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Só há um país a cumprir as metas do Acordo de Paris

A poucos dias da cimeira do clima de Glasgow, onde é esperado que os países anunciem cortes nas emissões de gases com efeito de estufa, apenas um, a Gâmbia, cumpre o acordo de Paris sobre redução de emissões.

De acordo com estimativas independentes e científicas, referentes a este mês, das organizações que elaboram o índice Climate Action Tracker (CAT), só o pequeno país africano está no caminho de cumprir as metas definidas no Acordo de Paris, alcançado em 2015, para evitar um aquecimento do planeta superior a 1,5 graus celsius (ºC) acima dos valores da era pré-industrial.

Há dois anos a Gâmbia já estava na linha da frente da luta contra as alterações climáticas, a par de Marrocos, que está agora no grupo de países com metas quase suficientes para cumprir o acordo de Paris, a par da Costa Rica, Etiópia, Quénia, Nepal, Nigéria e Reino Unido.

A União Europeia – na escala de cores do CAT em que a verde aparece apenas a Gâmbia e os “quase lá” estão a amarelo – aparece no grupo dos países cor de laranja, com metas insuficientes e no mesmo grupo de países como o Chile, o Japão, o Peru, a África do Sul ou os Estados Unidos, entre outros. Os Estados Unidos estavam há dois anos na lista negra, que representa os piores países do mundo em termos de metas para evitar um aquecimento global que os cientistas consideram catastrófico para a humanidade.

O CAT é produzido por duas organizações, a Climate Analytics e o New Climate Institute, e rastreia as promessas e políticas climáticas de 37 países/regiões, cobrindo cerca de 80% das emissões globais de gases com efeito de estufa.

O Acordo de Paris, assinado por praticamente todos os países do mundo em 12 de dezembro de 2015, pretende ser um plano de ação, assente em compromissos concretos dos países, para limitar o aquecimento global a menos de 2ºC, de preferência menos de 1,5ºC, acima dos valores médios da era pré-industrial.

Segundo o CAT, as medidas da União Europeia são insuficientes, permitem um aumento de temperatura que ultrapassa os 2ºC, mas ainda assim o bloco está no bom caminho.

A vermelho, com medidas altamente insuficientes, estão 15 países, entre eles grandes economias e grandes emissores de gases com efeito de estufa, como a Argentina, Austrália, Brasil, Canada, China, Índia, Indonésia, México ou Ucrânia estão neste grupo, cujos compromissos de redução de emissões resultam num aumento do aquecimento global que ultrapassa os 3ºC.

Em situação crítica, na lista negra do CAT, estão seis países, praticamente sem medidas para conter as emissões de gases com efeito de estufa. A Federação Russa, a Arábia Saudita, o Irão, Singapura, Tailândia e Turquia estão neste grupo, e pelas suas políticas diz o CAT que a temperatura global aumentaria 4ºC.

O CAT foi atualizado há menos de duas semanas, mas a Climate Analytics e o New Climate Institute dizem que desde maio, quando foi feita a ultima atualização, quase nada mudou em relação às promessas de redução de emissões de gases com efeito de estufa. Desde novembro do ano passado um reduzido número de países concluiu as suas propostas de redução de emissões para 2030.

Por isso as duas organizações consideram ser “absolutamente necessário” que mais governos aumentem as chamadas “contribuições nacionalmente determinadas” (NDC na sigla original) de redução de gases com efeito de estufa. “Há demasiados, especialmente entre os grandes emissores e países desenvolvidos, que ainda não o fizeram. Cerca de 70 países não atualizaram de todo as suas NDC”, segundo a organização.

O esquema de classificação do CAT foi alterado e tornado mais abrangente, juntando as políticas, a ação e as metas de cada país/região, classificando agora 37 países/regiões, mais quatro do que anteriormente: Nigéria, Irão, Tailândia e Colômbia.

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Dos 37, apenas a Gâmbia tem uma ação climática global compatível com o Acordo de Paris, em sete píses a ação climática global é quase suficiente, o que significa que ainda não são compatíveis com o limite de 1,5ºC, mas podem alcançar esse patamar com pequenas melhorias, e os restantes três quartos dos países analisados têm “lacunas significativas” na ação climática. Portugal não é analisado individualmente, apenas a União Europeia em bloco.

No CAT a União Europeia deu “grandes passos” na mitigação das alterações climáticas em 2020, como o chamado “Green Deal”, ou a aprovação já este ano da Lei Europeia do Clima.

No entanto, a ação climática da União Europeia, segundo as organizações que compilam o índice, ainda pode melhorar, “especialmente em torno da aceleração da eliminação gradual do carvão, aumentando o financiamento da ação climática no estrangeiro, e indo além do atual objetivo de redução das emissões” de gases com efeito de estufa em 55% até 2030.

  // Lusa

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