Sem acordo, “haverá crise política”. Costa dramatiza aprovação do OE à esquerda (e deixa recado a Pedro Nuno Santos)

Paulo Novais / Lusa

O primeiro-ministro avisa que se não houver acordo para a aprovação do Orçamento do Estado para 2021 haverá crise política e que, sem entendimento à esquerda, recusará negociar à direita a subsistência do Governo.

António Costa assumiu estas posições numa entrevista que concedeu ao semanário Expresso no passado dia 21, depois de interrogado se haverá risco de austeridade caso o Governo não chegue a um acordo orçamental com o Bloco de Esquerda e com o PCP.

“Se não houver acordo, é simples: não há Orçamento e há uma crise política. Aí estaremos a discutir qual é a data em que o Presidente [da República] terá de fazer o inevitável”, respondeu o líder do Executivo.

Num recado sobretudo dirigido aos parceiros de esquerda do PS no parlamento, António Costa considera que “quem não quer assumir responsabilidades deve dedicar-se a outra atividade”, porque a atividade política requer “assunção de responsabilidades”.

“Os outros partidos não querem ter responsabilidades pelo desemprego de janeiro de 2022? Quem foge das responsabilidades relativamente aos problemas foge da responsabilidade de definir as soluções. Se queremos que haja menos desemprego em 2022, temos de atempadamente definir as políticas“, defendeu.

Confrontado com o cenário de os partidos de esquerda deixarem o PS e o Governo sozinhos com o PSD na viabilização do Orçamento do próximo ano, o primeiro-ministro disse que não irá pedir aos sociais-democratas que votem contra ou que se abstenham.

“O que quero deixar muito claro, e já o deixei ao PCP e ao BE, é que, se sonham que vão colocar o PS na condição de ir negociar com o PSD a continuação do Governo, podem tirar o cavalinho da chuva, pois não negociaremos à direita a subsistência deste Governo”.

E acrescenta: “Há uma tentação, que não digo que seja do Jerónimo de Sousa ou da Catarina Martins, que percebo ser de alguns estrategos do PCP e do BE, que dizem: “Ah, agora é que vai ser, eles vão ser obrigados a governar à direita.” Já expliquei com muita clareza: esse sonho não se vai realizar. No dia em que a subsistência deste Governo depender de um acordo com o PSD, nesse dia este Governo acabou”.

Presidenciais e o recado a Pedro Nuno

Na mesma entrevista, António Costa considerou que se Marcelo Rebelo de Sousa não se recandidatasse a Presidente da República “havia um problema grave no conjunto do país” que, no seu entender, tem por certo que concorra a um segundo mandato.

Dosse ainda que, por exercer as funções de primeiro-ministro, adotará uma atitude de “recato” nas próximas eleições presidenciais.

Questionado sobre a possibilidade de existir um problema de “vacatura à direita” caso Marcelo Rebelo de Sousa decida não se recandidatar nas próximas eleições presidenciais, António Costa foi mais longe na sua análise: “Havia um problema grave no conjunto do país, que dá isso por adquirido e se sente confortável com o Presidente”.

Já sobre a forma como o PS vai gerir o processo das próximas eleições presidenciais, o secretário-geral socialista disse que haverá um momento em que os órgãos do seu partido se irão pronunciar sobre essa matéria. “Sendo eu também primeiro-ministro, seja a pessoa que menos interfira nesse debate, porque terei de ter com o próximo Presidente uma relação institucional. Não vou interferir muito nessa campanha eleitoral”, avisou.

Na perspetiva de António Costa, um primeiro-ministro em exercício, em período de eleições presidenciais, “deve manter recato”. A seguir, António Costa foi confrontando com o facto de o seu ministro e dirigente socialista Pedro Nuno Santos ter afirmado que apoiará um candidato presidencial do BE ou do PCP se não houver ninguém da área do PS.

Costa entende que “os membros do Governo devem ter em relação às presidenciais um particular dever de reserva, tendo em conta aquilo que é a relação que o Governo deve manter com o próximo Presidente, com quem terá de conviver muito tempo”.

ZAP ZAP // Lusa

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12 COMENTÁRIOS

  1. O primeiro-ministro tem vários problemas para enfrentar nos próximos tempos e o seu horizonte começa a cobrir-se de nuvens negras.
    Os tempos dourados ou de vacas gordas foram-se, e só não começou já a vertiginosa descida nas sondagens por causa da bazuca financeira prometida pela UE. Basta ao PSD esperar com calma e sem dar tiros no pé em momentos cruciais.
    Agora vem o problema do OE e das eleições, sobretudo as presidenciais.
    Costa dificilmente se safa de ser chamuscado num e noutro episódio. No Orçamento, até pode aguentar-se mas não vai haver cheque em branco. A relação com a esquerda tenderá mais para a grosseria e o ressabiamento do que para o namoro.O BE e o PCP vão estar-se nas tintas para a estabilidade à sua custa e querem alijar a fama de serem bengala do PS. Quanto ao recato, dá vontade de sorrir: não foi ele a lançar os foguetes da campanha de Marcelo, colando-se-lhe de forma tão oportunista quanto ridícula?

    • Este senhor PM entrou em deriva esquerdista e ninguém o segura. Enquanto houver dinheiro para subsídios vai correr tudo bem, vamos ter BE e PCP a apoiar o governo. O pior vai ser depois, quando os tivermos que pagar!? Conhecem alguma economia que funcione bem com BE’s ou PC’s?
      Aguardemos que a populaça se aperceba.

      • O gajo herdou o ADN comunista do pai e foram estas duas seitas radicais que o safaram quando praticamente estava morto com 3 derrotas eleitorais seguidas.

  2. Não considero Pedro Nuno Santos material para primeiro ministro. Não tem a ver com a pessoa em si, mas o seu estilo não encaixe. Mas o Pedro Siza Vieira sim, um dia.
    Assim, duvido que vale a pena sujar palavras com este assunto.
    Em estratégia o Costa tem razão. Eleições antecipadas pode dar rudes golpes em PSD, PCP e Bloco. Costa merece a confiança, pois ele tem sido até agora o único estratego político que não feriu Portugal, mas realmente elevou para um patamar melhor. Naturalmente, o PS é um partido que nunca quer chegar à perfeição. Sempre deixa algo pendurado, como o SNS. Isto porque quer agradar a todos, Gregos e Troianos. O Costa vai conseguir, mas se ele um dia seja substituído, a Bronca Nacional vai regressar.

  3. Costa borrado de medo que a Catarina aperte demais com ele.
    Ir para eleições agora poderia trazer uma enorme surpresa.
    CHEGA de incompetências.

  4. A leitura atual das sondagens (vale sempre o que vale) mostra que tanto o BE como o PCP irão enfrentar gandes dificuldades numas eleições antecipadas. Assim sendo devem ser os primeiros a ter interesse em chegar a um acordo. Podem, entretanto, optar por não o fazer e mergulhar os respetivos partidos na mesma posição em que se encontra o CDS. Se o povo português continuar a insistir na ideia da geringonça é porque querem ver o país adiado. Neste caso terá de deixar de choradinhos e arcar com as consequências. Simples. Quanto ao Santinho, ele que trate de nos dar mais transportes públicos ou deixar o governo já que é bom a negociar mais muito mau a dirigir.

  5. Este primeiro ministro a extrema esquerda, depois da Festa do Avante, vai exigir ao amigo Jerónimo que vote contra o Orçamento. Este, do estilo Guterres só sabe “governar-se” a ele e aos amigos sem crise. Com o que lá vem, o melhor é chamar o Passos Coelho. Quando é que o povo, incluindo os privilegiados dos funcionários públicos, vão entender o génesis do PS? Como o Chega está a chegar-se à frente, esta criatura já percebeu que quanto mais cedo sair do governo menos vergonha vai passar. Se, porventura a direita e extrema direira ganharem as eleições, a quem deve pedir responsabilidades? Aos cobardes que vão fugir? A quem? O melhor de tudo, vai ser ver o PCP afirmar que o PS é um partido de direita e o PS afirmar que o PCP é um partido que não pretende o progresso do País.
    Olhem bem para a cara do A Costa e digam se as expressões revelam classe, pessoa com cultura geral, etc

  6. O primeiro-ministro está a entalar o Bloco + o PCP, ou alinham e o Orçamento passa, ou votam contra e a extrema-esquerda ficará como responsável pela crise e uma vez mais o senhor Costa a esfregar as mãos de contente porque considerará estes dois partidos os responsáveis pela crise e ele a vítima, portanto uma vez mais estes estão entalados e vão ter que alinhar mesmo fazendo birra. Quem ficará livre de qualquer responsabilidade serão todos os partidos à direita do PS, ninguém lhes poderá atribuir responsabilidades uma vez não terem de ser vistos nem achados para a resolução do problema. Até a crise atual poderá ser uma forte aliada do governo.

  7. Costa acaba de dar o tiro de partida para o confronto entre ele e Pedro Santos, visando a próxima candidatura a comandante do partido.

  8. Seria muito melhor ter uma crise política do que ser governados por estes comunistas aldrabões sem vergonha nem caracter.São mentiras constantes que têm mantido estes crápolas no governo com a ajuda de um povo ignorante que vota neles.Portugal precisa urgentemente de políticos honestos e competentes.Por favor acordem e ponham estes trafulhas a correr daqui para fora.Confesso que às vezes acho que seria melhor uma ditadura no país para limpar estes aldrabões uma vez por todas.

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