“Não estou a brincar”. Trump quer 3º mandato e diz que há forma de fintar a Constituição

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Trump poderia concorrer como candidato a vice-presidente em 2028 e ter portas abertas à Casa Branca pela terceira vez, por sucessão. “Esse é um dos métodos, mas há outros”, garantiu o presidente dos EUA.

Donald Trump afirmou este domingo que há “métodos” para tornar possível um terceiro mandato na Casa Branca, apesar de a Constituição dos Estados Unidos estabelecer muito claramente um limite de dois mandatos para a Presidência.

Se antes já o tinha dito a brincar, desta vez, o presidente dos EUA falou agora a sério: “não, não, não estou a brincar. Não estou a brincar“, garantiu, em declarações à NBC.

“Há métodos para o poder fazer, há planos”, disse sem mais pormenores.

Um desses métodos, que já terá sido discutido entre os apoiantes de Trump, envolve uma interpretação fora do normal da Constituição do país. A ideia é que Trump poderia concorrer como candidato a vice-presidente em 2028, talvez ao lado de alguém como o senador do Ohio, JD Vance, e se Vance ganhasse, poderia demitir-se logo a seguir e abrir portas a Trump, por sucessão.

“Esse é um” dos métodos, confirmou Trump, “mas há outros“.

Os defensores desta teoria argumentam que a 22ª Emenda só proíbe que alguém seja eleito presidente mais de duas vezes e não impede explicitamente que um antigo presidente com dois mandatos assuma o cargo por sucessão. Mas alguns juristas rejeitam esta totalmente esta hipótese.

“Nenhuma pessoa constitucionalmente inelegível para o cargo de presidente será elegível para o cargo de vice-presidente dos Estados Unidos”, garantiu à AP o professor de direito eleitoral em Notre Dame, Derek Muller, que não acredita em nenhum “truque estranho” para contornar os limites dos mandatos presidenciais.

Trump — que já tinha sugerido “mais quatro anos” seus na presidência — não é o primeiro a falar do alargamento dos limites dos mandatos presidenciais nos EUA.

O congressista republicano Andy Ogles, do Tennessee, apresentou em janeiro uma resolução em que propunha uma emenda constitucional que permitiria a um presidente cumprir três mandatos não consecutivos.

A emenda excluiria os presidentes que cumpriram dois mandatos consecutivos, como Obama, George W. Bush e Bill Clinton, mas deixaria a porta aberta para Trump, de acordo com o The Guardian.

Mas para alterar a Constituição dos EUA é necessária uma maioria de dois terços na Câmara e no Senado, bem como a ratificação por três quartos dos estados — um obstáculo que torna esta hipótese quase impossível.

Apesar de ter dito depois que é “demasiado cedo para pensar” num terceiro mandato, Trump tem tentado aproximar a sua figura ao autoritarismo: já se referiu a si mesmo como “Rei” e, numa capa falsa da revista Time, partilhou uma imagem sua a usar uma coroa dourada, por exemplo.

“Não quero falar de um terceiro mandato agora porque, independentemente da forma como olhe para ele, ainda falta muito tempo. Temos quase quatro anos pela frente. E isso é muito tempo”, reforçou Trump.

A 22ª Emenda, que limita os presidentes a dois mandatos, foi ratificada em 1951 após a presidência inédita de Franklin D. Roosevelt por quatro mandatos durante a Grande Depressão e Segunda Guerra Mundial.

Tomás Guimarães, ZAP //

5 Comments

  1. Agora é só imaginar o que faria um adepto desta personagem, se algum dia mandasse nisto… sei lá, um Ventura, por exemplo…
    Não gostam de serem chamados de fachos, mas quem votar neles não passa disso: de um Facho!
    E não há Democracia com fachos! E escusam de vir a correr os bots cheganos com a palheta de que na Venezuela ou na Coreia do Norte “é que é bom”! Não! Ditadores, sejam de Esquerda ou Direita, merecem todos a mesma sorte, que é como quem diz, a mesma morte. Rápida e imediata. Porque é isso que vão promover se forem eleitos. E antes que o mal alastre é preciso cortá-lo pela raiz.

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