Sochi: fundado em 2018, nas competições europeias em 2021

O sucessor do Dínamo São Petersburgo estava na segunda divisão há menos de dois anos. Sem “estrelas” do futebol, conseguiu o apuramento para uma prova europeia, na última jornada do campeonato russo.

Futebol Clube de Sochi. Fundado no dia 6 de junho de 2018, como sucessor do Dínamo São Petersburgo, que deixou a antiga Leninegrado para se mudar para a cidade olímpica de 2014.

O Dínamo, que existia há quase 100 anos, era um clube habituado a estar na primeira divisão da União Soviética mas desceu de divisão há mais de 50 anos e, já no século XXI, perdeu o estatuto de clube profissional. Andou pelo futebol amador durante muitos anos.

O novo FC Sochi iniciou o seu percurso na época 2018/19, na altura na segunda divisão nacional. Até aqui, nada invulgar neste artigo, nos dias que correm. Mas o trajeto do novo clube de Sochi (o único clube profissional de futebol naquela cidade) não é propriamente vulgar.

Na primeira temporada o FC Sochi subiu à primeira divisão. O Tambov foi campeão mas o conjunto de Sochi conseguiu o segundo lugar e ascendeu ao escalão principal, onde seria 12.º classificado na época seguinte. Escapou por pouco ao regresso à segunda divisão: terminou a liga com 33 pontos e o penúltimo classificado, que desceu, ficou com 31 pontos.

A presente época foi bem diferente: quinto lugar para a nova equipa. Em princípio só os quatro primeiros classificados do campeonato russo estariam em provas da UEFA, na próxima temporada: o campeão Zenit e o vice-campeão Spartak Moscovo na Liga dos Campeões, Lokomotiv Moscovo (terceiro lugar) e Rubin Kazan (quarto) na nova Liga Conferência Europa.

No entanto o Lokomotiv venceu a Taça da Rússia, por isso segue para a fase de grupos da Liga Europa. Assim, o quinto classificado também vai estar na Liga Conferência. O FC Sochi vai disputar a segunda pré-eliminatória do novo torneio.

O apuramento só foi confirmado na última jornada, disputada no domingo passado. Num final de campeonato emocionante, o FK Sochi não foi além de um empate sem golos no terreno do Khimki mas, ao mesmo tempo, o Dínamo Moscovo deu uma ajuda ao derrotar o vizinho CSKA por 3-2 (com o golo da vitória a ser apontado aos 89 minutos). Foram 53 pontos para a equipa de Sochi, os mesmos do quarto classificado Rubin Kazan, e 50 pontos para Dínamo e CSKA – ambos fora dos lugares europeus.

Equipa de “desconhecidos”

Em julho de 2015 o ainda Dínamo São Petersburgo foi comprado pelo milionário Boris Rotenberg. Por isso, podia-se pensar que o clube reforçou-se com algumas das “estrelas” do futebol russo e com alguns futebolistas estrangeiros conceituados. Nem por isso.

O pouco conhecido Vladimir Fedotov, treinador, lidera um plantel maioritariamente russo, como é regra naquele país. Há ainda representantes de Argentina, Arménia, Bulgária, Croácia, Equador, Eslovénia e Sérvia. Entre os estrangeiros há um internacional pelo seu país: o médio experiente Christian Noboa, de 36 anos, que já representou o Equador em várias edições da Copa América e jogou no Mundial 2014.

De resto, entre os 11 futebolistas mais utilizados no campeonato, quase todos são russos e todos são “anónimos” para um adepto que não acompanhe de perto o futebol na Rússia – e nenhum tem experiência em grandes palcos, em torneios de seleções.

No estádio olímpico Fisht Stadium, construído para os Jogos Olímpicos de Inverno em 2014, e com capacidade para 41 mil pessoas, já jogou um atleta que os adeptos portugueses conhecem: Giannelli Imbula, o recordista de mercado no FC Porto. Imbula chegou a Sochi em março de 2020, saiu quatro meses depois e entretanto jogou… uma vez.

  Nuno Teixeira, ZAP //

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