Desvendado o segredo das salamandras “paraquedistas”

rambryum / Wikimedia

Aneides vagrans.

Investigadores desvendaram o segredo das Aneides vagrans, umas salamandras que saltam de grandes alturas e sobrevivem graças a técnicas de paraquedismo.

Entre os moradores das sequoias-vermelhas, as maiores árvores do mundo, está uma curiosa espécie de salamandras, a Aneides vagrans.

Quando enfrentam um predador no topo destas árvores — que podem atingir até 115 metros de altura —, estas salamandras recorrem a um ato desesperado para chegar a porto seguro: um salto em queda-livre de dezenas de metros.

Sem paraquedas à vista, como é que estas salamandras conseguem sobreviver a tamanha queda? Esta foi a pergunta que o biólogo Christian Brown, da Universidade do Sul da Califórnia, colocou a si mesmo e procurou responder na sua mais recente investigação.

Através de uma experiência com um pequeno túnel de vento, o investigador descobriu que estas criaturas usam as mesmas técnicas que os paraquedistas humanos. Um excerto da experiência pode ser visto aqui.

Os animais desaceleram a queda ao colocar o peito para fora e esticar os membros numa pose de estrela-do-mar, detalha a National Geographic. Esta é precisamente a mesma técnica usada pelos humanos que fazem skydive, por exemplo.

A equipa de Brown gravou os movimentos do animal em slow motion com uma câmara sofisticada. Em todas as 45 tentativas, as salamandras posicionaram-se imediatamente em forma de estrela-do-mar.

E em mais da metade dos testes, as salamandras também ondularam as suas caudas para fazer correções da trajetória. Noutros casos, dobravam uma perna e giravam em torno de si, de forma a controlar a queda.

Em comparação, a espécie Ensatina eschscholtzii, que anda no solo, usou técnicas de skydive em apenas três das 45 tentativas.

As salamandras estudadas por Brown são fisicamente ideais para planar: têm um corpo relativamente plano, pernas longas e pés maiores em proporção ao corpo do que a maioria das salamandras.

Trepar árvores não é propriamente um comportamento estranho em salamandras — mais de 200 espécies o fazem. No entanto, estes saltos radicais não foram descritos em mais nenhuma espécie além da Aneides vagrans.

“É um meio de transporte”, disse Brown, como “apanhar um elevador de gravidade”. Os resultados do estudo foram publicados na revista científica Current Biology.

  Daniel Costa, ZAP //

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