Rússia dá mais uma semana a Kiev para resolver “questão do gás”

Sebastian Derungs / swiss-image.ch / World Economic Forum

Vladimir Putin, presidente da Rússia

Vladimir Putin, presidente da Rússia

A Rússia adiou para 9 de junho o seu ultimato sobre o gás e a ameaça de uma rutura no abastecimento à Ucrânia, que inquieta a Europa e é alvo de negociações cruciais em Bruxelas.

Pouco antes do início das conversações na capital belga, o presidente da gigante energética russa Gazprom, Alexei Miller, confirmou ter recebido um pagamento de 786 milhões de dólares (576 milhões de euros) de Kiev, apesar de recordar que a totalidade da dívida ucraniana ascende a 2,3 mil milhões de dólares (1,68 mil milhões de euros) pelo gás enviado até 1 de abril.

O grupo russo também suavizou a sua posição sobre o pagamento das entregas após essa data, e quando o preço do gás foi fixado a um preço sem equivalente na Europa e na sequência do agravamento da crise na Ucrânia, ao referir-se a “progressos”.

No domingo, o primeiro-ministro ucraniano Arseni Yatseniouk prometeu que a Ucrânia iria reembolsar a Rússia na sua dívida do gás nos próximos dez dias, caso os dois países chegassem hoje a acordo sobre os termos de um novo contrato.

Para o perito ucraniano Iuri Koroltchouk, a Ucrânia “ganhou tempo” para que o recém-eleito Petro Poroshenko, que será investido no cargo de Presidente da Ucrânia a 7 de junho, possa conduzir as negociações.

Poroshenko deve encontrar-se na quarta-feira com o Presidente norte-americano Barack Obama, cujo apoio é crucial para a Ucrânia.

Assim, o novo chefe de Estado ucraniano poderá cruzar-se com o seu homólogo russo durante as celebrações do desembarque aliado na Normandia em 6 de junho, na sequência do convite do Presidente François Hollande, e mesmo que não esteja previsto qualquer encontro, segundo o Kremlin.

Confirmado está o encontro na Normandia entre o primeiro-ministro britânico e Putin, para analisar a crise ucraniana e “insistir na importância de um diálogo entre o governo russo e o novo governo ucraniano”.

A Rússia e o conflito na Ucrânia vão dominar a deslocação de Obama à Europa nessa semana, da Polónia à Normandia para as celebrações do 6 de junho de 1944, até à cimeira do G7 na quinta-feira, em Bruxelas.

Este encontro substituiu o do G8, que deveria ter a participação da Rússia mas foi anulado devido à crise ucraniana.

Poroshenko poderá evocar com Obama a necessidade de uma ajuda militar norte-americana. Na segunda-feira, e de visita a Kiev, o secretário de Estado adjunto da Defesa dos EUA, Derek Chollet, disse ter discutido com os responsáveis locais uma “assistência de 18 milhões de dólares [13,1 milhões de euros] e a cooperação a longo termo para reforçar as estruturas de defesa ucranianas”.

Kiev e os Estados Unidos denunciam a presença de cidadãos russos, designadamente chechenos, entre as forças rebeldes, incluindo com armas pesadas.

“Há provas que a Rússia continua a permitir a livre circulação de armas, de fundos e de combatentes através da sua fronteira”, disse hoje em Washington o secretário norte-americano das Finanças, Jacob Lew.

No terreno, os combates estão a alastrar e com relatos de crescente violência, em particular na região de Donetsk, com cerca de um milhão de habitantes.

De acordo com jornalistas locais citados pela agência noticiosa AFP, o chefe de redação de um jornal regional foi raptado hoje por homens armados, que entraram na redação do periódico.

A Organização para a segurança e cooperação na Europa (OSCE) permanece ainda sem informações sobre duas equipas deslocadas na região, em Donetsk e Lougansk, e supostamente nas mãos dos separatistas.

/Lusa

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