendido sobretudo através de grandes plataformas online menos conhecidas fora da União Europeia, e em sites de venda livre, podendo ser disponibilizado em diferentes volumes”.

O Banco de Portugal alerta que se as notas falsas forem aceites por alguém, não devem ser recolocadas em circulação, sedo que constitui um crime.

As notas contrafeitas, sublinha a instituição, “não podem ser trocadas por notas genuínas, ainda que tenham sido recebidas inadvertidamente”.

Sublinha ainda que “é importante que o público saiba distinguir as notas genuínas de reproduções ilegais”, como ver, contra uma luz, se a nota tem a marca de água e o filete de segurança.

O aumento das notas contrafeitas de cinco e de dez euros em Portugal surge em sintonia com a descida no número de notas de vinte e de cinquenta euros, e do volume global.

No caso das de cinquenta, atingiram em 2021 o menor número de que há registo. Uma explicação poderá estar relacionada com o menor número de turistas que entraram no país, vindos de mercados onde esta denominação é de uso mais comum.

De acordo com o banco central, foram retiradas de circulação, ao todo, no território nacional, 10.836 contrafações de notas de euro no ano passado, “equivalentes a 328 mil euros”.

A nível da zona euro, 2021 foi o “o ano com menor número de contrafações de notas apreendidas em circulação”.

“Este facto deve-se, em grande medida, à situação pandémica, que motivou uma menor utilização do numerário enquanto meio de pagamento e, consequentemente, criou um contexto mais difícil para a passagem de contrafações”, explica a instituição liderada por Mário Centeno.

Foram retiradas da circulação, a nível global, 347 mil notas de euro, menos 24,6% face a 2020. “O volume apreendido corresponde a uma proporção ínfima das notas em circulação no final do ano: 12 contrafações por cada milhão de notas de euro genuínas”, realça o banco central.

Além da pandemia, o boletim de notas e moedas do Banco de Portugal de Outubro do ano passado dá também conta do desmantelamento “de gráficas ilegais responsáveis pela produção e distribuição de contrafações a nível europeu”.

Em Portugal, no entanto, já houve vários outros anos com menor número de apreensões, comparando com 2021.

O ano de 2002 continua a ser o que teve menos registos, com apenas 4.733 notas contrafeitas a saírem de circulação.

Por outro lado, o ano com mais notas falsas foi o de 2010, com 18.871. Mas foi em 2013 que se registou o maior valor, com 2,7 milhões de euros, devido a uma grande quantidade – e pouco usual – de notas de 500 euros.

As 10.836 notas apreendidas no território nacional no ano passado correspondem, diz o banco central, “a 3,1% da quantidade detetada a nível mundial e a 3,3% da apreendida na área do euro”.

  ZAP //

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