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Titã salvou-se de ser devorada por Saturno (e já sabemos como)

Nagoya University

Na mitologia romana, Saturno comeu os seus próprios filhos. Segundo os modelos astronómicos, o planeta com o mesmo nome deveria ter feito isso – mas a sua maior lua, Titã, salvou-se.

Planetas gigantes são cercados por gás e poeira à medida que surgem, alguns dos quais se fundem em luas. Tentativas de reconstruir virtualmente o processo levam a várias luas grandes (como as de Júpiter) ou a pequenas (como Urano). Pensa-se que a lua grande de Neptuno seja um Objeto do Cinturão de Kuiper capturado, em vez de um produto do nascimento de Neptuno. Titã, no entanto, tem sido uma anomalia inexplicável.

Masahiro Ogihara, do Observatório Astronómico Nacional do Japão, acredita que a resposta pode estar no gradiente de temperatura que ocorre em torno de um novo gigante gasoso, sendo que o gás é mais quente perto do planeta.

De acordo com o estudo publicado este mês na revista científica Astronomy and Astrophysics Letters, Ogihara e Yuri Fujii, da Universidade de Nagoya, a partir de simulações numéricas, descobriram que a poeira no disco protoplanetário pode criar uma “zona de segurança”, que evita que a lua caia no planeta à medida que o sistema evolui.

Os investigadores criaram um novo modelo de disco protoplanetários com uma distribuirão de temperatura mais realista ao considerar múltiplas fontes de opacidades que incluem pó e gelo. Depois, simularam a migração orbital das luas, considerando a pressão do gás do disco e a gravidade de outros satélites.

As simulações mostram que existe uma “zona de segurança” onde a lua se afasta do planeta. Nesta área, o gás mais quente dentro da órbita empurra o satélite e evita que caia no planeta.

“Demonstramos pela primeira vez que um sistema com uma única lua grande pode formar-se em torno de um planeta gigante”, disse Fujii, em comunicado publicado no EurekAlert. “Este é um marco importante para entender a origem de Titã”.

Ainda assim, segundo Ogihara, “seria difícil examinar se Titã realmente experimentou esse processo. O nosso cenário pode ser verificado através da pesquisa de satélites em torno de planetas extrassolares. Se forem encontrados muitos sistemas de exoluas únicas, os mecanismos de formação desses sistemas tornar-se-ão um problema”.

  ZAP //

 

 

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