Super-fungo mortal pode ser a primeira infeção espalhada pelas alterações climáticas

(dr) Legionella Control International

Há três anos, autoridades de saúde dos EUA alertaram centenas de milhares de médicos em hospitais de todo o país para estarem atentos para um novo tipo de fungo resistente a medicamentos que se espalhava rapidamente e causava infeções potencialmente fatais em pacientes hospitalizados em todo o mundo.

Candida auris tornou-se uma séria ameaça à saúde global desde que foi identificada há uma década, especialmente para pacientes com sistemas imunológicos comprometidos. Foi relatado em mais de 30 países e é provavelmente ainda mais difundido porque o organismo é difícil de identificar sem métodos laboratoriais especializados.

É resistente a vários antifúngicos e pode disseminar-se entre pacientes em hospitais e outras unidades de saúde e causar surtos. O fungo pode levar a infeções na corrente sanguínea, no coração ou no cérebro, e estudos iniciais estimam que seja fatal em 30 a 60% dos pacientes.

Os investigadores nunca conseguiram isolar o fungo do ambiente natural ou descobrir como versões geneticamente distintas surgiram independentemente, aproximadamente ao mesmo tempo na Índia, na África do Sul e na América do Sul.

Agora, cientistas nos EUA e na Holanda têm uma nova teoria: o aquecimento global pode ter desempenhado um papel fundamental e sugerem que este pode ser o primeiro exemplo de uma nova doença fúngica que surge da mudança climática, segundo um estudo publicado na revista da Sociedade Americana de Microbiologia.

As infeções fúngicas em humanos são raras. Mamíferos têm sistemas imunológicos mais avançados do que outros organismos em risco de infeções fúngicas, e a maioria dos fungos no ambiente não consegue crescer nas temperaturas do corpo humano, segundo Arturo Casadevall, um dos autores do novo estudo, que é microbiologista e imunologista na Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg.

Mas como o clima ficou mais quente, os investigadores dizem que C. auris conseguiu adaptar-se, o que ajudou a replicar na temperatura do corpo humano de 37ºC. Casadevall e pscolegas do MD Anderson Cancer Center da Universidade do Texas e do Westerdijk Fungal Biodiversity Institute em Utrecht, na Holanda, compararam C. auris com as suas espécies mais próximas e descobriram que o fungo mortal conseguia crescer em temperaturas mais altas.

“A coisa mais misteriosa é que Candida auris apareceu simultaneamente em três continentes diferentes e isso é muito difícil explicar”, disse Casadevall. Algo aconteceu para permitir que o organismo “borbulhe e cause doenças”, disse. “Temos de tentar pensar, qual poderia ser a causa unificadora aqui? Estas são sociedades diferentes, populações diferentes”, explicou. “Mas a única coisa que têm em comum é que o mundo está a ficar mais quente”.

Casadevall disse que o estudo fornece uma direção para futuras investigações. “Estamos a reunir uma série de factos para explicar algo que é mistificador”, disse.

Se os cientistas pudessem encontrar o pântano ou o lago de onde veio o fungo e analisar os outros parentes próximos, os investigadores poderiam comparar como C. auris se adaptou para crescer em temperaturas mais quentes. Os cientistas alertaram que as mudanças relacionadas ao aquecimento global apenas no ambiente não explicam a emergência do fungo.

O uso generalizado de drogas antifúngicas e o uso pesado de fungicidas nas plantações são outras teorias para o surgimento do fungo.

Nos EUA, autoridades de saúde pública dizem que o fungo é um exemplo de um organismo resistente a ser importado para o país inadvertidamente por uma pessoa doente e a espalhar-se. Em junho de 2016, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças emitiram um alerta clínico sobre o patógeno.

Dois meses depois, os sete primeiros casos nos EUA foram notificados ao CDC. Em maio de 2017, esse número aumentou para 77 e, a partir de 12 de julho de 2019, houve 715 casos. A maioria dos casos foi detetada na área da cidade de Nova Iorque, Nova Jérsia e Chicago. Os pacientes podem ter o organismo na sua pele durante meses ou mais e o fungo resistente pode viver em superfícies durante um mês ou mais.

ZAP //

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5 COMENTÁRIOS

  1. e bom que seria se os aviões parassem de espalhar os chemtrails!!….
    Porque as pessoas – quais formigas no carreiro – continuam sem observar o céu??
    Continuam a “atirar-nos areia para os olhos” ou tentam “tapar o Sol com a peneira”??!!

  2. Só faltava mais está teoria provocada pelo aquecimento global
    Já agora e falando mais sério: nos últimos 100 anos o CO2 aumentou 100% e a esperança de vida dos 46 para 78 anos.
    Logo, é bom o aumento dos gases com efeito de estufa
    Já ando um bocado saturado de ouvir merd@s dos beatos e beatas dessa nova religião do aquecimento gloval

    • Em Ciência vc precisa estabelecer uma relação de causa e efeito para os fatos que se observa. Existe uma teoria que estabelece a relação entre aumento do CO2 na atmosfera e o aumento da temperatura média global, que é aceita por quase toda a comunidade científica. Você consegue estabelecer a relação entre o CO2 e o aumento da expectativa de vida? Se não, não diga que está falando sério.

  3. Mas uma vez e quantas forem necessárias para tentar desbloquear os cérebros enclausurados em uma missão psicopata para desconectar toda a mente humana classificadas como criaturas da estagnação do mundo!

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