Trump acusa FBI de lhe ter roubado três passaportes. Procuradores contra a divulgação da declaração que motivou busca

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Stefani Reynolds / EPA

Donald Trump acusou os agentes do FBI que fizeram a rusga à sua casa de terem levado três passaportes seus. O Departamento de Justiça opõem-se à divulgação pública da declaração onde pediu um mandado de busca, alegando que isso põe em casa o decurso da investigação.

Após ter afirmado que os agentes que fizeram a busca na sua casa tinham plantado provas falsas, Donald Trump voltou a sair ao ataque contra o FBI. Desta vez, o ex-Presidente dos Estados Unidos usou a conta na sua rede social, Truth Social, para acusar o FBI de ter levado os seus passaportes durante as buscas.

“Uau! Na operação do FBI de Mar-a-Lago, os agentes do FBI roubaram três passaportes (um deles já expirado), assim como tudo o resto. Este é um ataque a um adversário político a um nível nunca visto antes no nosso País. Terceiro Mundo!” acrescentou Trump, que tem repetidamente dito que está a ser vítima de uma perseguição por motivos políticos.

O Departamento de Justiça já garantiu que não tem na sua posse nenhum documento de identificação de Donald Trump. Recorde-se que no dia 8 de Agosto, o FBI fez uma rusga inesperada à casa do antigo chefe de Estado em Mar-a-Lago, na Flórida, procurando documentos oficiais que Trump terá levado indevidamente consigo.

Quando um Presidente sai da Casa Branca, toda a documentação oficial referente ao seu trabalho tem de ser entregue aos Arquivos Nacionais. As buscas suscitaram a ira dos apoiantes de Trump, que têm ameaçado os agentes do FBI e o juiz que assinou o mandado de busca. Na semana passada, um homem armado tentou entrar num escritório do FBI no Ohio, tendo acabado por ser morto a tiro.

Merrick Garland, procurador-geral dos EUA, confirmou que autorizou pessoalmente as buscas e pediu que o juiz que assinou o mandado o tornasse público. Para além de violações à lei de espionagem, Trump também está a ser investigado por obstrução de justiça e destruição de documentos do Governo federal.

Além do mandado que autorizou a busca, foi também divulgado um longo inventário de documentos apreendidos na segunda-feira pelo FBI. O The Wall Street Journal noticiou que os agentes recuperaram documentos confidenciais, incluindo alguns “ultrasecretos” que deveriam estar apenas em instalações especiais do Governo.

O jornal explica que o FBI levou um total de 20 caixas da mansão de Trump em Mar-a-Lago, incluindo 11 coleções de materiais confidenciais. Alguns documentos tinham o rótulo “top secret”, o mais alto nível de confidencialidade que pode ser aplicado a informações no Sistema de inteligência dos Estados Unidos da América (EUA).

Entre os materiais recuperados pelo FBI destacam-se arquivos relacionados com o perdão presidencial ao ex-colaborador de Trump Roger Stone, informações sobre o Presidente francês, Emmanuel Macron, e documentos ligados a armamento nuclear.

A condenação perante estas suspeitas pode resultar numa pena de prisão ou em multas, o que pode, consequentemente, resultar num bloqueio a uma candidatura a qualquer cargo federal, incluindo a presidência — numa altura em que Trump tem insinuado que tenciona volta a concorrer à Casa Branca em 2024.

Departamento de Justiça opõe-se à divulgação do affidavit

Depois da divulgação do mandado e do inventário dos documentos apreendidos, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos quer manter em sigilo a declaração feita sob juramento perante um juiz (affidavit) que justificou o pedido de um mandado de busca à casa de Trump.

O The New York Times avança que o departamento chefiado por Merrick Garland pediu ao tribunal na Flórida que não divulgasse o documento na totalidade, receando que isso comprometa o decurso da investigação e que haja “um provável arrefecimento” da cooperação das testemunhas, já que a divulgação da sua identidade pode levar a que sejam ameaçadas pelos apoiantes de Trump.

Os procuradores acreditam ainda que a divulgação deste documento também poderá pôr em risco “outras investigações de alto nível”. Nos últimos dias, os Republicanos têm intensificado os pedidos para a divulgação do affidavit, mas o Departamento alega que isso “causaria danos significativos e irreparáveis à investigação”.

“Se fosse divulgada, a declaração serviria como um mapa para a investigação em curso, fornecendo detalhes específico sobre a sua direcção provável, de uma forma que provavelmente comprometeria futuras etapas da investigação”, justificaram os procuradores.

  Adriana Peixoto, ZAP //

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