Cientistas alertam: A Terra está a morrer mais depressa do que se pensava

Paulo Cunha / Lusa

A tripla ameaça das alterações climáticas, declínio da biodiversidade e superpopulação está a abater-se sobre o nosso planeta Terra, estando a morrer mais depressa do que pensávamos.

Num artigo publicado a 13 de janeiro na revista científica Frontiers in Conservation Science, um grupo de cientistas alertou para o facto de a Humanidade estar a avançar em direção a um “futuro medonho”, que só pode ser evitado se os líderes mundiais começarem a levar a sério as ameaças ambientais.

Segundo o Live Science, os 17 investigadores que assinaram o artigo – dos Estados Unidos, México e Austrália – descrevem três grandes ameaças: as alterações climáticas, o declínio da biodiversidade e a superpopulação humana (e consequente consumo excessivo).

Citando mais de 150 estudos científicos, a equipa argumenta que estas três crises – que estão prestes a escalar nas próximas décadas – colocam o planeta Terra numa posição mais precária do que a maioria das pessoas imagina e podem até mesmo colocar a própria raça humana em risco.

Segundo os autores, o objetivo deste novo artigo não é repreender os cidadãos ou alertar que tudo está perdido, mas antes descrever claramente as ameaças para que as pessoas (e esperançosamente os líderes políticos) comecem a levá-las a sério e a planear mudanças, antes que seja tarde demais.

Como será o futuro? Para começar, escreveu a equipa, a natureza será muito mais solitária. Desde o início da agricultura, há 11 mil anos, a Terra perdeu cerca de 50% das suas plantas terrestres e cerca de 20% da sua biodiversidade animal. Se as tendências atuais continuarem, cerca de um milhão das sete a 10 milhões de espécies vegetais e animais pode ficar em risco de extinção.

Essa enorme perda de biodiversidade também perturbaria os principais ecossistemas, havendo menos insetos para polinizar as plantas, menos plantas para filtrar o ar, a água e o solo e, assim sendo, menos florestas para proteger as populações de inundações e de outros desastres.

Ao mesmo tempo, tudo indica que esses mesmos fenómenos que causam desastres naturais irão tornar-se mais fortes e mais frequentes devido às alterações climáticas globais. Esses desastres, juntamente com as secas e o aumento do nível do mar, podem significar que mil milhões de pessoas se tornariam refugiadas até 2050.

A superpopulação humana também só irá dificultar as coisas. “Em 2050, a população mundial provavelmente irá crescerá para cerca de 9,9 mil milhões, com o crescimento projetado para continuar até ao próximo século”, escreveram os autores do estudo.

Este crescimento exacerbado irá agravar os problemas sociais como, por exemplo, a insegurança alimentar e habitacional, o desemprego, a superlotação e as desigualdades. Os investigadores também destacam que maiores populações também aumentam o risco de novas pandemias.

“Se a maioria da população mundial realmente entendeu a magnitude destas crises, e a inevitabilidade de virem a piorar, seria lógico esperar mudanças positivas nas políticas para corresponder à gravidade das ameaças. Mas está a acontecer o oposto”, lamentam os autores do artigo.

ZAP ZAP //

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11 COMENTÁRIOS

  1. E eu que pensava que quem estava a morrer eram as pessoas. Mas o Sr. Chung Guterres está preocupado com a Terra. Porque há superpopulação… Parece que o vírus está a tratar disso. Que bom para o Dr. Chung Guterres!!

    • A morte, seja de pessoas ou de qualquer outro ser vivo, faz parte da natureza.
      Só em Portugal, num universo de 10 milhões de pessoas, é expectável que morram por ano mais de 100 000 pessoas.

      Mas os cientistas referidos neste artigo, bem como o Secretário Geral da ONU, Senhor António Guterres, têm toda a razão em estar preocupados. Preocupados pelo futuro do planeta e, sobretudo, preocupados pelo futuro da humanidade.
      A nossa ganância desenfreada e a sobrepopulação estão a dar cabo de muitas espécies animais, muitas espécies vegetais, a dar cabo dos solos, a dar cabo das reservas de água doce e a dar cabo dos oceanos.
      E nem o planeta, como o conhecemos, nem as sociedades como existem hoje, sobreviverão a isso.

      Infelizmente é um problema que parece não ter ainda sensibilizado o poder político e económico nos maiores e mais poderosos países deste planeta.
      Mas a julgar por certas reacções também não preocupa uma camada grande da população. Que não se abstêm de divulgar as suas opiniões ignorantes e imbecis, desde que seja para denegrir os seus ódiozinhos de estimação. Como o senhor tony silva.

    • Como se a morte causada pelo virus fosse, se quer, uma solução para a sobre-população…

      Para o meu caro, atirar-se de um avião, com ou sem para-quedas, deve ser a mesma coisa.

  2. Sem planeta Terra não existe local onde vivam, nem com que vivam as pessoas!

    A morte do planeta é a nossa morte!

    Quantas colonias bem sucedidas e AUTOSUFICIENTES existem na Lua, em Marte ou noutros lados??

    Adeus Terra= Adeus Humanidade!

    Além de que quase tudo o que faz de nós humanos está ligado à Terra. Seres humanos a viver noutro local (o que ainda é mera fantasia), não é o mesmo que Humanidade!

    Alertar para o problema é pouco mas um bom começo!

  3. Só não vê quem não quer ou, por outro lado, se tenta armar em engraçadinho, a superlotação do planeta é um facto e a solução não está em matar, mas sim em controlar a natalidade, problema fácil de resolver! Infelizmente os políticos mundiais estão mais virados para novos armamentos, corrupção, negócios de droga e outras falcatruas como se isto seja uma fonte inesgotável de recursos e a própria humanidade um balão de ensaio para prazer das loucuras que lhes vierem à cabeça, veja-se a situação atual por que estamos a passar.

    • Não são só questões políticas mas sobretudo o modelo económico, o que nos mantém neste estado. Enquanto não houver uma gestão global de recursos, ou seja, que não vise o lucro mas sim a sustentabilidade dos mesmos, continuaremos a caminhar para o abismo. Mais automatização e mais tecnologia. Fim do mercado de trabalho que é a base para a continua necessidade de mais população para um sistema em pura contradição: para crescer, precisa de mais gente, o que só agrava a situação. Só não vê isto quem não quer ou porque está em negação. Quanto mais quisermos proteger e perpetuar este sistema, menos hipóteses de futuro teremos. Metam isto na cabeça.

      • De acordo com a sua opinião que vai ao encontro da minha ideia de que a humanidade existe mais para servir do que para ser servida, a miséria de milhões é a riqueza de um punhado de privilegiados; as cidades com milhões de habitantes são quanto a mim outra aberração e uma má forma de distribuir a população equitativamente pelo território.

  4. Coitadinho do Planeta… Oh… tão pequenino e tão vulnerável… Cuidem do planeta, e continuem a financiar a guerra e disseminar os vírus que os políticos agradecem! Eles ocupam altos cargos disto e daquilo e depois é só propaganda. Depois da humanidade passar à “história” como aconteceu com outras espécies todas elas muito “evoluídas” para a época. Ou ainda a acreditam na vida eterna? Ainda acreditam de daqui a 50 milhões de anos a humanidade ainda anda no Planeta? Pois, o Planeta esse ainda cá está de certeza, à volta do sol, com alterações climáticas, com alguns bichos, e nenhuma bicha!!

  5. Deixem lá o planeta em paz, que ele está-se bem a cag@r para essa conversa da treta, para o que achamos ou fazemos. Nós, para o planeta, somos completamente irrelevantes. Somos mais uma onda que vai e vem. Desde que surgiu vida na Terra já houve um número considerável de eventos catastróficos e extinções em massa. Os dinossauros por exemplo, dominaram o planeta por 167 milhões de anos. Sim, milhões de anos. E já foram. Nós estamos aqui desde ontem e no dia que desaparecermos outras espécies ocuparão o espaço no topo da cadeia e dominarão. Nós também só estamos no topo da cadeia porque os dinossauros desapareceram e os mamíferos prosperaram. É assim a vida. Ou o ciclo da vida. E o planeta continuará indiferente a girar à volta do Sol nos próximos milhares de milhões de anos. Essa conversa bacoca de salvar o planeta… que comédia. Salvemo-nos é a nós, aos nossos, e aos que pudermos dar a mão.

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