Surtos nas prisões. Marcelo chama ministras da Saúde e da Justiça a Belém

Rui Ochoa / Presidência da República / Lusa

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, convocou as ministras da Saúde, Marta Temido, e da Justiça, Francisca Van Dunem, a Belém para discutir uma resposta articulada para os surtos de covid-19 nas prisões.

Depois dos lares, começaram a surgir surtos cada vez mais descontrolados nas prisões.

Preocupado com a evolução da pandemia em Portugal, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pediu uma audiência conjunta com as ministras da Saúde, Marta Temido, e da Justiça, Francisca Van Dunem.

Segundo o semanário Expresso, o objetivo do encontro é forçar a articulação entre os dois ministérios para evitar que a pandemia avance de forma crítica.

Na sexta-feira, a Direção-Geral dos Serviços Prisionais (DGRSP) confirmou 371 casos positivos – 86 trabalhadores, 283 reclusos e duas crianças filhas de reclusas do Estabelecimento Prisional de Tires. Os números oficiais atualizados este domingo confirmam existirem 435 casos ativos nas prisões – com um novo surto na penitenciária da Covilhã.

Os dados oficiais da DGRSP referem também 198 casos recuperados  – 103 de trabalhadores, 91 de reclusos e quatro de jovens internados em Centros Educativos.

Outro dos aspetos que o Presidente pretende alinhar é o uso de máscara nas prisões. Na semana passada, soube-se que os reclusos não são obrigados a usar máscara dentro da cadeia e que a DGRSP só tornou obrigatório o uso de máscara pelos trabalhadores a 10 de setembro.

Segundo a DGRSP, os Estabelecimentos Prisionais não se encaixam na recomendação do uso de máscaras em espaços públicos para evitar a transmissão da doença.

Porém, António Lacerda Sales, secretário de Estado Adjunto e da Saúde, discordou destas afirmações. “O que me parece é que, sendo um espaço fechado, reitero o que disse a senhora ministra [da Saúde]: sim, devem ser usadas máscaras dentro das prisões”, disse o responsável na semana passada.

“Não há qualquer recluso positivo à covid-19 em estado grave”

Em entrevista ao semanário Expresso este domingo, o diretor dos serviços prisionais, Rómulo Mateus, revelou que não existem casos graves entre os cerca de 300 reclusos infetados com covid-19.

Segundo Rómulo Mateus, os reclusos infetaods estão apenas com sintomas ligeiros ou assintomáticos.

“Não posso dizer que amanhã não tenhamos outro surto noutro qualquer estabelecimento prisional. Mas se isso acontecer, vamos reagir e vamos tomar conta das pessoas que estão ao cuidado do Estado”, disse o responsável, lembrando que o plano de contingência das cadeias está a ser posto à prova com os casos que surgiram nas prisões de Tires, Lisboa e Guimarães.

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Questionado sobre se os estabelecimentos prisionais podem vir a substituir os lares em matéria de surtos e casos graves, Rómulo Mateus rejeita essa ideia. “Quero crer que vamos enfrentar esta crise, a maior que os serviços prisionais já passaram, com relativo sucesso”.

  ZAP //

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