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Task force e Unilabs em desacordo sobre o que falhou no Queimódromo

Manuel de Almeida / Lusa

O vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, coordenador do plano de vacinação contra a covid-19

Infarmed e task force contactaram laboratórios responsáveis pela produção das vacinas da Pfizer e da Janssem para perceber quais os procedimentos a seguir para apurar qual o grau de eficácia das vacinas administradas.

Quase uma semana depois da avaria técnica que obrigou a suspender o processo de vacinação no Queimódromo do Porto, ainda se procuram justificações para o sucedido, com muitas dúvidas a pairar no ar sobre qual deverá ser o procedimento a seguir pelas pessoas, cerca de 980, que ali foram vacinadas face à possível redução de eficácia das doses que receberam.

De acordo com o Público, este centro de vacinação — o único a ser operado por uma entidade privada, a Unilabs — não deverá reabrir tão cedo, pelo menos enquanto não forem encontradas mais respostas. Fonte da task force responsável por coordenar a vacinação contra a Covid-19 em Portugal adiantou ao jornal que a suspensão do centro se deveu a uma “falha na cadeia de frio“, já que o frigorífico em que estão armazenadas as doses terá estado desligado durante algum tempo sem que nenhum alerta fosse acionado.

O problema só terá sido comunicado à Administração Regional de Saúde “tardiamente” e foi este organismo que alertou a task force para o sucedido. “Esta comunicação só chegou ao conhecimento da task force através da ARS Norte ao final do dia 11, data a partir da qual foram dadas instruções, após rápida concordância do Ministério da Saúde, para suspender as operações” deste centro.

As investigações que estão agora a decorrer “têm dois focos: um relacionado com o motivo que levou à quebra na cadeia de frio e o outro relativo aos procedimentos, por a quebra na cadeia de frio não ter sido detetada, o que terá originado a que vacinas armazenadas “fora dos parâmetros normais de temperatura estabelecidos” tivessem sido, mesmo assim, administradas, revelou a task force ao mesmo jornal.

O Público cita ainda regras ditadas pela autoridade responsável para afirmar que antes de se iniciar um processo de vacinação é obrigatório verificar se as vacinas estiveram sempre armazenadas nas temperaturas adequadas nos dispositivos que registam os dados.

A Unilabs, por seu turno, defende-se de qualquer acusação, garantindo que a falha em questão foi “detetada na terça-feira ao início da tarde” e que foi “reportada nessa altura” às autoridades.

“Foi uma falha de comunicação no sistema de verificação de temperaturas e no procedimento respetivo que não permitiu detetar a falha tinha ocorrido no sistema de frio. Comunicamos essa informação quer à ARS quer à task force no maior detalhe“, esclarece a rede nacional de laboratórios clínicos.

A Unilabs afirma que após ter sido detetada a falha foi possível continuar a administrar vacinas graças ao Agrupamento de Centros de Saúde do Porto Ocidental (ACES) que “fez chegar novas vacinas, o que permitiu continuar o processo de vacinação em condições de total segurança visto que o problema de vacinação em condições de total segurança visto que o problema foi detetado, analisado e corrido“. A empresa também argumenta que o processo foi retomado “em coordenação” com o ACES.

“Estas doses eram provenientes de um lote diferente do que ficou prejudicado pelo problema na cadeira de frio — essas vacinas foram retiradas para quarentena. O problema da cadeia de frio já estava nessa altura identificado e resolvido — foi identificado e resolvido na terça-feira em que ocorreu”, garante a Unilabs.

Na sequência do incidente, a task force comunicou o caso à Inspeção-Geral das Atividades de Saúde e à Polícia Judiciária, entidades que estão a investigar o sucedido, afirmou o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales esta segunda-feira, acrescentando que a decisão de reabrir o centro de vacinação no Queimódromo só acontecerá depois de conhecidas as conclusões das autoridades competentes.

“Temos de aguardar com serenidade e tranquilidade as conclusões das autoridades para depois tomar decisões. Antes, seria precipitado”, justificou. A Unilabs, por sua vez, diz que o centro “está pronto a reabrir assim que a task-force e a ARS o entendam”.

Vacinados sem saber o que fazer

Também à espera de novas indicações estão os cidadãos inoculados no Queimódromo nos dias 9 e 10 de julho, já que os pedidos endereçados pelo Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde) e pela task force aos fabricantes dos lotes das vacinas da Pfizer e da Janssen de forma a apurar a eficácia das vacinas e perceber se as pessoas vacinadas terão que o ser novamente continuam sem respostas.

Segundo avança o Público, que cita fontes do Infarmed, a questão pode ser esclarecida através de estudos complementares dos laboratórios. Caso esta não seja uma opção viável, será preciso esperar pelo menos duas semanas e talvez submeter as pessoas a testes serológicos para se perceber se criaram anticorpos ou não.

O centro de vacinação no Queimódromo do Porto começou a funcionar apenas no mês passado, tendo estado vários meses à espera da aprovação das autoridades de saúde. Resulta de uma parceria entre a Câmara Municipal do Porto, os dois centros hospitalares da cidade e a Unilabs.

  ARM, ZAP //

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