Um transplante de fezes salvou os coalas da extinção

Erik Veland / Wikimedia

Graças a um tratamento inovador à base de fezes, foi possível mudar os hábitos alimentares dos coalas e assim evitar a morte devido a má nutrição .

O coala é um mamífero nativo da Austrália. Este animal é facilmente encontrado em áreas costeiras das regiões leste e sul do continente. É reconhecível pelo seu corpo robusto e sem cauda, uma cabeça grande com orelhas redondas e macias, e um nariz grande em forma de colher.

Na língua indígena, coala pode ser traduzido como “não há água”, e isso deve-se ao facto de consumirem apenas líquidos através das folhas que comem. Estes mamíferos estão habituados à vida na natureza, comem e dormem na mesma árvore, e raramente descem ao solo.

Dieta pouco variada

Segundo o ABC, em relação à alimentação, os coalas comem exclusivamente folhas do eucalipto, que concentram inúmeras moléculas capazes de envenenar qualquer outro ser vivo. Através do cheiro, estes animais diferenciam as folhas mais nutritivas das mais tóxicas, evitando assim um envenenamento acidental.

Só que apesar de conseguirem fazer esta distinção – que lhes pode valer a vida – os coalas têm uma alimentação muito pouco variada. Isto porque as suas refeições se baseiam em comer folhas dos eucaliptos que são muito pouco nutritivas, por isso têm necessidade de ingerir grandes quantidades para conseguirem obter toda a energia de que precisam no seu dia-a-dia.

Para assimilar toda a comida que consomem, os coalas têm que fazer uma digestão pesada e longa, e por isso passam seis horas por dia a comer folhas e o resto a tentar digeri-las. O que complica ainda mais a alimentação dos colas é que – apear de existirem mais de 600 variedades diferentes de eucalipto – os mamíferos só consomem algumas das suas espécies, condicionando ainda mais uma alimentação variada.

Fezes salvaram-lhes a vida

Há quase uma década, a população de coalas atingiu níveis muito elevados de densidade e isso fez com que o Eucalyptus viminalis , que é sua espécie preferida, se tornasse escasso. A situação produziu uma inversão biológica, pois a cadeia alimentar foi alterada e 70% dos coalas morreram à fome, diz o ABC.

Quando surgiu esse problema um grupo de investigadores da Universidade de Queensland abordou o assunto. Durante uma pesquisa realizada no ano passado e publicada na Science Daily, os especialistas analisaram os micróbios do intestino dos coalas e, através de um transplante fecal, conseguiram influenciar os animais a alargarem a sua dieta a outras espécies de eucalipto.

Para isso, os cientistas australianos mantiveram em cativeiro um grupo de coalas que só se alimentava de Eucalyptus viminalis e que estava a sofrer com fome, devido à escassez da espécie.

Paralelamente, os investigadores reuniram as fezes de outro grupo que se alimentou de Eucalyptus obliqua, e analisaram os microrganismos que estavam nas suas fezes. Posteriormente, os cientistas colocaram as fezes em cápsulas resistentes ao ácido clorídrico, e deram-nas aos coalas do primeiro grupo.

A transformação do microbioma causou mudanças na dieta dos coalas, uma vez que passaram consumir folhas de outras espécies de eucalipto, que começaram a ser mais atrativas gastronomicamente.

Através da aplicação deste tratamento inovador, a extinção dos animais foi evitada, numa altura em que os coalas se encontravam com escassez dos seus alimentos preferidos.

ZAP //

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