Suíça quer trocar subsídios por rendimento incondicional de 2.250 euros

A Suíça vai votar a criação de um Rendimento Básico Incondicional (RBI), depois de uma petição com esta proposta ter reunido mais de 100 mil assinaturas. O referendo está agendado para 5 de junho, mas as sondagens apontam para a vitória do “não”.

A ideia é que todas as pessoas do país, um dos países mais ricos do mundo, tenham um rendimento mínimo garantido que subsitituiria os vários benefícios sociais do país, no âmbito à política de combate à pobreza e aos baixos salários.

De acordo com a Bloomberg, os responsáveis pela proposta – que reuniram mais de 100 mil assinaturas, o que no país obriga à convocação de um referendo – sugeriram um montante mensal a rondar os 2.500 francos suíços (cerca de 2.250 euros) por adulto e um quarto desse valor para as crianças.

A ideia do RBI é que toda a gente tenha um rendimento mínimo garantido, permitindo “uma existência decente” aos mais vulneráveis e contrariando empregos com baixos salários.

Em termos anuais, o montante proposto totaliza 30 mil francos – um valor pouco acima do limiar de pobreza em 2014 na Suíça, de 29.501 francos. Nesse ano, quase um em oito cidadãos estava abaixo dessa linha, de acordo com os dados do gabinete estatístico do país.

Em Portugal, o limiar de risco de pobreza é de 5.061 euros anuais. Ou seja, uma proposta semelhante adaptada ao nosso país seria um rendimento incondicional de menos de 450 euros mensais.

No entanto, como aponta a Bloomberg, é pouco provável que a medida receba o aval da população, já que as mais recentes sondagens apontam para a vitória do “não”, com 60% das intenções de voto.

A proposta enfrenta a oposição do governo, que argumenta que o rendimento básico significaria mais impostos e desincentivos ao trabalho, e causaria uma escassez de competências.

“Chegámos à conclusão que tal iniciativa poderia enfraquecer a nossa economia”, referiu o ministro do Interior Alain Berset, citado pela Bloomberg.

Entre os defensores da introdução de um rendimento básico está o antigo ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, que considera a medida fundamental numa altura em que a automatização e a digitalização da economia estão a eliminar postos de trabalho.

“Um país rico como a Suíça tem a oportunidade de levar a cabo esta grande experiência”, defendeu o ex-governante grego.

A ideia do RBI tem sido também estudada noutros países, nomeadamente na Finlândia e na Holanda, onde há ideias para a sua aplicação de facto, embora a título experimental, já para 2016 e 2017, com o financiamento dos sistemas de Segurança Social, dos municípios e de fundos privados.

Em Portugal, o PAN – Pessoas-Animais-Natureza anunciou em fevereiro que deverá apresentar ao governo um projecto de resolução com vista a discutir a possibilidade de criar um Rendimento Básico Incondicional.

ZAP

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11 COMENTÁRIOS

  1. APenas os ignorantes e egoístas é que não querem aceitar. Custa muito ajudar os menos favorecidos. TODOS nós temos direito a uma vida digna neste planeta, com o minimo básico para sobreviver. Ninguém pede para nascer.

    • Mais um anjinho que pensa que o dinheiro cresce nas árvores…
      Com incentivos a não trabalhar deste calibre, a Suiça arrisca-se a tornar-se num paraíso para toda a espécie de madraços. Basta imaginar um casal com dois filhos a receberem 5625 Euros por mês sem fazerem nada.

      • sim, tendo em conta que só uma casa para um casal e 2 filhos custa em média 5000€. realmente ficam a viver á grande…

      • Não cresce nas árvores mas o FED e amigos podem imprimir notas sem qualquer equivalente em ouro, ou seja, podem imprimi-lo do nada! Para eles, porque para o povinho, nicles!
        Se acha que isto não funciona assim, você é que vive no mundo da fantasia.

      • Isso teria que ser avaliado pela s.social. Nem todo o tipo de situações sao merecedoras de um tal subsidio. Essa avaliação pode ser feita de diversas formas.

  2. Mas este pessoal pensa que a Suiça se pode comparar com Portugal!!!… Na Suiça a ideia até pode resultar aqui essa ideia só criava mais vagabundos…isto depende da mentalidade de lá e a mentalidade dos portugueses…enquanto lá fazem por trabalhar mesmo com esses benefícios, aqui era um pretexto para não trabalharem…Portanto, não faz qualquer sentido comparar um país desenvolvido com um país como este…cheio de falhas…

  3. Eu até concordo com essa medida. A economia tem que se adaptar aos novos tempos. Com a inovação tecnológica, é por demais evidente que é impossível haver trabalho para todos, e no futuro será ainda pior. Lembro-me em tempos idos, quando andava na escola, um professor ter referido que o objectivo ideológico do desenvolvimento tecnológico, era a tecnologia ao serviço do ser humano, sendo que este teria que trabalhar cada vez menos, com mais tempo para si e para a sua família. Ora, a redistribuição de riqueza pela cobrança de impostos e atribuição de subsídios nos moldes actuais, está demonstrado que não funciona devido aos vícios do sistema e chique espertice de alguns. No entanto, não tenho dúvidas que o que se propoem aqui culminará numa malandrice generalizada, pelo menos nos países com valores culturais enviesados, podendo inclusivamente provocar um descontrolo económico e financeiro em cada economia em que seja implementado. O que se propoe, só fará sentido se as pessoas continuarem a trabalhar, nem que seja a prestar serviço cívico e social a favor da comunidade, independentemente da sua formação profissional.

  4. Claro que não é, porque Portugal não vive de esconder e a ajudar a roubar dinheiro nem de lavar dinheiro e ouro sujos!!
    .
    Existe uma corrupção institucional na Suíça e são os bancos que comandam o país.
    “Suíça é o principal local de lavagem de dinheiro do nosso planeta, o local de reciclagem dos lucros da morte.” http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,o-caso-hsbc-e-so-a-ponta-do-iceberg,1641966

    Em resposta: se você acha que a Suiça tem corrupção institucional então Portugal tem o que?! Podridão nas instituições não?! Tomará nós termos a corrupção e outros aspectos da Suiça….é que nem tem comparação…Suiça é desenvolvida, Portugal nem tem palavra para descrever como isto anda…

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